Arquitectura religiosa, manuelina, maneirista, popular, vernacular, rococó, modernista. Igreja paroquial de uma nave cuja planimetria e composição dos alçados correspondem a uma tipologia firmemente arreigada na tradição arquitectónica popular do Baixo Alentejo, caracterizada pela grande simplicidade técnica e formal e pela marcação dos volumes austeros, simplesmente rebocadas e caiados de alvo. A influência do repertório manuelino encontra-se bem patente no portal. Do período maneirista destacam-se a pia de água benta, em forma de concha, e a pia baptismal, robusta e atarracada, como é próprio da interpretação popular deste estilo no âmbito regional. Alguns vestígios de azulejaria polícroma do derradeiro Seiscentismo documentam a transição do Maneirismo para o Proto-Barroco. O período Rococó deixou a sua marca no retábulo e outros elementos de talha, com decorações em que predominam os motivos em "S" e os elementos fitomórficos. A reforma novecentista, nomeadamente no tecto, no púlpito, nas portas e na introdução de apontamentos decorativos, revelam um interesse pela recuperação da história do edifício e de tecnologias tradicionais, dentro ainda de um espírito modernista tardio, também patente no vitral que ornamenta a janela da frontaria.
Planta longitudinal escalonada, composta por nave, capela-mor, mais estreita, a que se adossam, do lado N., a sacristia, o baptistério e dependências anexas e a torre sineira no ângulo SO... Volumes articulados. Cobertura diferenciada em telhado de duas águas que na ilharga se prolonga em aba corrida, cobrindo as dependências anexas, em telhado de uma água na sacristia e em domo na torre sineira. Fachada principal a O., de um só pano, rematado por empena triangular com cornija pintada a azul no seu sector central, encimada por cruz de ferro e ladeada por pináculos piramidais, e platibanda nos sectores laterais; inscrições alusivas à última reconstrução; portal de cantaria em arco de volta perfeita, chanfrado e com impostas molduradas, sobre o qual estão gravados dois brasões, o da direita com a armas de Portugal e o da esquerda muito delido, encimado por janela em arco de volta perfeita com vitral. Torre sineira de dois pisos definidos por cornija, com olhal em arco de volta perfeita em cada face e ângulos rematados por pináculos piramidais; cúpula escalonada, sobrepujada por catavento. Alçado lateral N. de um só pano, com remate em beirado, rasgado por porta de acesso à dependência anexa iluminada por janela quadrangular gradeada, e por porta de acesso à sacristia. Alçado E. de dois panos, sendo o correspondente à capela-mor rematado por empena triangular ladeada por pináculos piramidais e encimada por cruz de ferro, e o correspondente à sacristia, com remate em meia empena e beirado, rasgado por fresta. Alçado lateral S. de dois panos, separados por contraforte e rematados por beirado, apresentando o correspondente à nave um vão entaipado e o correspondente à capela-mor uma janela. Torre sineira de alçado idêntico ao da fachada principal, com fresta no piso inferior. INTERIOR: nave com tecto com forro de madeira fasquiado. Entrada resguardada por guarda-vento em ferro e vidro, tendo à direita uma pia de água benta de cantaria, sobrepujada por friso de três azulejos polícromos. Na parede do lado da Epístola abre-se a porta de acesso à torre, encerrada por grade de ferro. A meio da nave, grande composição pictórica moderna, alusiva às Bodas de Caná. Capela lateral facial, inscrita em arco de volta perfeita, com altar de alvenaria e trono em talha (reaproveitamento). Na parede do lado do Evangelho abrem-se a porta de acesso aos anexos, duas frestas e o púlpito moderno, de alvenaria, em forma de proa de navio; inscrição retirada do pavimento. Arco de volta perfeita de acesso ao baptistério, onde se conserva a pia baptismal, em cantaria, circular, de base quadrada. Arco triunfal de volta perfeita, enquadrado por capelas colaterais com retábulos de alvenaria com decorações relevadas e policromadas, e dois degraus. Capela-mor coberta por abóbada de volta perfeita, arrancando de cornija, com retábulo plano de talha dourada e policromada, sacrário central, semi-circular, ladeado por duas telas. Do lado da Epístola rasga-se uma janela e do lado do Evangelho a porta de acesso à sacristia. Sacristia com lavabo de cantaria.
Materiais
Paredes de alvenaria de pedra e cal, rebocadas e caiadas, portal e elementos secundários de cantaria, coberturas em telha tipo Lusa, pavimentos de mosaico cerâmico, retábulo e elementos secundários de talha dourada e policromada, azulejos, vitral.
Observações