Igreja paroquial maneirista, de planta poligonal, grandes dimensões e acentuada verticalidade, fachada principal ladeada por torres sineiras prismáticas, com coruchéus piramidais, contrafortes pouco salientes nas fachadas laterais, nave única abobadada, dividida em 5 tramos por arcos torais, capela-mor e capelas laterais com abóbadas de canhão simples. Severidade e despojamento decorativo da fachada e do interior, apenas contrariada pela exuberância do revestimento azulejar. Retábulo-mor de estilo nacional; frontais de altar de azulejos polícromos, seiscentistas, de influência oriental, figurando ramagens e aves, semelhante aos da Igreja Matriz de Cuba (v. PT040207010005) e da Capela de Santa Ágata de Vila Nova da Baronia (v. PT040203020012). Os merlões prismáticos com remates piramidais coroando as torres sineiras e os botaréus das fachadas laterais constituem um interessante exemplo da permanência de elementos de carácter mudéjar integrados num edifício de estrutura chã. Extrema severidade da fachada principal acentuada pelo curioso conjunto das 3 portas de vão rectangular moldurado unificadas por uma mesma cornija rectilínea.
Planta poligonal composta pelo grande rectângulo da nave (23,50 x 9,80 m) flanqueado por 2 torres e 2 capelas laterais, a que se justapõe o rectângulo menor da capela-mor (5,90 x 4,70 m) ladeado pela sacristia e pela Sala das Irmandades. Massas de acentuada verticalidade, articuladas, com coberturas diferenciadas em telhado de 1 e 2 águas sobre a igreja, em coruchéu piramidal sobre as torres. Fachada principal orientada, rasgada por 3 portas alinhadas de vão rectangular adintelado unidas por uma mesma cornija de mármore branco e por óculo redondo sob a empena; empena triangular rematada por cornija, com cruz sobre acrotério no vértice, ladeada por 2 torres prismáticas, salientes em relação às empenas laterais, rasgadas por ventanas de verga redonda e encimadas por merlões piramidais; fachadas laterais rasgadas por 2 vãos rectangulares, com 5 panos divididos por botaréus prismáticos rematados por merlões piramidais, acima de uma cornija envolvente. INTERIOR: de uma só nave elevada, com coro-alto sobre arcos redondos assentes em colunas toscanas, coberta por abóbada de berço redondo, com pinturas de carácter geométrico, de 5 tramos marcados por arcos torais estribados em mísulas assentes em cimalha envolvente. Capelas laterais pouco profundas abrindo para a nave por arcos redondos sobre pilastras toscanas: a S. a Capela de Nossa Senhora do Rosário integralmente revestida a azulejo polícromo, incluíndo o arco e as pilastras, e apresentando retábulo em talha pintada e dourada, disposto em dois andares, com edícula, enquadrando políptico de seis painéis figurando cenas da Vida da Virgem; a N. a Capela das Almas com retábulo pictórico figurando São Miguel e as almas do purgatório, emoldurado por talha dourada. Silhar entre as capelas e a parede E.; encostados à parede S. dois frontais de altar polícromos, seiscentistas, figurando ao centro um santo enquadrado por ramagens e aves Galliformes, da família dos phasianidae. Nos alçados laterais restos de pinturas murais figurando Santo André e o Santo Papa. Púlpito em cantaria redondo com balaústres, adossado à parede lateral N.. 2 retábulos de talha dourada, com edícula e pintura sobre tela, nos altares colaterais; azulejo polícromo seiscentista, de diferentes padrões, revestindo a parede da nave em que se rasga o arco triunfal. Capela-mor, coberta por abóbada de berço redondo; retábulo-mor em talha dourada, com tribuna e trono que acolhe o Santíssimo. Na sacristia um lavabo em pedra de São Brissos datado de 1762. Duas pias de água benta de mármore, circulares e lisas, pia baptismal circular sobre pedestal na capela baptismal sob a torre do lado do Evangelho, vedada por cancelos torneados; guarda-vento em madeira coroado pelas armas do arcebispo D. Frei Miguel de Távora.
Materiais
Alvenaria rebocada e caiada em estruturas; telha cerâmica; cantaria; tijoleira; azulejo; madeira; vidro.
Observações
1 - *DOF... incluíndo os retábulos de talha e os azulejos do séc. XVII que revestem o seu interior.