Quinta de Recreio com Jardim barroco com estátuas, jardim moderno anos 30.
Amplo terreiro, limitado por um lado pelos edifícios baixos do assento de lavoura e do outro, por muro simples caiado onde se encontra portão de entrada na quinta. Este, brasonado e com arco de pedra, abre-se para grande pátio empedrado com fonte de quatro bicas no centro. No pátio seguinte encontra-se fonte de mármore que lhe confere frescura e elegância. Só depois deste percurso se chega a outro portão, este de ferro forjado. Do lado direito encontra-se muro coberto de hera que define a entrada no primeiro jardim; em frente, o segundo, surge a cota inferior depois de tanque rectangular, fundo e de pedra, de grande qualidade, com fonte no mesmo material e estatuária imponente para a região, enquadrada por duas palmeiras centenárias, e seguindo o eixo da fachada da casa principal. Este jardim é formal de pequenas sebes de buxo em topiária que desenham canteiros coloridos por amores-perfeitos, roseiras e outras herbáceas anuais. Estrategicamente colocadas segundo os eixos do jardim, estão colocadas seis estátuas barrocas, sobre pedestais em alvenaria pintada a branco sobre ocre, cores tradicionais na região. Estas representam figuras mitológicas como Astreia, filha de Júpiter, ou o gigante Astreu. Pérgola de boganvílias e glicínias ladeia o jardim. Onde esta culmina, começa o parque. A riqueza em água na propriedade manifesta-se pela quantidade e variedade de elementos construídos, como tanques, caleiras que estruturam e ainda alimentam pomar de citrinos, poço, lagos, nora e fontes. Também a vegetação manifesta esta abundância pela cor e frondosidade, razão pela qual se mantém o buxo que existe desde o séc. 16. Existe fonte, já no parque*1, com quatro imponentes colunas, seguindo a linguagem da alvenaria com a mesma escolha cromática que confere unidade na quinta. Ao longo do parque identifica-se a área de produção, mata e laranjal, desenhada em talhões geométricos onde há pontuações de bancos e banquetes em alvenaria com o mesmo desenho branco sobre ocre, onde os utentes descansam sob sombras, protegendo-se do sol alentejano. Sob efeito de surpresa, porque escondida entre os altos buxos, abre-se enorme clareira, quase toda preenchida por lago redondo, centrado por estatueta em pedra híbrida de peixe e sereia. Os bancos dão àquele lugar uma identidade de espaço de estadia, com frescura particular e ambiente calmo dado pela água. A separar este lugar do talhão do laranjal existe casa de fresco em arcos, com quatro entradas, também em alvenaria caiada a branco e ocre, iluminando-se entre o arvoredo, todo ele autóctone, escuro e denso. Talhões são definidos por altos e densos buxos seculares que intercalam com latadas, e dão acesso ao final da propriedade entre muros, contrastando com a área mais recente, complexo da piscina e campos de tenis, com vista para montado e olival.
Materiais
Inerte: tijoleira, pedra mármore, alvenaria, tijolo-burro; vegetal: glicinia (Wisteria sinensis), agapantos (Agapanthus africanus), alfazema (Lavandula officinalis), ameixoeira-dos-jardins (Prunus cerasifera), buganvília (Bougainvillea spectabilis), buxo (Buxus sempervirens), cipreste (Cupressus sempervirens), couves-de-nossa-senhora (Bergenia crassifolia), crisântemos (Dendranthema x grandiflorum), escalonia (Escalonia rubra), evonio-dos-jardins (Euonymus japonicus), hera (Hedera helix), hibisco (Hibiscus rosasinensis), hortênsia (Hydrangea macrophylla), lantana (Lantana camara, Lantana aurea), laranjeiro Citrus sinensis), limoeiro (Citrus limon), loureiro (Laurus nobilis), palmeira (Phoenix canariensis), Roseira brava (Rosa canina) sardinheira (Pellargonium sp), sobreiro (Quercus suber), Videira (Vitis vinifera), Rosa galica (Rosa gallica), oliveira (Olea europea), pimenteira-bastarda (Schinus mollis), loendro (Nerum oleander), cedro-do-líbano (Cedrus libani), pinheiro-manso (Pinus pinea), aloe (Aloe vera), figueira (Ficus carica).
Observações
A fonte das quatro bicas foi a segunda a jorrar água após a conclusão do Aqueduto da Amoreira, em 1622; "D. Carlos veio à Herdade da Amoreira caçar, quando em 1874 ficava no seu palácio de Vila Viçosa" (LAMAS, 1997).