Portal de Cidadania

Teatro Académico Gil Vicente

Teatro Académico Gil Vicente

O ponto de interesse Teatro Académico Gil Vicente encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Coimbra (Sé Nova no municipio de Coimbra e no distrito de Coimbra.

Teatro modernista, de planta em leque, adicionada por corpos adossados ou em consola, onde se concentram espaços técnicos e espaços de apoio à cena, e edifício adossado, de planta rectangular longitudinal, com dois pisos, destinado a Salas de Ensaio bem iluminadas. Na concepção arquitectónica retoma as propostas do Movimento Moderno, no contexto gerado após a II Guerra Mundial, adoptando a linha racionalista: coberturas planas e em abóbada, volumes de arestas vincadas, planos verticais combinados com planos oblíquos ou de ligeira inclinação, superfícies envidraçadas, fenestrações horizontais e contínuas, palas sombreadoras, no caso assente em pilotis. Na planta do teatro retomam-se também modelos europeus já experimentados. O Teatro Gil Vicente insere-se no grupo de auditórios de planta em leque, de cena contraposta, com uma sala entre 500 a 1000 lugares, distribuídos por plateia e um balcão, e tendo um palco de configuração quadrangular, com pendente, dotado de proscénio, " avant-scéne " e subpalco. Dispõe de fosso de orquestra e de cabina de projecção. O auditório permite a realização de espectáculos de teatro, dança, música e cinema. Reveste-se de particular interesse pela qualidade e novidade do espaço arquitectónico teatral que inaugura e pela forma como se articula com o conjunto dos edifícios, em especial na relação estabelecida com o jardim criado no interior do quarteirão. Salienta-se também pelo papel social, cultural e simbólico que desde a sua criação vem desempenhando, tanto na comunidade académica como na própria cidade. Constitui das poucas salas equipadas com sistema de projecção de 70 mm a funcionar. Integra um conjunto de edifícios projectados em conjunto e destinados aos estudantes, construído fora do perímetro da Cidade Universitária da Alta. Se inicia, portanto, nos anos 50 um movimento irreversível face à evolução da população escolar e à carência de novas instalações, marca também a adesão a novas propostas estéticas bem diferentes do monumentalismo e da densidade construtiva adoptada na década de 40 para as obras da Cidade Universitária de Coimbra.

Apesar de projectados em conjunto e com funções complementares, o Teatro e a Sala de Ensaios constituem dois edifícios distintos. O primeiro caracteriza-se sobretudo pela planta em leque, que evolui em três pisos e se desenvolve no sentido E.-O.; o segundo, de planta rectangular, estreita e longa, desenvolve-se em dois pisos no sentido S.-N., é de cércea inferior, aproveita o desnível do terreno e volta-se para o interior. TEATRO - Planta composta, resultante da adição de vários corpos. À planta em leque, correspondente ao auditório e palco, juntam-se os volumes em consola na fachada principal e posterior, relativos, respectivamente, ao foyer do primeiro piso e à única varanda de fundo da caixa de palco. Ao longo da fachada N. adossa-se o corpo dos camarins, salas de trabalho e gabinetes da administração, de planta trapezoidal, com cave e dois pisos. E a S. encontra-se o corpo das escadas de acesso do palco à primeira varanda, de planta circular e em betão aparente. As coberturas são planas, revestidas a gravilha, e escalonadas. A volumetria compacta, denunciada pelas extensas fachadas de panos cegos e pelo paralelepípedo da caixa de palco, a elevar-se 6 m acima da cobertura do auditório, sem qualquer vão e apenas rebocado e pintado, é atenuada por elementos de composição com intenção dinâmica. Neste sentido saliente-se o desdobramento em noves panos para cada fachada lateral, ritmados pelos pilares, e com uma aplicação ligeiramente ascendente do revestimento em pedra, que acompanha o plano inclinado da cobertura da sala. Pelo contraste, sobressai a transparência da fachada principal: com superfície reduzida de paramentos revestidos a pedra, apresenta entrada centralizada, definida por amplo vão horizontal fechado por portas de vidro. A entrada, antes reentrante e tendo em cada topo as bilheteiras com atendimento para o exterior, perdeu esta característica, uma vez que foi fechada (duplamente) no plano da fachada, respeitando-se o mesmo número de portas de vidro. Na frontaria do edifício destaca-se, a todo o seu comprimento e ao nível do primeiro piso, o volume saliente, de faces rebocadas e pintadas, com o plano inferior oblíquo e vão integralmente envidraçado. Da cobertura deste corpo em consola nasce um terraço, com acesso pelo segundo piso, protegido por guardas transparentes suportadas por estrutura metálica. O corpo dos camarins, do lado N., apresenta um pano rebocado e pintado, com estreitos vãos rasgados nos limites inferior e superior, sendo rematado, na ponta O., por pano cego de pedra. Sobre a sua cobertura levantou-se, em data mais recente, um terceiro piso de vãos também envidraçados. INTERIOR - Racionalidade na distribuição dos espaços funcionais, bem identificados na composição do edifício. Os espaços para o público, incluindo espaços de estar, espaços de apoio e espaço do auditório, concentram-se no grande volume de planta em leque. Surgem enquadrados a E., na zona mais larga, pelos foyers, terraço, instalações sanitárias e cabina de projecção, com as respectivas circulações verticais estabelecidas entre os três pisos, e a O., na parte mais estreita, pela caixa de palco, aqui se situando os espaços técnicos (com excepção da cabina de projecção); os espaços de apoio à cena localizam-se no corpo adossado à fachada lateral N.. Espaços de estar e apoio - Foyer térreo, de planta rectangular, paredes revestidas a azulejo esverdeado, pavimento de madeira escura e tecto de gesso cartonado pintado de branco e pontuado por luzes: com acesso exterior através de duas sequências paralelas de portas de vidro - sendo no corredor definido por estes vãos transparentes onde se situam, uma de cada lado, as bilheteiras - tem na parede fronteira quatro portas de madeira clara, de dois batentes, de entrada para a plateia e, no topo N., outro vão semelhante de acesso ao palco e ao corpo dos camarins e administração. De cada lado do foyer térreo arranca um lanço de escadas para o foyer do primeiro piso, cafetaria, instalações sanitárias e balcão. Repete-se a mesma solução de comunicação vertical para aceder ao segundo piso. Foyer do primeiro piso - também de planta rectangular, mas com o dobro da área, com vão para o exterior integralmente envidraçado, ao longo do qual corre um balcão de bar equipado com mobiliário translúcido colorido sobre pavimento de madeira e tecto pintado a branco com pontos de luz e candeeiros suspensos. Espaço do AUDITÓRIO - espaço independente, ligado ao palco pela boca de cena, de planta em leque, e contando com uma lotação de 773 lugares distribuídos por plateia (445) e balcão (328). Plateia com pendente, de coxias longitudinais laterais e a terços, e transversais de fundo e de boca, equipada de cadeiras fixas, em madeira, forradas de tecido azul claro; pavimento de alcatifa azul e paredes revestidas a madeira, sendo as laterais em painéis e as de fundo e junto à boca de cena em réguas estreitas verticais; tecto de gesso cartonado branco, em três níveis, com 160 pontos de luz, integrando sistema de iluminação regulável. O balcão apresenta concepção idêntica. A sala dispõe de climatização (ventilação, aquecimento e arrefecimento). Espaços cénicos - o PALCO, ligado à sala pela boca de cena, tem largura máxima de 15 m e profundidade máxima de 10 m, pendente de 3%, paredes brancas, soalho de madeira disposto paralelamente à boca de cena e acesso de carga directo à rua. Está dotado de cortina de segurança em ferro. A boca de cena, rectangular, é seguida de proscénio *1, com altura de 6.5 m e uma vara de iluminação. Conta ainda com "avant-scène" (cobertura fixa do fosso de orquestra para 58 músicos), enquadrada por dois painéis laterais verticais de madeira, de posição regulável, e superiormente um painel acústico, também regulável. Espaços técnicos - a CAIXA DE PALCO, com uma altura de 13 m, tem teia de estrutura em vigas de betão e piso em madeira, dois níveis de varandas laterais e apenas uma de fundo. As demais varandas laterais, e todas são de estrutura em betão, constituem plataformas das escadas de acesso à teia. Dispõe de subpalco de estrutura fixa em madeira, dotado de quarteladas e plataforma elevatória (monta-cargas). A cabina de projecção localiza-se no segundo piso, ao fundo da sala, espaço igualmente partilhado pela regie de som e regie de luz. Espaços de apoio à cena - Ao nível do subpalco, e em subterrâneo, existe uma sala de dança e/ou ensaios. Os camarins (em número de 12), as salas de trabalho e os gabinetes da administração distribuem-se pelos três pisos (incluindo cave) do corpo anexo à fachada lateral N.. - SALA DE ENSAIOS - adossado e prolongando a fachada principal do teatro, este corpo mantém a altura da cobertura regular e acompanha o desnível da rua. As fachadas apresentam composição diversa, sendo a mais fenestrada a que se volta ao jardim interior. É marcada pela fenestração quase contínua, correndo entre os vãos dos dois pisos panos revestidos a tijolo. Uma pala protectora assente em pilotis e igualmente contínua, acompanha todo o edifício. A fachada voltada à rua é cadenciada pela distribuição regular de seis painéis de azulejos figurativos - representando distintas fases do traje académico e da vida coimbrã - alternados por paramentos revestidos a pedra que assinalam a marcação de duas sequências de fenestração (na base e topo dos paramentos) e conjugam-se com o ritmo imposto pela ondulação da cobertura, em abóbadas de betão.

Materiais

Alvenaria, pedra, betão, vidro, tijolo, metal, azulejo, madeira, alcatifa

Observações

*1 Na remodelação efectuada no palco, com as obras de 1993, avançou-se o pano da boca de cena até ao fosso de orquestra. Esta situação não só é reversível, uma vez o pano da boca de cena ser amovível, como leva a reconhecer na estrutura a existência do proscénio.