Castelo de construção medieval, com planta circular irregular, de que conserva apenas parte da sua muralha, rasgada por uma porta de arco quebrado, integrando uma torre e dois cubelos quadrangulares e a torre de menagem, também de planta quadrada, tendo no piso superior balcões circulares nos ângulos e rectangulares ao centro das fachadas, com matacões e coroados por merlões pentagonais. Troço de castelo gótico, cuja muralha, há muito sem o remate terminal, era inicialmente rasgada por duas portas, uma virada a N. e outra a SE., a única actualmente existente, de arco quebrado. A torre de menagem surge já integrada no circuito muralhado, rasgado por seteiras estreitas a abrirem para o interior, com o primeiro pavimento sobrelevado, acedido por portal de arco quebrado, e possuindo interiormente quatro pisos, um deles abobadado e o último com túneis de acesso aos balcões curvos que se dispõem nos quatro cunhais e rectilíneos no centro de três fachadas, todos com matacões, conferindo grande riqueza decorativa à torre. Na muralha integra-se ainda uma outra torre, com portal ao nível da praça de armas e ao nível do adarve, este actualmente sem função e possuindo arco de volta perfeita sobre impostas e com tímpano decorado, de feição mais antiga, e dois cubelos, de tamanho desigual com acesso pelo adarve. Da antiga barbacã que protegia o portal virado a N. restam apenas vestígios ao nível dos alicerces dos dois cubelos circulares que a reforçavam, das duas linhas de muralhas, com fossos, que o circundavam resta só um troço de uma das linhas e da fortaleza seiscentista com o sistema Vaubean nada subsiste. A cisterna existente na praça de armas é extremamente profunda e alarga no fundo, onde é coberta por abóbada. O castelo de Montalegre integra-se na segunda linha de defesa da fronteira N., das de mais fácil acesso ao país. O alcaide de Montalegre, de acordo com o primeiro Foral dado por D. Afonso III, era eleito pela população, constituindo um caso raro e original.
Troço de muralha, robusta, de aparelho "vittatum", de perfil circular irregular, em volta da antiga praça de armas, interiormente percorrida parcialmente por adarve, em algumas zonas protegido por gradeamento de ferro; interliga duas torres e dois cubelos, de planta quadrangular, de diferentes dimensões e alturas, conhecidas por torre de menagem, "furada", do "relógio" e "pequena". A SE., conserva uma das duas portas que possuía, com cerca de dois metros de largura e quatro de altura, em arco quebrado, de aduelas irregulares, assente nos pés-direitos. A torre de "menagem", a mais alta, implanta-se a N., tem as fachadas percorridas por embasamento mais saliente, rematadas por merlões pentagonais, e é coberta por telhado de telha de quatro águas, à volta do qual possui caminho de ronda exterior. As fachadas são rasgadas por seteiras estreitas, desalinhadas, e no andar superior, por quatro balcões de perfil curvo nos ângulos, e ao centro das fachadas N., S. e E. por balcões rectangulares, todos com mata-cães, assentes em mísulas alongadas e escalonadas e coroados por merlões pentagonais. Na fachada E., abre-se ao nível do primeiro piso, sobrelevado, portal de arco quebrado, de largas aduelas assente nos pés-direitos, possuindo frontalmente sacada comprida, composta de três molduras largas boleadas escalonadas, com guarda metálica, precedido por escada de ferro. INTERIOR de quatro pisos; o primeiro, correspondente ao da entrada, é amplo, possui pavimento em lajes de cantaria granítica e escadas de madeira de acesso ao piso superior; este é coberto por abóbada, tem em cada uma das paredes uma seteira e complexo sistema de escoamento das águas infiltradas, com canalizações em pedra que conduzem as águas para o exterior da torre; o terceiro piso apresenta pavimento de pedra e escada de acesso parcialmente embutida na abóbada do piso inferior; no último piso, abrem-se nas paredes, de 3 m. de espessura, corredores estreitos de acesso aos sete balcões; cobertura com travejamento de madeira aparente, tendo alçapão para aceder ao caminho de ronda. A torre "furada", mais baixa, implanta-se no lado S., acompanhando interiormente o perfil curvo da muralha, é coroada por ameias pentagonais, cobertura em telhado de quatro águas, possuindo algumas gárgulas circulares. As fachadas são rasgadas por várias seteiras estreitas descentradas; na fachada interna, rasga-se no primeiro piso, ao nível da praça de armas, portal de arco de volta perfeita, de aduelas largas assente nos pés-direitos, e no segundo piso, ao nível do adarve, mas sem comunicação com o mesmo, portal em arco de volta perfeita, sobre impostas salientes e com tímpano esculpido por cruz de Cristo. Interiormente tem marcação de três pisos, mas os soalhos estão destruídos. Os cubelos, do "relógio" e "pequena" são maciços até cerca de sete metros acima do nível do solo, a partir do qual possuem um único piso, correspondendo interiormente a espaço único, com cobertura em telhado de quatro águas, sendo acedido através do adarve, por portal de arco quebrado assente nos pés-direitos; as fachadas não possuem qualquer coroamento e o adarve tem acesso por escada de pedra desde a praça de armas. No interior da antiga praça de armas, de planta circular, junto à muralha no enfiamento da torre do relógio, abre-se no afloramento rochoso uma cisterna, de planta quadrangular, com vinte e cinco metros de profundidade, protegida por gradeamento de ferro, e com acesso através de uma escada que se desenvolve no seu perímetro. Sensivelmente a NO. e num plano inferior do morro, subsistem vestígios a nível de alicerces de dois cubelos, de planta circular, possuindo a meio vão de antiga porta, que integravam a antiga barbacã, a qual se ligava à torre de menagem e à muralha, e se disponda fronteira à porta aberta a N.; cada um destes cubelos conserva seteiras cruciformes conjugadas com buraco. Das duas linhas de muralhas que circundavam o castelo, conserva-se apenas parte de uma delas, visível entre N. e S. devido ao pendor do terreno, e os fossos encontram-se actualmente entulhados.
Materiais
Estrutura em cantaria de granito; pavimentos em lajes e soalho de madeira; guardas em ferro; portas de madeira; coberturas em telha de barro sobre travejamento de madeira.
Observações
*1 - Em 1758, a vila encontrava-se murada, mas com muros de "pouca consideração", não tendo na parte fronteira ao castelo muros alguns, mas tendo, à distância de um tiro de mosquete, a fortaleza da vila, cujos muros tinham em circuito 730 passos. Era das fortalezas mais bem seguras e quase inexpugnável devido à sua implantação, num cabeço de um monte. Tinha fossos ao redor dos muros e contra muralha e esplanada, que era tão íngreme que de nenhuma parte se podia subir a pique. Frente à porta principal, do lado O., tinha um revelim que encobria também a maior parte da estrada que vinha para a vila, e tinha à volta fossos. Contra a muralha e por cima desta, tal como na outra que também rodeava os muros, existiam grossas e altas estacas em duas ordens que fechavam esta estacada nas pontas do muro da vila, impedindo assim a entrada na fortaleza e nas portas dos muros. Tinha três portas, rasgadas a N., a O. e outra a E., havendo ainda entre as duas últimas um postigo. A "fortaleza" constava de um alto e magnifico "castelo", ou seja a torre de menagem, toda de cantaria, de paredes grossas e betumadas, com quatro andares, sendo o primeiro de pedra, o terceiro de abóbada e o segundo e quarto de madeira, estando então estes tão arruinados que não se utilizavam e só serviam de abrigo a algumas aves nocturnas e de rapina. Segundo o Padre Baltazar Pereira Barroso, a torre não resistiu a um raio, que lhe derrubou o cunhal N. até ao sítio onde estava a guarita daquele lado; em cada um dos outros cunhais tinha sua guarita, como também em cada um dos lados. Tinha três torres, a mais pequena era a da pólvora e estava sem qualquer deterioração, as outras duas tinham os sobrados totalmente arruinados, tal como os telhados e a estacaria dos muros e contra muralha. Cingiam as torres um alto e grosso muro tendo de circuito 130 passos. No terreiro do castelo - a praça de armas -, erguiam-se as casas do Governador, para E. outras casas arruinadas, alguns fornos de cozer pão e um grande "poço", - a cisterna -, quadrada, feita de cantaria com escadas até ao fundo da mesma, tendo de profundidade 190 palmos até à água e desta para baixo talvez outro tanto; possuía um arco de "abobeda" não visível do cimo, que alarga o poço a E., feito a pedra "rota a fogo". Do terreiro, a N., partia uma escada de pedra, exteriores ao muro, e que acedia a um caminho amplo no cimo do muro - o adarve - , tendo a toda à volta guardas que davam pelo peito e todas com ameias, e conduzia a cada uma das portas das torres; para a de menagem descia-se por escada firmada no muro a Noroeste, tendo alguns degraus arruinados pela queda de pedras da parte E. da torre devido a um raio que a atingiu. Do lado das casas do Governador e no muro que cinge as torres havia vestígios de uma outra escada para o adarve. Para nascente este muro tinha um postigo, por onde se saia para o terreiro da fortaleza e para Nordeste e ao pé da torre de menagem ficava a porta principal por onde se entra nas casas do Governador e praça de armas onde elas se implantavam. Fora desta porta entre duas meias laranjas bem formadas e seguras tendo inferiormente "esconderijos com seus orifícios para se pelejar", as seteiras. A poucos passos estava outro muro que "atava" o da fortaleza por cima do corpo da guarda, que tinha duas portas, uma a N. e outra a O.. Tinha excelente Corpo da Guarda e bons quartéis para os soldados, casas para os oficiais e sargento, a deste achava-se dentro do Corpo da Guarda, e boas cavalariças. O Padre Baltazar Pereira Barroso conclui as suas Memórias dizendo que a planta da vila e castelo era quase quadrada, sendo porém mais cumprida para N..