Santuário barroco, composto por igreja a partir da qual parte escadório, com dois patamares, seguindo em ziguezague até ao alto de um monte. A igreja apresenta planta longitudinal composta por nave única, com torres a flanquear a fachada principal, cruzeiro octogonal, capela-mor, deambulatório e sacristia, tudo em eixo. Fachada principal rematada por frontão triangular, rasgada por portal rematado por frontão de volutas interrompido encimado por edicula com aletas, ladeada por janelões. Fachadas laterais com janelas de moldura recortada. Panos murários enquadrado por cunhais coroados por pináculos. Decoração interior com nave e capela-mor cobertas por abóbada de berço com caixotões e cruzeiro cuperto por cúpula oitavada com lanternin. Paredes da nave integralmente revestidas a azulejos barrocos joaninos, com orgãos e púlpitos, também joaninos e retábulos rococós. As várias fontes distribuídas ao longo do caminho do escadório, aproximam do risco de André Soares, nomeadamente de exemplares do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga (v. PT010303580024). O chafariz do pelicano, apresenta muitas semelhanças com alguma estatuária da Fonte do Pelicano, no Largo do Munícipio, em Braga (v. PT010303520106). O santuário apresenta a igreja no início do percurso ascendente do escadório, e não no fim, no culminar do mesmo, como é habitual. A igreja apresenta nave rectangular, com cruzeiro octogonal, sem formar transepto e espécie de deambolatório que contorna a capela-mor e dá acesso à sacristia, colocada em eixo. Embora sendo uma construção da segunda metade de setecentos apresenta, no seu interior, elementos estruturais e decorativos que nos remetem para fórmulas arquitectónicas anteriores, como sejam os tectos em caixotões de pedra, pintados, e as cornijas, que fazem lembrar motivos flamenguistas. A fachada principal aproxima-se, pela simplicidade que patenteia, às igrejas de transição do maneirismo para o barroco. O interior é marcado pela imponência dos azulejos figurativos, contrastando com a talha dos retábulos, púlpitos, baldaquinos, órgãos e sanefas. A abóbada da nave assenta em cornijas com ornatos de dentículos, ritmada por mísulas, com pintura de marmoreados, sobre granito. As pilastras do cruzeiro, assim como os janelões, apresentam pintura de marmoreados sobre granito. Os janelões do cruzeiro são moldurados por refinado trabalho de cantaria, com anjos e grinaldas, policromos, imitando talha. Sacristia com imponente pintura da Virgem no tecto e lavabo com morfologia pouco habitual, com reservatório destacado, encimado por espaldar com motivos de cordas, três bicas e taça assente sobre três colunas, conjugando a decoração de estrias com motivos fitomórficos. Capelas da via sacra com estruturas cenográficas, graníticas, e imagens de excelente qualidade plástica.
Santuário composto por igreja a partir da qual parte escadório, com dois patamares, seguindo em ziguezague até ao alto de um monte. IGREJA de planta longitudinal composta por nave única, rectangular, com torres quadrangulares a flanquear a fachada principal, cruzeiro octogonal, capela-mor, deambulatório e sacristia rectangular, tudo em eixo. Volumes articulados e escalonados, de dominante horizontal, quebrados pelo verticalismo das torres sineiras. Coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e oito águas e em coruchéu coroado por catavento e cruz, nas torres sineiras. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com corpos delimitados por cunhais apilastrados e pilastras toscanas, assentes em possantes bases, ambos coroadas por pináculos, cruzes sobre acrotério no remate das empenas da nave e capela-mor, estreito embasamento de cantaria e remate em entablamento sob beiral. Fachada principal orinetada, rematada por frontão triangular, com cartela com decoração fitomórfica, no tímpano, sobrepujado por cruz episcopal sobre acrotério. Portal principal, enquadrado por pilastras molduradas toscanas, rematado por entablamento e frontão de volutas, interrompido por pinha, encimado por edícula com imagem pétrea de Nossa Senhora de Porto de Ave, com aletas, enquadrada por pilastras toscanas molduradas e rematada por frontão curvo, interrompido por motivo fitomórfico. A edícula é enquadrada por duas janelas rectangulares rematadas por frontão interrompido por pinha. Torres sineiras de três registos, tendo no primeiro, janela rectangular rematada por frontão interrompido por pinha, no segundo, relógio de pedra e, no último sineira em arco pleno, com remate em entablamento, com gárgulas de canhão, encimado por balaustrada, com urnas nos ângulos. Fachadas laterais semelhantes, rasgadas, na nave, por porta e janelões rectangulares em capialço, no cruzeiro, marcado por entablamento que separa os dois registos, com janelas recortadas, e porta de verga recta, tendo a da fachada N., inscrição. O cruzeiro é coroado por lanternim oitavado, alternando estreitas janelas em arco abatido, maineladas e pilastras, com cúpula rematada por esfera e fogaréu. O corpo do deambulatório, possui dois registos separados por friso, rasgado por porta de verga recta e dois módulos constituídos por janela jacente, recortada, encimada por janelão. A sacristia é rasgada por duas janelas rectangulares. Fachada posterior, com pano sacristia cego. INTERIOR com paredes da nave integramente revestidas a azulejos figurativos, monócromos a azul, alusivos à vida da Virgem, percorridas por silhar de albarradas. Cobertura em abóbada de berço de caixotões, com pintura policroma, com cartelas decoradas com símbolos alusivos à Virgem e inscrições. A cobertura assenta em entablamento de pedra, decorado com motivos de dentículos, alternando com pequenas mísulas pintadas com marmoreados. Pavimento em lajes de granito. Coro-alto sobre arco abatido, assente em cornija com modilhões, decorado no intradorso por caixotões de pedra policromos a amarelo, azul e branco. Possui guarda em balaustrada de talha policroma a vermelho, branco e dourado, com motivo destacado ao centro, com anjo músico. O coro prolonga-se lateralmente, formando o coreto dos órgãos, suportados por mísulas de talha com atlantes. Sub-coro com pias de água benta a dadear o portal e duas portas confrontantes, de acesso às torres sineiras. A nave é iluminada por quatro janelões confrontantes, possuindo dois púlpitos de base rectangular sobre modilhão de granito, pintadas de branco e dourado, com guarda plena de talha monócroma a branco, com decoração marcada a dourado, e dossel também de talha, com sanefa, coroado por conjunto escultórico, representando, no lado da Epístola, a Fé, Esperança e Caridade, e no lado do Evangelho, a Justiça, Temperança e Prudência. Na nave existe ainda duas capelas laterais retabulares, com retábulos de talha policroma com marmoreados a rosa, verde, pontuada a dourado. São da invocação de Santo António, do Evangelho, e Santa Ana, do lado da Epístola. Arco cruzeiro pleno, sobre pilastras dóricas, com as armas do Arcebispo D. José de Bragança, no fecho. Cruzeiro coberto por cúpula oitavada, assente em cornija que coroa tambor ritmado por pilastras e janelas de moldura recortada. Remate em lanternim iluminado por vãos rectangulares. Pavimento em lajes de granito. Paredes ritmadas por pilastras coríntias, molduradas, com pintura policroma de marmoreados, rasgadas por quatro conjuntos de porta e janela, de moldura recortada, decorados por anjos, florões e conchas, com também pintura polícroma de marmoreados, pontuada a dourado. Possui duas capelas retabulares, com retábulos de talha dourada, da invocação do Imaculado Coração de Maria e do Sagrado Coração de Jesus, respectivamente no lado da Epístola e do Evangelho. Capela-mor sobrelevada por dois degraus, coberta por abóbada de berço, com caixotões pintados em marmoreado, azul, vermelho e dourado, sobre possante cornija de pedra. Pavimento em lajes de granito. Paredes laterais enquadradas por por pilastras coríntias, com duas pinturas representando Santo Ambrósio e Santo Agostinho e duas portas para o deambulatório. Parede testeira inteiramente preenchida pelo retábulo-mor, em talha dourada, de planta côncava, de um só eixo, rematado por espaldar curvo, com decoração de concheados e anjos. Tribuna em arco pleno, com trono, enquadrada por colunas coríntias com decoração espiralada de grinaldas. Sobre a banqueta, a encimar o pequeno sacrário ergue-se grande maquineta com imagem do orago. Altar recto, ladeado por composição de grandes concheados. Sacristia com tecto de madeira pintado, com representação da Ascensão da Virgem. Pavimento em lajes de granito. Possui arcaz de castanho, encimado por nicho em arco pleno com imagem do orago. Lavabo de pedra, com depósido de água polilobado, destacado, ritmando por três bicas carrancas, encimado por espaldar recortado, moldurado por corda, com decoração fitomórfica e de cordas. Taça polilibada, gomada, assente em três colunas geminadas, com estrias e decoração fitomórfica. Por cima da sacristia, existe uma sala de ex-votos, com acesso por escadaria de madeira. ESCADÓRIO com guardas de escadarias rebocadas e pintadas de branco, capeadas a granito, enquadradas por pilastras coroadas por urnas. Percurso iniciado no adro da igreja, de onde se erguem duas grandes escadarias convergentes, que terminam num grande patamar debaixo do qual está uma pequena capela, com portal em arco pleno, gradeado, albergando a imagem da padroeira *1. O patamar superior dá acesso a uma rua e esta a outro patamar de onde se elevam, para os lados, em sentido divergente, outras duas escadarias entre os quais está um jardim com chafariz, tanque octogonal, de onde se eleva ao centro, putto com pelicano, sobre esfera. Segue-se um grande terreiro, ladeado por dois edifícios de romeiros, de planta rectangular. Os edifícios são rebocados e pintados de branco, com fenestração regular de janelas de verga recta, em guilhotina, e remate em beiral. Possuem, no cunhal, virado à igreja, duas grandes pedras de armas do Arcebispo D. José de Bragança. O edifício a O. apresenta, na fachada virada ao escadório, varanda corrida alpendrada, assente em arcaria plena, com balaustrada intercalada por colunelos. O escadório continua por duas escadarias divergentes, guarnecida por urnas, pináculos e estátuas, representando David, Santana, a Virgem, o anjo Gabriel, São Zacarias e São Simeão. Ao centro encontra-se a capela designada por Baldaquino de Nossa Senhora de Porto de Ave, enquadrada por cunhais coroados por pináculos, com grande vão envidraçado, com sacada, virado à igreja e remate em frontão. A ladear o chamado baldaquino, encontram-se as duas primeiras capelas, hexagonais, com paredes rebocadas e pintados de branco, com panos enquadrados por cunhais apilastrados toscanos, remadadas por entablamento sob beiral e cobertura em coruchéu pétreo. Face principal aberta por portal em arco pleno, encimada por cartela com inscrição bíblica. Restantes panos rasgados por frestas. Interior com estruturas cenográficas e imagens, representando cenas da vida de Cristo. Seguem-se arruamentos em ziguezague, pontuados por capelas idênticas, até ao cimo do monte. INTERIOR das capelas com conjunto escultório em tamanho natural, possuindo a primeira capela a Anunciação, a segunda a Visitação, a terceira a Natividade, a quarta a Circuncisão, a quinta a Adoração dos Reis Magos, na sexta, a Apresentação de Jesus no Templo, a sétima a Fuga para o Egipto, e na oitava a Disputa de Jesus com os Doutores da Lei.
Materiais
Estrutura da igreja, escadório, capelas e edifícios dos romeiros, elementos decorativos, cunhais, coruchéus das torres e capelas, molduras dos vãos, pedras de armas dos edifícios dos romeiros, chafarizes, abóbadas, pavimentos interiores, pias de água benta, pilastras, bases dos púlpitos, arcos do cruzeiro e lavabo da sacristia em granito; nave revestida a azulejos tradicionais; portas, janelas, balaustrada do coro-alto, órgãos, retábulos, guardas e baldaquinos dos púlpitos, sanefas, arcaz, armários embutidos e tecto da sacristia em madeira; portão do cruzeiro, grades das janelas e catavento em ferro; cobertura exterior da igreja e capela do baldaquino em telha de canudo.
Observações
*1 - Diz a lenda que este nicho constituiu o primeiro oratório dedicado a Nossa Senhora dos Milagres; *2 - A romaria é conhecida pela Romaria dos Bifes e dos Melões, devido aos famosos bifes de carne barrosã, com melão de casca de carvalho, que são servidos naquele lugar.