Villa romana com planta em U aberto, 2 pisos, constituindo o piso superior a zona residencial, com fachada principal porticada antecedida por terraço, acentuando a saliência dos 2 corpos laterais; fachada posterior antecedida por galeria. Integra-se no tipo das villae céltico-romanas, comum nas Gálias, Germânia e Britânia (Almeida, 1971). A S. da villa um templo formado por cella e ábside, idêntico ao de Milreu e da Quinta do Marim, outrora provavelmente ligado à villa por ala habitada ou por galeria porticada, que possivelmente também rodeava o templo. Do convento medieval resta a capela adaptada ao corpo lateral N., possívelmente das primeiras igrejas construídas na Lusitânia (Almeida, 1971). A villa romana supera em dimensões todas as "villae" romanas de Portugal, desconhecendo-se ainda a real extensão da "pars rustica", que se estenderia para S.. Ao contrário da restante arquitectura civil romana conhecida em Portugal, que se articula em torno de perístilos, esta "villa" desenvolve-se em altura, com um piso nobre suportado por galerias abobadadas e as fachadas principais porticadas flanqueadas por corpos salientes. Os paralelos mais próximos são as Villas romanas de Milreu (v. 0805020001), de Pisões (v. 0205130012) e do Rabaçal (v. 0614040006).
Villa de planta composta por corpo rectangular central enquadrado por 2 corpos rectangulares laterais, quase simétricos, à excepção de uma ábside semicircular que remata o corpo N. do lado E.. Alguns corpos já só mostram parte das paredes, outros ainda mantêm as coberturas abobadadas rematadas por terraços. Na fachada principal, virada a NO., correspondente ao corpo central, vêem-se ainda vestígios de uma longa galeria antecedida por um patamar, que fazia a ligação com o jardim por 3 escadas, uma central, as outras duas nos topos; nas traseiras uma galeria ainda parcialmente abobadada abria, por arcadas, para um grande tanque, a "natatio", com 35 x 10m. No corpo lateral N. o corpo da capela de planta rectangular, rematada por ábside semicircular, é rasgada por portas de verga em arco quebrado e com lintel recto e por frestas rectangulares; no interior mostra 2 naves de 3 tramos, separados por 3 arcos de volta inteira sobre pilares, cobertos por 3 abóbadas de canhão transversais; ábside justaposta coberta por abóbada em concha. Do lado S. da "villa" restos de um templo romano, ainda a ela ligado por muro, constituído por "cella" quadrada e ábside com 2 nichos rasgados na parede interna *2.
Materiais
Alvenaria de pedra e tijolo à fiada. "Opus signinum" e tijoleira em pavimentos.
Observações
1 - *DOF... Ruínas de Santiago, junto à Vila de Frades; *2 - entre o material arqueológico destacam-se objectos cerâmicos, vidraria, metais e moedas de prata e cobre; de assinalar uma estatueta de bronze maciça, representando um imperador togado e coroado de louros, uma árula e um túmulo de mármore tardio; a não existência de sistema de aquecimento sugere a utilização da "villa" apenas durante a época das colheitas (Almeida, 1971).