Vila de fundação de ordem religiosa militar com fortaleza situada em costa marítima. Antiga vila medieval da orla costeira algarvia, implantada sobre estruturas romanas e islâmicas, defendida por fortaleza quinhentista com a frente marítima abaluartada. Perímetro urbano quase circular, delimitando um conjunto edificado pouco denso, organizado em redor da praça, espaço quase centralizado onde se conjugam os vários equipamentos urbanos tradicionais: a igreja, a casa da Câmara, a casa da Misericórdia e a fortaleza. Adaptação do casario e dos eixos viários à topografia. Conjunto composto por casas térreas com açoteia ou telhado de duas águas, onde se destaca a chaminé de base quadrangular e secção piramidal. Apresentam planta rectangular, com pequenos pátios fronteiros às casas, com árvores de fruto e floreiras. Sede concelhia medieval. Conjunto de reduzidas dimensões, contando escassos quarteirões, onde a malha urbana não chega a ganhar consistência, apesar da centralidade da praça. Inexistência de toponímia e de números de polícia. Continuidade da ocupação do lugar desde a Época Pré-clássica. Notável conjugação entre o valor arquitectónico, urbano, paisagístico, adquirindo o espaço e território envolventes papel fundamental na singularidade de Cacela Velha. Este conjunto, de grande valor histórico, conjuga harmoniosamente o património edificado e a sua localização privilegiada na área de protecção do Parque Natural da Ria Formosa. O cemitério antigo possui uma capela-altar com algum interesse e um ossário particularmente raro.
Conjunto de reduzidas dimensões, preservando a estrutura medieval e quinhentista. Com um perímetro aproximadamente circular, é delimitado a S. por muralha de alvenaria e pela Fortaleza, a E. por muralha de taipa e a O. pelo cemitério da freguesia. O espaço edificado estrutura-se em redor da praça principal, onde existiu o pelourinho e onde agora se situa uma cisterna. Esta praça apresenta duas plataformas distintas, separadas por um murete. A inferior, localizada em frente da entrada principal da Fortaleza, é marcada pela presença recente de cinco palmeiras das Canárias de grande porte, que constituem um obstáculo visual na percepção do conjunto e da sua relação com a Ria Formosa. A plataforma mais alta integra a antiga cisterna sobreelevada, assente em estruturas habitacionais datáveis do séc. 14. Este espaço único é marcado pela coexistência de um conjunto de edifícios significativos: a Fortaleza dos Cavaleiros de Santiago de Cacela, quinhentista e parcialmente abaluartada, a Igreja Matriz (v. PT050816010008) de raiz medieval mas reedificada no séc. 16, a Casa da Misericórdia, adossada à igreja, o cemitério antigo e a Casa do Pároco (construção robusta em taipa, assente sobre fundações de alvenaria, suportada por contrafortes e sobreelevada em relação à cota da rua). A antiga Casa da Câmara, outrora localizada neste espaço, encontra-se actualmente adossada a casas de construção mais recente, tendo surgido posteriormente uma banda de casas com pátio, entre esta e a Fortaleza. É uma edificação de pequenas dimensões, apenas com uma porta, ladeada por cantaria em pedra calcária. As restantes habitações, cerca de vinte, são de construção mais recente (séculos 19 e 20) e dispõem-se em banda ao longo dos acessos principal e secundários, que se orientam segundo a topografia, com as necessárias adaptações, através de escadas públicas e de acesso às casas. O conjunto edificado é maioritariamente composto por casas térreas, muitas com açoteia, cujos elementos de composição das fachadas se inserem na arquitectura vernácula da região algarvia (platibandas decoradas, chaminés, lágrimas nos remates laterais, vãos com molduras decorativas em argamassa caiada a ocre e/ou a azul). De realçar, à entrada da aldeia, a única casa de dois pisos não adulterada, com duplo beirado e acesso lateral por escadaria. A transição entre espaço edificado e não edificado é conformado a N. pela existência de logradouros murados, onde predominam as árvores de fruto (laranjeiras, pessegueiros e limoeiros). Os pavimentos são maioritariamente em calçada à portuguesa, pontualmente em terra batida. O acesso à ria faz-se a SO. por uma escadaria em paralelepípedos de calcário, parcialmente encoberta por canaviais e, a NE., por um caminho em terra batida.
Materiais
Não aplicável
Observações
*1 Classificado pelo Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa como zona de uso extensivo e limitado de recursos naturais (artºs 8º e 9º do DR nº 2/91 de 24 de Janeiro). O trabalho sobre Cacela do Arq. Cabeça Padrão tem a designação de "Prospecção, preservação e recuperação de elementos urbanísticos e arquitectónicos notáveis, em áreas urbanas e marginais viárias, na Região do Algarve, Fase I, preventiva e de execução prioritária, Cacela" Na zona envolvente, destaca-se a aldeia de Santa Rita, que marca a fronteira deste território com as terras do barrocal: povoação antiga, compõe-se de um pequeno casario em torno de uma ermida setecentista; nas suas proximidades existem as ruínas de uma barragem romana, indiciando o povoamento neste período até à orla montanhosa. Existência de várias associações culturais e de defesa do património: ADRIP, Associação de Defesa, Reabilitação, Investigação e Promoção do Património Natural e Cultural de Cacela; ADIFAB, Associação para Defesa e Investigação do Sítio de Cacela; Associação Cultural Amigos de Cacela. A gastronomia tradicional constitui um importante factor de atracção turística. Em 1998, a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e o Parque Natural da Ria Formosa, em colaboração com a Comissão de Coordenação da Região do Algarve, redigiram o documento "Plano de Intervenção de Cacela. Estudo Prévio". Também em 1998, a CMVRSA e o PNRF procederam ao levantamento da arquitectura tradicional, reconhecimento geotécnico e estrutural, levantamentos topográficos e fotogrametria das muralhas antigas.