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Santuário de Santa Luzia e do Sagrado Coração de Jesus

Santuário de Santa Luzia e do Sagrado Coração de Jesus

O ponto de interesse Santuário de Santa Luzia e do Sagrado Coração de Jesus encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela no municipio de Viana do Castelo e no distrito de Viana do Castelo.

Templo situado em zona privilegiada, quer pela vista que se vislumbra da zona envolvente, quer pelo caráter sagrado do local, ocupado desde a Pré-história, por uma civilização castreja e onde se manteve, desde a Idade Média, uma capela com culto. Arquitetonicamente, apresenta semelhanças com o Santuário de Sacré Coeur, de Paris. A igreja possui uma regularidade e simetria extremas, visíveis nas fachadas principal e laterais, mas quebradas pelo esquema da fachada posterior, que criou, com a adoção de uma abside semicircular, um pequeno eixo longitudinal, rasgado, inferiormente, por galilé semicircular e tendo, no interior desta zona, várias dependências de apoio, armazenamento e reunião; as janelas são diferentes das demais, as inferiores em arco de volta perfeita, sendo as superiores retilíneas e as do último piso jacentes. Nas fachadas, destaca-se a simplicidade da decoração, eminentemente geométrica, adotando esquemas românicos, conforme eram interpretados na época, que contrasta com o caráter clássico dos capitéis jónicos ou coríntios das colunas. A principal, ostenta nicho rematado em empena com a imagem do principal orago do templo, o Sagrado Coração de Jesus. As cúpulas apresentam os tambores ou rasgados por janelas ou cegos, mas as calotes, excetuando a da capela-mor, estão rasgadas por pequenas lunetas, rematadas em empena, permitindo a melhor iluminação do cruzeiro do transepto e das torres. Estas possuem adufas no segundo registo, que serviria para controlar a saída do som dos sinos, atualmente parcialmente entaipadas, e ventanas geminadas, flanqueadas por várias colunas de fuste liso. O interior é pouco iluminado, apesar das várias janelas e rosáceas, pois a luz é filtrada por vitrais com decoração geométrica e religiosa; possui um pequeno coro-alto e, nos braços do transepto, tribunas com a mesma dimensão e com estrutura semelhante, assentes em arcos em asas de cesto, com guardas de decoração geométrica vazada. De destacar a decoração dos púlpitos e retábulos colaterais, de inspiração neobarroca, revelando serem projeto de um arquiteto distinto do plano original, os primeiros situados junto ao arco triunfal, com acesso pela capela-mor. Nesta, aprecia-se uma banda de pinturas murais, contando vários episódios da Paixão de Cristo, divididos por pequenas linhas, que por vezes se interpenetram, não resultando em painéis com as mesmas dimensões; têm moldura superior e inferior com inscrição latina, alusiva ao episódio narrado. No interior, existem várias lápides epigrafadas, revelando a cronologia e os principais responsáveis pela construção do templo. É composto por templo, implantado num parque com várias infraestruturas, dispostas em patamares, vencidos por escadas, como parque de estacionamento, loja, restaurante, casa do sacristão e fontes, situado no alto do monte e com acesso pedonal através de escadaria com Via Sacra. Templo de planta em cruz grega, inscrita num quadrado, fazendo reviver elementos paleocristãos bizantinos. As fachadas são semelhantes, marcadas por contrafortes de esbarro, que permitem sustentar as coberturas em cúpula, rasgadas por janelas, em arco de volta perfeita; as fachadas são simétricas e harmónicas, com o corpo central marcado por amplo arco de volta perfeita, onde se rasgam os portais retilíneos, encimados por frontões de inspiração românica, encimados por rosáceas neogóticas; a inspiração românica é também visível no recurso às cachorradas e às bandas lombardas. Os corpos centrais são ladeados por torres quadradas, pouco elevadas, de três registos, os superiores com ventanas e remates em cúpula. Interior com coro-alto, tribunas laterais e os topos do transepto ornados por retábulos de cantaria, com estrutura moderna, mas com decoração de inspiração barroquizante, o mesmo se verificando nos púlpitos, situados junto ao arco triunfal, de perfil circular e assentes em mísula, com guarda plena. Capela-mor semicircular, onde surgem pinturas modernistas, alusivas à Paixão de Cristo, mas fazendo reviver, na cúpula, onde se inscreve uma corte de anjos, as bandas dos mosaicos paleocristãos.

Planta quadrangular, onde se inscreve uma cruz grega interna, tendo, nos ângulos, torres quadrangulares e, na fachada posterior, uma pequena abside semicircular, criando um eixo longitudinal. Imóvel de massa simples e tendência verticalista, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em cúpula no corpo da igreja e torres, em semicúpula na capela-mor e em telhados de uma (anexos que circundam a capela-mor) e duas águas (espaço entre as cúpulas). Fachadas em cantaria de granito aparente, de aparelho isódomo, as laterais e principal com estrutura semelhante, harmónicas, compostas por corpo central em empena, flanqueado por torres pouco elevadas, apresentando os cunhais e as divisórias dos panos, marcados por contrafortes de esbarro, e rematadas por bandas lombardas e cornija assente em cachorrada simples. A fachada principal, virada a S., tem, no corpo central, amplo arco de volta perfeita, assente em pilastras da ordem colossal, seccionado em dois registos por friso ornado por bolas e cornija, assente em mísulas equidistantes. No primeiro, surgem dois portais retilíneos, rematados por frontão semicircular, assente em colunas e impostas salientes, criando dupla arquivolta, a interna ornada por ziguezague, elemento decorativo que se repete no lintel. Ao centro, sobre plataforma ornada por cruzes gregas e friso denticulado, surge um nicho em arco de volta perfeita, flanqueado por seis colunas de fuste liso e capitéis de inspiração jónica, que sustentam friso decorado por ziguezagues e pano de muro rematado em cornija sobre cachorrada, que invade o segundo registo, sendo sobrepujada, no vértice, por cruz grega; no nicho, surge a imagem de bronze do Sagrado Coração de Jesus. No segundo registo, abre-se ampla rosácea, que inscreve cruz grega central, emoldurada por elementos boleados e estriados, possuindo, nos ângulos, cruzes gregas, inscritas em triângulos com perfil curvo e moldura saliente. Sobre o corpo central, é visível a cúpula do cruzeiro do transepto, assente em corpo octogonal rasgado por janelas em arco de volta perfeita e rematado em cornija sobre cachorrada, onde assenta o tambor cego e, sobre friso estriado, surge a calote, seccionada por pequenas lunetas salientes, rematadas em empena; o conjunto é sobrepujado por plataforma protegida por guarda balaustrada e pequeno lanternim, assente em colunas de fuste liso, rematado por cruz grega. As quatro torres sineiras são semelhantes, quadrangulares e evoluindo em três registos divididos por cornijas assentes em cachorros, o inferior rasgado, em cada face, por porta de verga reta com impostas salientes e remate em silhar poligonal, criando um falso frontão; o segundo registo possui amplas adufas, parcialmente entaipadas, inscritas em vão de volta perfeita, assente em colunas de fuste liso; no registo superior, surgem, em cada face, duas ventanas geminadas, de volta perfeita assente em colunas; este remata em cornija, com pináculos, compostos por feixe de colunas e remate cónico nos ângulos, coberta por pequenas cúpulas octogonais, tendo, em cada face, duas janelas em arco de volta perfeita e pequenas lunetas na calote, semelhantes às da cúpula central. As fachadas laterais são semelhantes à principal, com amplo arco, dois registos, o primeiro com duas portas e o superior com ampla rosácea. Fachada posterior de perfil curvo, dividido em quatro registos de vãos, o inferior composto por galilé de onze arcos, de volta perfeita, com a moldura formada pelas aduelas do arco, algumas salientes, criando um ritmo de alternância, assentes em colunas de fuste liso sobre plintos paralelepipédicos; tem cobertura em betão e pavimento em lajeado de granito e, para ela, abrem três portas em arco abatido com molduras salientes. O segundo registo é marcado por friso saliente que secciona a fachada sensivelmente a meio e se alteia, servindo de moldura a seis janelas de volta perfeita. Os dois registos superiores são rasgados por seis janelas retilíneas, as superiores jacentes e as inferiores encimadas por moldura saliente. Sobre este corpo, é visível a semicúpula que cobre a capela-mor com tambor cego. INTERIOR em cantaria de granito aparente, pavimento em lajeado de granito e cobertura do cruzeiro em cúpula assente em trompas e seccionada por elementos de descarga, permitindo a existência de três janelas em cada segmento, ornadas com vitral, pendendo, do centro, grande lustre de cristal. Coro-alto de pequenas dimensões, assente em arco em asa de cesto, protegido por guarda vazada por elementos geométricos, tendo o sub-coro teto plano de madeira, para onde dão os portais axiais, resguardados por guarda-ventos de madeira e vidro colorido, amarelo; junto a estes, pias de água benta em cantaria, ornadas por volutas. A estrutura do coro-alto é repetida nas tribunas dos braços do transepto, iluminadas por amplas rosáceas ornadas por vitrais e, sob as quais, surgem dois retábulos em cantaria, o do Evangelho dedicado à Virgem e o da Epístola a Santa Luzia, ambos flanqueados pelas portas travessas, encimadas por frontão semicircular. O cruzeiro do transepto é marcado por quatro amplos arcos de volta perfeita, assentes em pilastras de fuste liso, as do lado N. constituindo o arco triunfal, ao qual se adossam os dois púlpitos em cantaria, circulares, assentes em grande mísula seccionada em frisos decorados por denteados, enrolamentos e acantos afrontados, com guarda plena do mesmo material, formando painéis almofadados, decorados por rosetas e remate em friso denteado; têm acesso por escada a partir da capela-mor, com guarda plena decorada por volutas e pequenos botões. A capela-mor está elevada por cinco degraus, com a parede dividida em três registos por frisos, o inferior rasgado por duas portas de verga reta, o superior seccionado por catorze pilastras, de fustes lisos e capitéis coríntios, e o superior ornado por pinturas murais, narrando episódios da Paixão de Cristo *1 e emoldurados, inferior e superiormente, por faixa branca, onde corre inscrição latina. A cobertura, em semicúpula, apresenta-se pintada em tons de azul, criando o firmamento, tendo, ao centro, a representação da Ascensão de Cristo rodeado por feixes de luz e corte de anjos músicos. Na parede testeira, surge o retábulo-mor, em cantaria, de planta reta e estrutura escalonada, rematada por cornija, tendo, ao centro, altar paralelepipédico, com o frontal formado por quatro pequenas colunas e painéis com símbolos eucarísticos, onde assenta a banqueta, o sacrário e, no topo, nicho de perfil contracurvo, rodeado por frisos retilíneos de decoração geométrica. Sobre este, dispõe-se a imagem do Sagrado Coração de Jesus, flanqueado por dois anjos, todos feitos em mármore de Vila Viçosa. À frente da estrutura, o altar, com frontal semelhante ao do retábulo-mor e, ao lado, candelabros de cristal e bronze *2. À volta da capela-mor, evoluem, nos três pisos superiores, amplo corredor semicircular, com paredes rebocadas e pintadas de branco, iluminado uniformemente por janelas retilíneas, as do último, jacentes, onde se instalaram dependências de apoio (arquivo, museu, sala de sessões), definidas por divisórias de tabique ou de madeira apainelada. O segundo e quarto piso apresentam coberturas de madeira e o intermédio, teto plano, rebocado e pintado de branco.

Materiais

Estrutura, pilastras, colunas, modinaturas, pavimentos, guardas, altares, cornijas, cachorros e lápides em cantaria de granito das pedreiras de Anha, Meadela e de Santa Luzia; retábulos e púlpito em mármore de Vila Viçosa; portas, coberturas do sub-coro e das tribunas, pavimentos, cobertura dos anexos e caixilharias em madeira; escultura e lápide em bronze; janelas com vidro simples ou colorido; rosáceas e janelas das cúpulas com vitral; coberturas exteriores em telha; galilé da fachada posterior com placa de betão.

Observações

*1 - A iconografia da pintura e representações dos vitrais foi definida pela Comissão de Arte e Arqueologia da Sé de Braga, presidida pelo cónego Manuel Aguiar Barreiros e por vários críticos de arte. *2 - Foram oferecidos pela comunidade portuguesa do Rio de Janeiro, pela ação do Conselheiro Joaquim José Cerqueira. *3 - Cada um dos sinos do carrilhão teve um ofertante: 1 e 2 - por Ana Virgínia e Amélia Rosa Formigal de Morais, por 40800$00 e 36.380$00, respetivamente; 3 - José Martins Laranjo, por 25.500$00; 4 - Viscondessa da Torre, por 20.400$00; 5 - Casa Mariazinha, por 19.040$00; 6 - Domingos António do Vale, por 14.894$00; 7 - José Gonçalves de Araújo, por 12.750$00; 8 - João José Parente Ribeiro, por 12.750$00; 9 - custou 8.024$00; 10 - Pedro Manuel Pires Gil, por 10.480$00; 11 - Maria Gonçalves Laranjo, por 6.052$00; 12 - Albertina e João de Carvalho Labrincha e Joaquim dos Santos Labrincha, por 5.134$00; 13 - Jerónimo Pinto Valente Coutinho, por 4.284$00; 14 - Albino Parente Ribeiro, por 3.572$00; 15 - Sara Pereira Viana Teixeira e João Teixeira, por 3.128$00; 16 - criadas de Viana, por 2.244$00; 17 - Casa de Santa Luzia, por 1.836$00; 18 - Família de Viana, por 1.564$00; 19 - Conceição Pinto da Rocha. *4 - No local, foi encontrada uma ara votiva em bronze, epigrafada. *5 - A Irmandade do Sagrado Coração de Jesus de Viana foi instituída em 29 Março 1743, no Convento dos Crúzios, passando, com a extinção, em 1834, para a Igreja de Monserrate e, em 20 abril 1836, com a projetada demolição desta, para a Igreja de São Domingos, tendo anexo o Centro do Apostolado da Oração, com primeira referência em 1882-83. *6 - A antiga Capela de Santa Luzia era de planta longitudinal com nave e capela-mor mais estreita, com cobertura homogénea em telhado de duas águas, tendo a fachada principal em empena truncada por cruz latina assente em plinto paralelepipédico, flanqueada por cunhais apilastrados, encimados por pináculos piramidais; era rasgada por portal em arco de volta perfeita; a fachada lateral esquerda era rasgada, no corpo da capela-mor, por janela retilínea em capialço. *7 - Os sinos deficientes são depois adquiridos pela Igreja de Palmeira, em Braga.