Arquitectura religiosa, maneirista, barroca, rococó, neoclássica. Mosteiro masculino da Ordem de São Bento composto por igreja e dependências monacais. Igreja de planta longitudinal em cruz latina, com nave única, transepto e capela-mor. Dependências monacais compostas por dois corpos justapostos, um em torno de claustro e outro em L. Igreja barroca, com fachada principal ladeada por torres sineiras, ricamente decorada, contrastando a cantaria em granito lavrada com o branco das paredes. Portal principal enquadrado por pilastras sobrepostas criando a ilusão de concavidade. Vãos em arco abatido e recortados, com cornijas circulares e ondulantes. Remate em frontão recortado, com coramento de cruz e urnas. Recurso a decoração fitomórfica, principalmente de acantos. Torres sineiras com remate em entablamento e balaustrada semicircular, à semelhança do que acontece na Igreja dos Congregados (v. PT010303420040), em Braga, do Arquitecto André Soares. Sobre o cruzeiro ergue-se torre rematada por balaustrada ritmada por estatuária, coberta por zimbório com lanternim. Interior da igreja com cobertura em abóbada de berço, na nave, braços do transepto e capela-mor. Cruzeiro com cobertura em cúpula com caixotões de pedra, seccionada por arcos, criando a ilusão de maior profundidade. Coro-alto em U, com cadeiral de talha ricamente decorado com acantos, concheados e volutas, com prolongamento da talha para as molduras e sanefas dos janelões, característica que se mantém para toda a igreja. Órgãos gémeos, sendo um verdadeiro e outro mudo, de modo a criar simetria. Oratório neoclássico, com decoração vegetalista e recurso a coroamento com urnas. Capelas retabulares laterais e colaterais e capela do Santíssimo Sacramento, em talha policroma rococó, com predominância para a decoração de motivos vegetalistas, em múltiplas combinações e variações de folhagens, flores, frutos e conchas, ou de efeitos sugestivos da água a correr ou do vento sobre as folhagens. Grades do coro-alto, baptistério e nave, ao gosto do barroco nacional, executadas segundo o risco utilizado no Mosteiro de Tibães (v. PT010303250015) e posteriormente reproduzido na Igreja do Mosteiro de Alpendurada (v. PT011307010025). Capela-mor com cadeiral disposto lateralmente, semelhante ao da Igreja do Mosteiro de Tibães, e na parede testeira retábulo-mor de talha dourada rococó, com recurso a formas reboscadas e até pesadas, com inúmeros concheados, volutas e linhas ondulantes, também chamado de talha gorda. Sacristia decorada no estilo barroco nacional, com arcazes, mesa e contadores em madeira com apliques de latão, e retábulo na parede testeira, parcialmente relevada em cantaria lavrada de volutas. Dependências monacais maneiristas, com claustro com arcaria toscana, também semelhante ao do Mosteiro de Tibães, de linhas bastante simples, quebradas apenas pelo excessivo decorativismo do barroco, usado na cobertura interior em caixotões e no molduramento de alguns vãos e nichos. A fachada principal apresenta dois panos murários completamente distintos, devido às modificações realizadas no séc. 19 / 20, que levaram à alteração significativa dos vãos dando-lhes características da arquitectura residencial novecentista, em simetria com a maioria das casas da Praça da República, principalmente com a Casa do Barão de Basto. Retábulo existente na capela do colégio em barroco nacional. Desenvolvimento das dependências monacais a N. da igreja, contrariando a prática mais comum aos mosteiros beneditinos onde estas dependências se situam a S., e se desenvolvem em ângulo recto em relação à igreja. Trata-se da única igreja da Ordem de São Bento dotada de torre sobre o cruzeiro. O corpo com escadaria e varanda alpendrada, junto à capela-mor, apresenta semelhanças morfologicas às varandas alpendradas dos solares nortenhos. Toda a decoração interior da igreja seguiu o risco de Frei José de Santo António Vilaça, apesar deste não ter acompanhado todas as obras até ao fim. Os órgãos existentes ainda conservam a sua originalidade, não tendo sofrido a tubaria, do órgão verdadeiro, qualquer alteração, facto que permite, após restauro adequado, obter a sonoridade da época. A decoração de ambos é extremamente original, conjugando o emprego de grandes sátiros e carrancas, com putti e golfinhos. O cadeiral nunca chegou a ser dourado, tendo ficado apenas com o bolus arménio como preparação para receber a folha de ouro, o que levou durante muitos anos, por desconhecimento, a considerar que o cadeiral havia sido adulterado e pintado de branco, resultando na remoção quase total do bolus arménio durante os restauros. A capela do Santíssimo Sacramento apresenta a forma octogonal, e ao contrário do que é habitual, encontra-se do lado da Epístola. O mobiliário existente na sacristia corresponde à encomenda original, concluindo-se que representa um conjunto tipo de peças de mobiliário eclesiástico barroco, dentro do gosto e das opções tomadas para outras sacristias beneditinas do Minho. A antiga sala do capítulo encontra-se no segundo piso, com acesso apenas pelo interior, e não pelo claustro, como é habitual. A fachada principal do corpo do colégio foi profundamente remodelada no séc. final do séc. 19 pelo seu proprietário, com vãos rasgados à semelhança das várias casas da praça, e principalmente da Casa do Barão de Basto, do mesmo proprietário. Esta fachada do colégio chegou mesmo a ter azulejos com padrão de riscas, tal como ainda existe na Casa do Barão, conferindo-lhe aspecto de Casa de Brasileiro. A fachada apresenta ainda um beiral pintado com uvas e parras, a azul sobre fundo branco.
Planta composta por igreja e dependências monacais adossadas a N.. Igreja longitudinal, em cruz latina, nave única, possuindo capela octogonal, do Santíssimo Sacramento, adossada ao topo do braço S. do transepto, com capela-mor rectangular, torres sineiras integradas na fachada principal, anexos rectangulares adossados à nave, a S., e corpo com varanda alpendrada, adossado à capela-mor, também a S.. Dependências monacais, correspondendo a dois corpos, adossados, sendo um rectangular, em torno de claustro e outro em L, com pátio interior, correspondendo às instalações do colégio. Volumes escalonados de dominante horizontal, quebrados pelo verticalismo das torres sineiras e da torre do cruzeiro. Coberturas diferenciadas em telhados de uma água num dos anexos, duas águas na nave, capela-mor e anexo, quatro águas nas dependências monacais, cinco águas na capela do Santíssimo Sacramento, em coruchéus bolbosos quadrifacetados, coroados por urna, nas torres sineiras e em zimbório na torre do cruzeiro. Esta *2, de planta octogonal, eleva-se até à altura das torres sineiras, e é vazada por janelas gradeadas recortadas superiormente, intercaladas por pilastras toscanas, possuindo alternadamente panos com par de janelas de peito e panos com janela de sacada, rematada por frontão recortado interrompido por acanto encimado por óculo oval. As varandas das sacadas apresentam recorte triangular, com balaustrada e urna com fogaréu no ângulo. No pano S., escada de pedra de acesso ao zimbório. A torre é rematada por cornija sob balaustrada, ritmada por doze plintos com bustos de bispos e pontífices, possuindo por cima dos óculos, cornijas circulares encimadas por pequenas urnas. A coroar o zimbório, lanternim aberto por vãos em arco batido e de verga recta, intercalados por colunas coríntias estriadas encimadas por pináculos, rematado por cornija, com estátua de São Miguel a encimar o domo. IGREJA com fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento saliente e cunhais apilastrados toscanos, em granito. Remate em friso e cornija sob beiral, com os topos dos braços do transepto coroados por frontão triangular, ladeado por urnas com fogaréus e cruz sobre acrotério. Fachada principal orientada, ladeada pelas torres sineiras, rematada por frontão recortado, com cartela no tímpano, e no vértice, cruz latina de braços trilobados, com resplendor, sobre acrotério fitomórfico, ladeada por urnas com fogaréus. Portal principal de verga recta, recortado nos ângulos superiores, com portas com almofadas talhadas. É enquadrado por pilastras coríntias sobrepostas, criando a ilusão de concavidade, assentes em plintos bojudos encimadas por entablamento e fragmentos de frontão curvo interrompido. Ao centro, as insíginas da ordem beneditina, sob cornija recortada. O portal é encimado por balcão com guarda de ferro, destacado ao centro, com ninho enquadrado por pilastras toscanas sobrepostas que suportam cornija interrompida por motivo fitomófico. No nicho, imagem policromada do orago inscrita em pequeno retábulo de pedra com policromia, de volta perfeita, com altar em forma de urna. É ladeado por dois janelões em arco abatido com brincos, rematados por cornija quebrada, simulando frontão. A encimar o nicho, grande óculo recortado, que se eleva para além da cornija de remate. Torres sineiras rematadas por entablamento semicircular encimados por pequena balaustrada com urnas nos ângulos. Possuem três registos, sendo os dois primeiros enquadrados por pilastras toscanas sobrepostas, com entablamento e gárgulas de canhão nos ângulos, a separar o último registo, correspondente às sineiras. No primeiro registo, a O., janela recortada encimada por nichos concheados, com brincos, com imagem de São Bento, do lado esquerdo, e de Santa Escolástica, do lado oposto, e no segundo, relógio de pedra encimado por pequena janela, também recortada. Fachada lateral S. com frestas jacentes. Sineiras com cunhais apilastrados arredondados, com ventanas em arco de volta perfeita sobrepujadas por cornija ondulada. Fachada lateral S. da igreja, com corpos dos anexos rasgados por vãos de verga recta, corpo da nave com dois janelões em capialço, braço do transepto com vão em arco abatido sobre outro mais pequeno, de verga recta, parciamente entaipado pela capela do Santíssimo Sacramento, rasgada lateralmente por janelas em arco abatido, entre pilastras. Corpo da capela-mor aberto por três janelões também em arco abatido, com corpo destacado, possuindo ao nível térreo par de arcos de volta perfeita, fechados por grade, estando um deles parcialmente tapado pela escadaria de um lanço recto, com guarda em balaustrada de granito, de acesso ao pátio superior. Este possui guarda de ferro, entre plintos de pedra, apresentando a extremidade E. pequena varanda alpendrada, suportada por pilares e colunas toscanas, com cobertura interior em tecto de masseira de madeira. Sob esta varanda, porta de acesso às dependências monacais, em arco abatido, com moldura recortada, com a representação do sol, sobre o lintel. Fachada lateral N., adossada ao claustro, sendo apenas visível o braço do transepto, rasgado por janela em arco abatido. Fachada posterior, a E., com parte das dependências monacais incluindo as sacristias, encaixadas no corpo da capela-mor. Este é coroado por empena, ladeada por urnas com fogaréus e cruz sobre acrotério e rasgado por pequena janela em capialço. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco. Nave coberta por abóbada de berço estucada e pintada de branco, assente em cornija de pedra, segmentada por arco moldurado, também de pedra, formado dois tramos, correspondendo o primeiro ao coro-alto. Pavimento em taburnos de madeira, entre guias de granito. Coro-alto em U assente em arco abatido, com o intradorso moldurado, com balaustrada em pau santo, com ornamentos vazados de latão, possuindo no topo dos braços dois órgãos gémeos, o do Evangelho mudo, em talha policromada a branco, verde, castanho e preto, pontuada a dourado. Ao centro, destaca-se em semicirculo, oratório com o Crucificado. Dispondo-se em U, cadeiral de talha em branco. Junto à guarda do coro, portas em arco abatido com sanefas com decoração idêntica à do cadeiral. Subcoro com cobertura em abóbada de berço abatida, com caixotões de pedra, assente em mísulas. Guarda-vento de madeira com apainelados e pilastras, ladeado por pias de água benta concheadas. Do lado do Evangelho, baptistério, inscrito em vão de arco abatido, fechado por grade de madeira, com balustrada em pau santo, com apliques de latão, ritmada superiormente por pináculos. Possui pia baptismal e armário de alfaias embebido na caixa murária, com moldura recortada e decoração de concheados. Do lado da Epístola, vão idêntico ao do baptistério. Na nave, junto ao subcoro, par de confessionários confrontantes, embebidos na caixa murária, inscritos em arco abatido, coroado por concheado. Capelas retabulares laterais profundas, inscritas em arco de volta perfeita, assente em pilastras molduradas, dedicadas a Nossa Senhora das Dores e Santa Ana, do lado do Evangelho, e Santa Quitéria e Nossa Senhora da Conceição, do lado da Epístola. Revestimento interior e exterior em talha policromada a rosa, salmão e verde, pontuada a dourado, com decoração volutada e fitomórfica, interligando-se com as molduras dos janelões. São idênticas, apenas com algumas diferenças ao nível dos marmoreados, à excepção da de Nossa Senhora das Dores, que não os apresenta. Os janelões apresentam sanefas de talha, sendo os do lado do Evangelho falsos. Entre as capelas, pequenos nichos moldurados, embebidos na caixa murária. A proteger as capelas retabulares grades de madeira, em U, com balaustrada igual à do baptistério. Púlpitos confrontantes de talha idêntica à dos retábulos laterais, com guarda plena e baldaquino. Transepto com cruzeiro marcado por arcos de cantaria, de volta perfeita, assentes em pilastras de ordem coríntia. A torre do cruzeiro é percorrida por galeria oval, com guarda de ferro, sendo coberta por cúpula com lanterim, decorada por caixotões, seccionada por arcos de pedra que se ligam aos pares de colunas de ordem coríntia. A cobertura do lanternim é decorada por florão. Braços do transepto, com cobertura igual à da nave. Pavimento em taburnos de pedra. O topo do braço, do lado do Evangelho, possui porta de acesso ao claustro, e do lado da Epístola, portal com sanefa de talha, ladeado por pequenos nichos com policromia, de acesso à capela do Santíssimo Sacramento. Esta é cerrada por teia de madeira, com cancela, possuindo cobertura em cúpula com apainelados decorados com rosetas e símbolos litúrgicos e retábulo de talha policroma a branco e dourado, com o Crucificado. Paredes revestidas a talha, com duas telas com cenas bíblicas, representando a "Última Ceia" e "A apanha do Maná". Capelas retabulares colaterais decoradas com talha idêntica às capelas laterais, de invocação de Nossa Senhora do Rosário, do lado do Evangelho, e do Sagrado Coração de Jesus, do lado oposto. Capela-mor mais elevada, delimitada por guarda de madeira com balaustrada, aberta ao centro, com cobertura em abóbada de berço assente em cornija e pavimento em laje de pedra. Paredes laterais com portas decoradas por sanefas de talha, sendo a do lado do Evangelho de acesso à sacristia, seguidas de cadeiral encimado por janelões, com molduras e sanefas de talha. Sobre supedâneo de cinco degraus, retábulo-mor de talha dourada. SACRISTIA no piso térreo da ala E. das dependências monacais, articulada em ângulo recto com a capela-mor, fazendo-se a ligação entre estes espaços através de uma antesacristia. Possui cobertura abobadada e lavabo, comunicando directamente com o claustro, e com uma escadaria de pedra, com arranque volutado encimado por urna, que dá acesso às dependências monacais. Sacristia de planta rectangular coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, rebocada e pintada de branco, com as ogivas marcadas a granito, assentes em mísulas. Pavimento em laje de pedra. Paredes laterais corridas por arcazes. Parede fundeira, com armários embutidos a ladear a porta. Parede testeira inteiramente em cantaria lavrada com relevos de ornamentos de volutas e flores, possuindo ao centro, arco de volta perfeita, pintado com marmoreados, onde se insere retábulo em talha dourada. DEPENDÊNCIAS MONACAIS, com fachadas de dois registos, rebocadas e pintadas de branco, com cunhais apilastrados, coroados por pináculos, embasamento saliente em granito e remates em cornija sob beiral saliente. Vãos com molduras em granito, rasgados regularmente. Fachada principal a O., com dois panos separados por pilastra toscana colossal coroada por pináculo, correspondendo o pano da direita ao corpo do claustro, e o da esquerda ao do colégio. Pano da direita, rasgado ao nível do primeiro registo por portais e janelas de verga recta, destacando-se no extremo N. o portal principal, de acesso à portaria, rematado por frontão triangular, com data epigrafada, e ladeado por janelas jacentes. Registo superior, com janelas de sacada, com guarda de ferro e janelas de peito, ambas rematadas por cornija recta, apresentando as de peito, cornija assente em modilhões sob o parapeito. Sobre o portal principal a pedra de armas do concelho. Pano da esquerda, rasgado no registo inferior por portais de volta perfeita, com bandeiras em ferro decorado, possuindo um deles, um monograma e uma data, e no superior por janelas de peito e de sacada com guarda de ferro, em arco de volta perfeita, com fecho demarcado por motivo floral. As telhas do beiral deste pano são vidradas e pintadas a azul sobre fundo branco, com uvas e parras. Fachada lateral N. rasgada regularmente por janelas de verga recta, apresentando no topo do braço do L, porta de verga recta, encimada por fresta e ladeada pela direita por janela jacente. Junto a esta porta, pequeno terraço com guarda de ferro, que cobre pequeno corpo resultante de um aumento, correspondente às garagens e serviços. Este terraço comunica directamente com o pequeno logradouro que se localiza do lado direito. Fachada posterior a E. rasgada por janelas em capialço e duas portas, uma no corpo do claustro e outra no do colégio, no registo inferior e janelas de peito e de sacada, com guarda de ferro no segundo registo. A delimitar o corpo do braço do L, existe uma pilastra toscana colossal. CLAUSTRO, com pátio arborizado, com chafariz central, de tanque e taça circular. Primeiro registo das fachadas, apresentado arcaria de volta perfeita assente em colunas toscanas, com paredes interiores percorridas por silhar de azulejos industriais recentes de padrão, rasgadas por portais de verga recta e de volta perfeita, alguns deles de acesso a escadarias monumentais de granito que comunicam com o piso superior. Cobertura interior em tecto plano rebocado e pintado de branco, ritmado por travejamento também pintado. Pavimento em taburnos de pedra. Segundo registo, separado por friso simples, com janelas de sacada, com guarda de ferro, cuja varanda encontra-se sobre o friso e é suportada por mísulas. Pátio interior do colégio, com acesso ao exterior, através de pequenos túneis, nas estremidades E. e O.. Fachadas rasgadas por portas no primeiro registo e janelas de peito, e de sacada com guarda de ferro e janelões no segundo. INTERIOR, dividido entre as dependências do corpo do claustro e do corpo do colégio. Corpo do claustro com acesso principal através da portaria, coberta por tecto de madeira com caixotões e pavimento em laje de pedra. Paredes com silhar de azulejos industriais recentes de padrão e algumas lápides comemorativas. A portaria comunica com o claustro, através do qual se tem acesso às várias dependências do piso superior. Através de um portal rasgado na ala N. do claustro, acede-se a vestíbulo com cobertura em tecto de caixotões de madeira, apresentando ao centro as insígnias beneditinas com moldura ornamentada por volutas. Paredes decoradas por silhar de azulejos industriais recentes de padrão. Ampla escadaria com lanço único de acesso a patamar, com bifurcação em lanços rectos paralelos. Sobre o patamar rasga-se na parede, ao centro, nicho de volta perfeita, com moldura de cantaria lavrada, com motivos fitomórficos, coroado por frontão curvo interrompido por bola. Piso superior com distribuição através de longos corredores, que percorrem o edifício, dando acesso às diversas salas. Estes são cobertos por tecto de masseira de madeira com caixotões, pavimento em soalho, paredes decoradas com silhar de azulejos industriais recentes de padrão e vãos moldurados por cantaria de granito. Na ala E., ficam as dependências do tribunal, e nas restantes alas, a Câmara Municipal. Salão Nobre da Câmara, na ala O., sobre a portaria. Antigo refeitório na ala E., no piso térreo, contíguo à sacristia, hoje em dia utilizado como auditório. Corpo do Colégio com acesso principal através de pequeno vestíbulo com tecto decorado com estuques, com silhar de azulejos industriais de padrão, comunicante com escadaria de pedra, fechada por portão de ferro com monograma e data na bandeira. Piso inferior com diversas salas com cobertura em abóbada de arestas, pintadas fingindo tijolo, correspondentes a serviços e salas de aula. Bar correspondente às antigas adegas, possuindo inscrição num dos pilares. Balneários, correspondendo às antigas cavalariças, apresentando ainda as manjedouras. Ainda neste piso, existe uma sala de aula com cobertura idêntica à da sacristia, com acesso através de pequeno vestíbulo com lavabo idêntico ao da antesacristia e pavimento em mosaico de grés. Este vestíbulo comunica ainda com o claustro, pátio do colégio e com a antiga cozinha, usada actualmente como arrecadação. Piso superior com pavimento de madeira e longos corredores iguais ao do corpo do claustro, comunicando com salas de aula, correspondentes às antigas celas dos monges, com cobertura em par de tectos de masseira de madeira. Nas paredes das salas nichos rectangulares alguns usados para encaixar salamandras. Capela do colégio, junto a escadaria principal, correspondente à antiga sala do Capítulo, com inscrição no lintel. Cobertura em tecto de masseira de madeira com caixotões e retábulo de talha dourada inscrito em arco de volta perfeita rasgado na parede testeira. Salão nobre do colégio com cobertura em tecto de masseira de madeira com caixotões, com representação, ao centro, de São Miguel.
Materiais
Estrutura, elementos decorativos das fachadas, molduras dos vãos, cunhais, embasamento, coberturas das torres sineiras, lanternim, escadarias, colunata da varanda alpendrada, arcaria e fonte do claustro, coro-alto, pias de água benta, pia baptismal, caixotões da cúpula, ogivas da abóbada e pavimento da sacristia, lavabos, guias dos taburnos da nave, e taburnos do transepto e galerias do claustro, em granito; paredes exteriores e interiores e cobertura da nave, braços do transepto e capela-mor, rebocadas e pintadas; zimbório em chumbo; ferro nas guardas das varandas, portões e bandeiras dos portais do corpo do colégio; portas, janelas, órgãos, oratório, cadeirais, molduras dos janelões e sanefas, púlpitos, tecto da varanda alpendrada e da capela do Santíssimo Sacramento, tectos e pavimentos das dependências monacais em madeira; talhas das capelas e dos retábulos, estrutura dos arcazes e taburnos da nave em madeira de castanho; grades do coro-alto, nave e baptistério, frontal dos arcazes, mesa e contadores da sacristia em madeira de pau-santo; chapas vazadas de latão, nas grades da igreja e móveis da sacristia; azulejos industriais nos vestíbulos e corredores das dependências monacais; cobertura exterior em telha de canudo.
Observações
*1 - DOF: "Igreja e Sacristia do Convento de Refojos, em Cabeceiras de Basto, assim como o tecto de uma das salas do antigo mosteiro de frades beneditinos, hoje aproveitada como sala de audiências do tribunal da comarca"; *2 - a torre do cruzeiro eleva-se cerca de 33 metros de altura, medindo na base cerca de 26 m, e a estátua de São Miguel, que coroa o lanternim, tem cerca de 2,5 metros de altura; *3 - Organeiro espanhol, responsável pela construção de outros órgãos em Portugal. Segundo JANN: 2000, há indicações que permitem atribuir o de Refojos a Solha, adiantando todavia este autor que a confirmação poder-se-á obter nos someiros, local onde aquele organeiro usualmente deixava a sua assinatura. A obtenção desta prova exige a desmontagem do órgão. Este órgão inicialmente teria 2 manuais, 54 notas, com 15 registos no Principal e 6 no Eco, possuindo 2200 tubos e tambores. Posteriormente foi alterado para 1 manual, 54 notas, com 9 registos, na base do flautado de 8 pés; *4 - o mosteiro é inicialmente referido como "Monasterium Refugii", aparecendo também o nome de Refóios, alusão provável ao facto de aquele lugar ser um local de refúgio; *5 - foi de D. Gueda Mendes que derivou a família dos Guedões ou Gedeões; *6 - o cálice encontra-se actualmente no Museu Machado de Castro (v. PT020603250013); *7 - os móveis da sacristia ainda se mantêm como o original, tendo sido descritos e 1716 / 1719 "puserão se caixoens de pao preto cubertos de bronse sobredourado para os lados da Sanchrristia. Fiserão se dous contadores de pao preto, com bronses dourados para os Amittos, e debaixo delles dous almarios para recolhimento das alfayas da Sanchristia. Fesse hua mesa de pao preto borseada para os calices. Puserão se quatro cadeiras de sola lavrada com pregaria dourada para os lados da Sanchristia. Posse hua cadeira rara para os Pontificaes. Puzerão se dous esguichos de bronse no lavatorio. Fesse hua porta de Angelim para a Sanchristia"; *8 - "...sobre as ruinas do mosteiro velho no mesmo sítio, em que o conhecemos o outro ha couza de 30 anos: forma-se de tres capacissimos dormitórios, a que faz o 4º angulo a Igreja, que ia estava edificada sufficientemente quando se reduzio a practica o desenho da nova fabrica, a qual fecha hum claustro fermozo assim no artifício, como no tamanho: O frontespício se ajuda de hua bem lavrada torre, e corresponde a toda a face do mosteiro hum dilatado terreiro cingido, e adornado de arvores grandes postas com igualdade, e com eleição, e favorecidas de hum regato, que lhe passa mui vezinho a fecundar as dependencias da cerca, que he bastante dilatada, e proveitoza: as oficinas, como a Caza do refeitório, Capitulo das culpas, tudo está excellentemente acabado e perfeito"; No que diz respeito à biblioteca "...que não he má caza, e se vai reformando de livros, porque dous incendios que padeceu o mosteiro velho, nos deixaram mui desprovidos queimando, e destruindo"; *9 - actualmente, o corpo da antiga cozinha, embora pertença do colégio, é usado pela Câmara Municipal para arquivo; *10 - grande parte das obras realizadas foram feitas pelo funcionário do colégio, João Pereira Martins e seu pai.