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Capela de Nossa Senhora da Conceição

Capela de Nossa Senhora da Conceição

O ponto de interesse Capela de Nossa Senhora da Conceição encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Vagos e Santo António no municipio de Vagos e no distrito de Aveiro.

Capela de construção ancestral, tendo sido alvo de sucessivas remodelações, a última datada do séc. 19, composto pelo templo, casa dos romeiros, casa das confissões, velário e fonte, rodeado por ampla zona arborizada. O templo é de planta retangular composta por nave, antecedida por pequeno nártex, capela-mor e sacristia adossada ao lado direito, com coberturas interiores diferenciadas em falsas abóbadas de berço e iluminada uniformemente na capela-mor por janelas retilíneas rasgadas nas fachadas laterais. Fachada principal rematada em empena com nártex aberto por vãos curvos frontal e laterais, possuindo portal axial de verga reta, ladeado por postigos, o que subsiste da reconstrução setecentista, surgindo, junto a estes, as armas de um antigo ermitão, Estêvão Coelho. Fachada lateral esquerda com porta travessa de verga reta. A torre sineira será seiscentista, ampliada no séc. 20, com a colocação de um painel de azulejo financiado por um benemérito. Interior com coro-alto, púlpito no lado da Epístola com acesso pelo corpo anexo. Retábulo-mor de talha pintada, tardo-barroco, Mantém as colunas do antigo retábulo-mor, executado na segunda metade de Setecentos, mas ampliado na segunda metade do séc. 19 e restaurado no final do séc. 20.

Santuário composto por igreja, antiga Casa dos Romeiros, a N., surgindo, a E., uma construção, denominada Casa das Confissões ou Supedâneo, um fontanário, o velário, sanitários, casas da cera e arrumos. IGREJA de planta poligonal composta por nave, capela-mor, torre sineira e anexo adossados ao lado direito, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma (sacristia), duas (templo) e quatro águas na sineira. Fachadas em alvenaria, rebocada e pintada de branco, percorrida por socos salientes, pintados de bege, flanqueadas por cunhais pintados de bege e rematadas em frisos de betão; são rasgadas por vãos com modinaturas salientes, assentes em impostas e com fecho saliente. Fachada principal virada a SO., rematada em empena com cruz latina no vértice, rasgada por vão de volta perfeita, de acesso a um nártex com ligação lateral e frontal, encimado por janelão com o mesmo perfil. Portal principal em arco de volta perfeita, ladeado por postigos, o do lado direito encimado por escudo com leão rompante. No lado direito, o corpo da torre sineira com vãos de volta perfeita na zona inferior e quatro sineiras no topo; na face frontal, dois pequenos vãos de iluminação das escadas e mostrador do relógio. A estrutura remata em registo revestido a placas cerâmicas, rasgado, em cada face, por óculos circulares com molduras salientes. Fachada lateral esquerda com porta travessa em arco de volta perfeita e janela retilínea no corpo da capela-mor. Fachada lateral direita marcada pelo corpo anexo *2, rasgado por porta e duas janelas de peitoril, retilíneas, surgindo uma janela no corpo da capela-mor. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão policromo, possuindo inscritas seis cruzes de sagração, duas a ladear o arco triunfal; encontram-se inscritas em círculos simples, com terminações florais e uma delas inscreve-se num quadrado com as hastes direitas e rematadas em botões fechados. Tem coberturas em falsas abóbadas de berço, rebocadas e pintadas de branco, assentes em cornijas pintadas de amarelo, a da nave reforçada por tirantes metálicos, e pavimentos em lajeado axadrezado, preto e branco, surgindo, junto ao portal axial, três sepulturas. Coro-alto com guarda de madeira, em falsos balaústres. A ladear a porta travessa, pia de água benta, em cantaria calcária, embutida no muro, de perfil bojudo e bordo saliente. No lado da Epístola, púlpito quadrangular com bacia em cantaria e guarda de madeira balaustrada, acedido por porta de verga reta, a partir do corpo anexo. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por mísulas com imaginária. Capela-mor com mesa de altar e ambão em cantaria de calcário, assentes em pilares, os da mesa estriados e o do ambão com as iniciais "AM", Sobre supedâneo, retábulo-mor de talha pintada de marmoreados fingidos rosa, bege, azul e verde, e dourado, de planta reta e três eixos definidos por quatro colunas de fustes lisos, com o terço inferior marcado por folhagem e anel superior com festões, assentes em plintos paralelepipédicos ornados por folhagem, as exteriores sobre duas ordens. Ao centro, nicho de perfil contracurvo com moldura saliente e fundo pintado de azul e pontuado por flores, contendo peanha. Os eixos laterais possuem painéis retilíneos, pintados a fingir brocados, contendo mísulas bolbosas, encimadas por acantos, criando falsos baldaquinos. A estrutura remata em frisos, cornijas, fragmentos de frontão, os centrais invertidos, e enorme espaldar de volta perfeita com apainelados de folhagem, ladeado por apainelados separados por frisos e contendo palmas. Ao centro, resplendor e motivos fitomórficos. No lado da Epístola, porta de acesso à sacristia. A N., surge a antiga CASA DOS ROMEIROS, de planta retangular simples e cobertura homogénea em telhado de duas águas, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a SE., rasgada por uma sucessão de portas de verga reta e janelas de peitoril; tem as instalações sanitárias, casa dos arrumos e casa da cera, com uma sucessão de portais com janelas jacentes. A CASA DAS CONFISSÕES ou CASA DO SUPEDÂNEO está situado a SE., de planta em T, com cobertura em terraço. As fachadas estão rebocadas e pintadas de branco com molduras e remates pintados de bege. Fachada principal virada a SO., rematada em empena reta, que enquadra um vão parabólico que remata em cruz latina sobre estrutura escadeada; o vão encontra-se protegido com caixilharias de alumínio e vidro. INTERIOR com a parede fundeira revestida a azulejo de traços dourados, representando a imagem do orago. A NE., um fontanário em cruz ascendente, revestido a calcário e azulejo, com dois tanques, um deles para lava-pés e um Velário, em pedra calcária. CRUZEIRO composto por plataforma de dois degraus, onde assenta plinto e uma cruz latina simples, esta de feitura recente.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; portas e mobiliário de madeira; modinaturas em cantaria; silhares de azulejo industrial; retábulo de talha pintada e dourada; coberturas em telha cerâmica.

Observações

*1 - a existência de várias povoações com a toponímia Gafanha poderá ter várias interpretações, mas a que parece ser mais verosímil tem a ver com o território, lacustre e pantanoso, onde abundam espécies vegetais como o junco, o feno e papiro, dando origem ao termo Galafanha (Galafânia), toponímia registada em documentação mais antiga. É pouco provável que se relaciona com Gafaria, uma vez que os doentes (gafos ou leprosos) não se instalariam em terrenos tão insalubres e sem grandes hipóteses de sobrevivência. 2 - o corpo da sacristia era mais baixo do que o original, com remate reto, hoje em empena, com porta e duas janelas retilíneas. *3 - segundo a tradição, Estêvão Coelho era um fidalgo que habitava na Serra da Estrela e contraindo a lepra, desloca-se para Vagos, onde é alvo de um milagre da Virgem que o cura; torna-se, então, o primeiro ermitão da Capela, tendo-lhe doado todos os seus bens, em Sandomil e São Romão (Seia). *4 - ao longo dos séculos teve várias invocações: Nossa Senhora da Conceição, da Rosa, Nossa Senhora do Bodo, Nossa Senhora das Cerejas, Santa Maria de Vagos e recentemente Nossa Senhora de Vagos . Também as lendas sobre a sua origem e desenvolvimento são várias. Em 1185, um navio naufraga e apenas se salva uma imagem de Santa Maria de toda a carga; os náufragos que conseguem chegar a terra vão para Esgueira e pedem uma procissão de agradecimento, integrando a imagem, que acaba por permanecer no local. No séc. 13, ter-se-á dado o incremento do culto com um milagre da Senhora, ocorrido durante uma grande seca, de quatro anos, que levou a população de Cantanhede à Ermida de Nossa Senhora da Varziela, onde ouvem um sino que os leva até à Senhora de Vagos, começando, de imediato a chover; a imagem foi, então, colocada na Capela do Senhor do Rossio, em Cantanhede, mas "fugia" para Vagos.