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Castelo e Cerca Urbana de Braga

Castelo e Cerca Urbana de Braga

O ponto de interesse Castelo e Cerca Urbana de Braga encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto) no municipio de Braga e no distrito de Braga.

Arquitetura militar, gótica e barroca. Castelo construído no reinado de D. Dinis, com planta aproximadamente retangular, integrando torres nos ângulos e possuindo a torre de menagem no interior do pátio, e cerca urbana com planta de contorno sub-circular, centrada na Sé. Do castelo demolido subsiste apenas a torre de menagem, de planta quadrangular, paredes aprumadas terminadas em parapeito de ameias, possuindo de ângulo balcões com mata-cães, sobre mísulas escalonadas, acesso sobrelevado por porta de arco apontado, e rasgadas por seteiras, no segundo e terceiro piso, e janelas em arco apontado, no último, algumas geminadas. A cerca urbana possuía cinco torres, das quais restam apenas duas, a torre de Santiago e a de São Sebastião, e oito portas, das quais restam duas, a de Santiago e a Porta Nova. A torre de Santiago tem planta quadrangular, fachadas laterais e a posterior em aparelho pseudo-isódomo, com portas em arco apontado, seteiras e janelas retangulares de aresta biselada, de características góticas, quebrada pela decoração barroca da fachada principal, ornamentada por pináculos e volutas no remate. A torre, aproveitada para torre sineira do antigo Colégio da Companhia de Jesus, e parte da muralha, foram integrados no edifício do Colégio, e na fachada principal adossou-se oratório rococó, em cantaria e planta côncava, rematado em arco contracurvo, coroadas por fogaréus e cruz, com vão de acesso enquadrado por grandes volutas dispostas diagonalmente, sobreposto por retábulo resguardado por grande portadas envidraçadas. No remate do oratório é visível a decoração em placas que André Soares utilizou noutras obras de Braga, nomeadamente na Igreja dos Congregados (v. IPA.00001149), e na Câmara Municipal (v. IPA.00009084), e os elementos decorativos do oratório, apresentam igualmente semelhanças com os usados por André Soares, no Santuário da Falperra (v. IPA.00017213). A Porta Nova, primitivamente construída com as muralhas, foi reedificada no séc. 16 e reformada no séc. 18, de que resultou a configuração atual, com arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras e remate em frontão interrompido, com composição decorativa diferente em cada uma das faces, de linguagem tardo-barroca, e encimada pelas estátuas de Braga e de Nossa Senhora da Nazaré. Segundo, Robert Smith, este arco possui "elementos de todas as faces da obra de André Soares".

Do antigo castelo apenas subsiste apenas a TORRE DE MENAGEM, de planta quadrangular, volumetria verticalizante e cobertura em telhado de quatro águas. Apresenta fachadas aprumadas, em alvenaria de granito, de pedra seca e aparelho isódomo, assentes em alto soco, ligeiramente escalonado, junto ao solo, e terminadas em parapeito de ameias com chanfro, rasgadas, a ritmo alternado, por seteiras. Nos cunhais possui balcões, assentes em mísulas escalonadas, com mata-cães e terminados em parapeito de ameias; perto dos balcões tem ainda gárgulas de canhão. Possui quatro pisos, com cerca de 30 m, sendo o primeiro a uma altura considerável, devido ao soco maciço de 12 m. Neste soco encontram-se rasgados sulcos onde encaixavam empenas de outras construções e algumas pedras com inscrições. O primeiro piso é rasgado, na fachada NE., por portal em arco apontado, com acesso por escadaria de dois lanços, com patamar intermédio e guarda plena, disposta a envolver o cunhal. O portal é encimado por pedra de armas do rei D. Dinis. O segundo e terceiro piso são rasgados por seteiras, na fachada SE. e o último piso por janelas em arco apontado, em cada uma das fachadas, sendo as das fachadas SE. e NE. geminadas. INTERIOR de espaço único em cada piso, interligados por escadas de madeira, com pavimentos em soalho e tetos de madeira com o travejamento à vista. O ARCO DA PORTA NOVA OU ARCO DA RUA DO SOUTO é de volta perfeita e tem uma composição decorativa diferente em cada uma das faces. A face virada a O., possui o arco enquadrado por quatro pilastras, coroadas por plintos paralelepipédicos e pináculos piramidais, que suportam frontão curvo interrompido, decorado ao centro, com o brasão do Arcebispo D. Gaspar de Bragança, e sobre este, a imagem alegórica de Braga. A face virada a E., tem o arco enquadrado por duas pilastras coroadas por plintos paralelepipédicos e vasos, que sustentam frontão interrompido, tendo ao centro nicho contracurvo sobre mísula, de perfil curvo e guarda em ferro, albergando imagem de Nossa Senhora da Nazaré. TORRE DE SANTIAGO E TROÇO DAS ANTIGAS MURALHAS: Planta composta por torre quadrangular, com oratório também quadrangular adossado à fachada principal, flanqueada por dois corpos rectangulares que se estendem para E. e O., para um e outro lado do oratório. Volumetria verticalizante na torre e horizontal nos restantes corpos. Coberturas em telhados de três águas na torre e duas águas nos corpos retangulares que a ladeiam. A torre tem fachadas de cinco registos, sendo a principal rebocada e pintada de branco e as laterais e posterior em cantaria de aparelho pseudo-isódomo. Fachada principal virada a N., terminada em cornija encimada por sineira de quatro ventanas, em arco de volta perfeita, integrada em platibanda, com pináculos nos extremos e remate em frontão interrompido de volutas, ladeado por pináculos, com catavento sobre base prismática moldurada, ao centro. No penúltimo registo possui relógio de pedra, inscrito em cartela quadrangular, decorada com querubins nos quatro ângulos, ladeado por duas janelas retangulares. As restantes fachadas rematam em beirada. A fachada lateral O. possui no primeiro registo, porta entaipada, sobrelevada, em arco apontado com intradorso biselado. O terceiro registo é rasgado por seteiras nas fachadas E., S. e O. e o último por três janelas retangulares, com arestas biseladas, em cada uma das mesmas fachadas. Adossado à fachada principal da torre, surge o oratório, em cantaria, com dois registos, rematado por cornija recortada com cruz sobre acrotério e urnas nos extremos. O primeiro registo é rasgado por amplo vão, em arco de volta perfeita, ladeado por duas grandes volutas dispostas diagonalmente nos cunhais, ornamentadas com fitas e concheados, onde assenta entablamento que suporta o oratório propriamente dito, com varandim de ferro. Este é definido por arco contracurvo, e por pilastras coríntias nos cunhais, encimadas por gárgulas de canhão. É fechado por portas envidraçadas, que protegem o retábulo de talha policroma com a imagem de Nossa Senhora da Torre, no seu interior. Ligado à torre, para E., desenvolve-se troço de muralha, rebocado e pintado de branco, possuindo na fachada virada a S., grande vão de verga reta, que faz a comunicação entre os dois largos, com cartela no lintel com inscrição encimado por janela retangular. Na fachada voltada a N., o vão de comunicação entre os largos assume a forma de arco abatido. Contém no interior corredor de passagem que liga a torre e o antigo Colégio, actualmente entaipado. Adossado para O., existe corpo com fachadas rebocadas e pintadas de branco, de três registos, apresentado na fachada voltada a N., no primeiro registo porta de verga reta e pequeno vão jacente e nos registos superiores três janelas retilíneas. INTERIOR dividido em salas, com escadas de madeira de comunicação entre os pisos. O acesso à torre faz-se para o primeiro piso, a N., através de portal de arco apontado a que se acede pelo oratório, e para o segundo através do corpo O.. No segundo piso da torre existe um corredor com arranque num arco de volta perfeita que conduz a um passadiço existente sobre o vão de passagem que comunica com o antigo Colégio, actualmente entaipado. No quarto piso salienta-se um grande arco de volta perfeita que suporta a platibanda que remata a N. a torre e no último piso uma divisória que separa a sineira do resto do compartimento acedendo-se àquela por duas portas de verga reta. Vestíbulo do primeiro piso do oratório com cobertura em abóbada de aresta, com o tijolo de burro à vista.

Materiais

Estrutura em granito; cornijas, molduras dos vãos e elementos decorativos em granito; portas, janelas pavimentos, escadas interiores, corrimão, forro interior e tetos em madeira; retábulo de talha; porta do oratório e grades das seteiras em ferro; cobertura em telha de aba e canudo.

Observações

O perímetro da antiga fortificação de Braga não excedia os 2000 m e hoje é delimitado a O. pela Praça da República e a E. pela Rua do Castelo (torre de menagem e castelo), Rua de São Marcos, Rua do Anjo, Largo de Santiago, Rua do Alcaide, Largo de Paulo Orósio, Rua de Jerónimo Pimentel, Campo das Carvalheiras, Avenida de São Miguel o Anjo, Largo da Porta Nova, Rua dos Biscainhos, Praça do Conselheiro Torres e Almeida, Rua dos Capelistas (cerca urbana). As demolições da cerca começaram em 1858 no atual Largo do Barão de S. Martinho, com a eliminação da Porta do Souto à qual se seguiram as portas Oriental e de São Bento, ainda durante o século 19. A partir do início do século 20, muitos outros troços foram destruídos entre o Arco da Porta Nova e a Rua dos Biscainhos, e desta rua até à do Alcaide, cujas casas se encostam todas à muralha, entre o Campo da Vinha e a Praça do Município e na Rua de São Marcos. Poucos troços da muralha medieval restam hoje. O muro pode ainda observar-se nos quintais de algumas casas da Rua do Anjo e por detrás da Rua de São Marcos. Mais acima, em pleno interior da arcada pode encontrar-se um outro troço que passa pelo interior do banco cujo projeto teve em conta a sua preservação. Subsiste uma das torres da Porta de São Tiago, ainda que parcialmente alterada pela construção, na 2ª metade do séc. 18, da Capela da Senhora da Torre. Na Rua de São Marcos, em 1985, um particular construiu por cima dos alicerces de um pedaço de muralha e na Rua do Alcaide, deu-se a mais recente derrocada, em março de 1990, quando da demolição das antigas instalações de fábrica de confecções Facho. O Arco da Porta Nova deu origem a várias expressões que marcam a cidade de Braga, como: "És de Braga, não fechas as portas", "Vai abaixo de Braga". Os recentes trabalhos de adaptação do logradouro E. do Colégio de São Paulo a estacionamento automóvel libertaram um grande troço da muralha que ficou visível, a partir do parque, protegido por parede envidraçada.