Núcleo urbano sede municipal. Vila medieval de fundação senhorial com castelo, cerca e arrabalde. Núcleo urbano de formação medieval organizado em função do castelo. Circuito muralhado composto por dois recintos distintos: o recinto principal, de traçado elíptico e equipado com barbacã, ao qual se justapõe a cerca quatrocentista de planta quadrangular. As encostas suportam uma malha urbana complexa, cuja consistência depende das ligações à zona perimetral baixa. O tecido urbano da encosta conjuga diversos tipos: malhas linear ramificada, orgânica, concêntrica e reticulada irregular, esta última relacionada com o traçado da Rua Direita ao Castelo, um dos dois atravessamentos estruturantes implantados na linha de festo. A malha urbana de contacto com a planície revela um desenvolvimento linear. Também devido à irregularidade da base topográfica, identifica-se uma consequente diversidade de tipos de ruas e de espaços urbanos não lineares. Os largos traduzem preferencialmente situações de confluência viária, mostrando formas muito irregulares e usos pouco precisos, exceptuando-se apenas a Praça, pólo central da hierarquia viária, com um traçado regular. O espaço construído é dominado pelas casas de dois pisos, surgindo mais pontualmente as construções de um e três pisos, com recurso quase generalizado à escada interior. Apresentam telhados de duas águas, as paredes rebocadas e mostram uma composição relativamente simplificada, com recurso a diversos tipos de vãos rectos, com guarnições em cantaria e mais raramente em madeira.
A organização da malha urbana caracteriza-se pela dependência da zona perimetral baixa relativamente à encosta e à cota alta do Castelo, observando-se dois atravessamentos estruturantes na linha de festo, a Rua Direita ao Castelo e a Rua de Coimbra. Estas duas vias permitem a ligação directa às duas entradas no recinto defensivo, a Porta do Sol ou do Rosário e a Porta da Peste, respectivamente. Esta última constitui o actual acesso mais frequentado, através do caminho aberto em época recente. A zona muralhada apresenta uma área considerável, sendo composta por dois núcleos, cronológica e morfologicamente diferenciados. O núcleo principal, de traçado elíptico e parcialmente dotado de barbacã, é hoje um espaço ajardinado que alberga na zona central a Igreja de Santa Maria da Alcáçova e as ruínas do Paço das Infantas (v. PT020610070002 ). Justapõe-se a NO. a cerca quatrocentista, de traçado quadrangular, onde se conservam vestígios da Capela do Abade João, dissimulados entre a vegetação. Na faixa extra-muros regista-se somente as ruínas da Igreja da Madalena e da Igreja Santo António, marginando o caminho circundante que medeia o percurso externo entre as duas portas. O tecido urbano da Vila congrega dois tipos genéricos: a malha urbana da encosta e a malha urbana de contacto com a planície. A encosta E. revela uma malha linear ramificada a partir de um único espaço polarizador, o terreiro que se desenvolveu em função do Convento dos Anjos, tendendo a eleger a Rua de Coimbra como eixo fundamental apoiado na linha de festo. A encosta S. mostra uma malha urbana orgânica, relacionada com a sinuosidade dos percursos. Já a encosta O. agrega dois tipos de malha, resultado das diferentes fases de crescimento urbano, que encontram na Rua Direita ao Castelo a sua referência comum. Ligando directamente o Castelo às terras baixas, a Rua Direita gera uma malha reticulada irregular, especialmente perceptível na zona mais alta, formada por quarteirões mais ou menos rectangulares, de pequena e média dimensão, mas sem chegar a formar uma solução de continuidade com as vias transversais. Ainda nesta encosta, e na zona menos declivosa, observa-se uma malha de desenvolvimento concêntrico, polarizada numa sequência de espaços públicos agregados ao Lg. Alves de Sousa. A malha urbana de contacto com a planície é estruturada por dois eixos paralelos, com frentes urbanas contínuas, originando uma malha de desenvolvimento linear, a que não é alheio um carácter perimetral. Reconhece-se ainda uma zona de organização dispersa, relacionada com as entradas na Vila, assim como duas estruturas reflectindo uma malha de organização polar, associadas às ligações do Campo da Feira ao núcleo central. A um tecido urbano de semelhante complexidade equivale uma tipologia viária concordante, identificando-se vários tipos de ruas. As vias de limite ao tecido consolidado apresentam somente uma frente edificada e permitem a ligação às encostas, observando-se ruas estreitas que descrevem percursos sinuosos, ao mesmo tempo que ruas largas e abertas se tornam mais visíveis nos acessos ao castelo. No miolo urbano verifica-se que um significativo conjunto de vias largas marca a linha de encosto entre a colina e a planície, apresentando já duas frentes edificadas (R. António Correia de Andrade, R. Dr. José Galvão), enquanto as ruas estreitas se situam preferencialmente nas zonas declivosas. Regista-se ainda um grupo das vias abertas, isto é, desprovidas de frentes edificadas, grupo esse também sub-dividido em ruas largas, ruas estreitas e ruas muito estreitas, as últimas relacionadas com a envolvente do Castelo e com a irregularidade do suporte topográfico, observando-se que os desníveis são frequentemente vencidos através de escadas, como na zona que conduz ao Caminho de Santo António. A leitura dos espaços urbanos públicos não lineares, ou seja, largos e espaços de confluência viária, traduz uma expressiva diversidade, relacionada quase sempre com formas e usos pouco definidos, facto que a ausência de toponímia específica confirma. Localizada à cota baixa, a Praça da República, único espaço na Vila com o qualificativo de "praça" e com um traçado regular resultante da remodelação oitocentista, constitui o pólo central da rede de distribuição de fluxos. Aqui se situam os Paços do Concelho, a Casa da Misericórdia, o Mercado e as actividades com maior capacidade de atracção urbana. Agrega sequencialmente o Largo do Pelourinho, um espaço residual cujo objecto de referência já não existe, e o Largo de Tanegashima, que permite a ligação ao Campo da Feira e à Igreja da Misericórdia. Na vertente O., e quase como contraponto, ao assumir a centralidade hierárquica da parte alta da Vila, identifica-se a meia-encosta o Largo Dr. Alves de Sousa, amplo terreiro que resulta de uma sequência de espaços irregulares, justapondo a zona do Solar dos Alarcões - Hospital de Santa Marta ao antigo Largo do Outeiro e ao Largo de S. Martinho. No lado oposto, na subida para o Castelo, o Largo de S. Miguel consiste hoje, dado o desaparecimento da igreja homónima, num entroncamento de vias relacionadas com a Rua de Coimbra, compondo um espaço descaracterizado, mas que estabelece a ligação entre a Porta da Peste e a zona do Convento dos Anjos. Esta última área, balizada pelo Largo Diogo de Azambuja / Largo dos Anjos, é dominada pela rotunda que regula o atravessamento da "circular externa", observando-se o mesmo carácter indefinido de uma zona periférica no acesso à Quinta do Taipal e no Largo da Ponte da Alagoa, espaços que não ultrapassam o simples nódulo de caminhos relacionados com o trajecto da EN 111. A articulação das zonas de transição entre os diferentes tipos de malha engendrou ainda numerosos pequenos largos, de traçado muito irregular e incidência restrita, como por exemplo o antigo Terreiro Queimado (dominado pela Casa de D. Isabel de Azevedo), o Largo do Paço, o antigo Terreiro de Alrique ou ainda o local do chamado Curral do Concelho. Por outro lado, na análise do espaço urbano, e da própria tipologia do edificado, pesam também as características dos espaços privados exteriores. Na zona de planície alagável (Reserva Agrícola Nacional) identificam-se campos de milho e arroz, com escassas edificações de apoio ao cultivo, permitindo a visualização panorâmica dos perfis urbanos. Num plano intermédio surgem pequenas hortas organizadas em plataformas de aterro ou aproveitando os desníveis, embora no lado NO. junto à cerca externa se observe uma faixa de terrenos em talude, quase sem delimitação física das parcelas. Regista-se depois uma zona de transição onde se observa recurso a superfícies desniveladas, havendo já algumas edificações isoladas a assinalar. Na proximidade do Castelo os terrenos encontram-se em geral associados a logradouros, mas a vegetação espontânea e as oliveiras dominam ainda a teia de caminhos pedonais. Por fim, os logradouros ocupam plataformas planas e muradas, onde pontuam árvores de fruto e pequenos cultivos, já muito dependentes das construções confinantes. O espaço edificado é caracterizado principalmente por casas de dois pisos, rebocadas e cobertas por telhados de duas águas, com a cumeeira paralela à rua. Pontualmente, e na zona mais antiga, observam-se construções de um piso e ritmo simples de aberturas, por vezes com telhado de uma só água. À cota baixa surgem os edifícios de três pisos, ocupando lotes com frente mais larga. O sistema de comunicação vertical é feito geralmente por escadas internas em madeira, mas ainda se registam alguns casos pontuais de escadas exteriores em pedra. Os ritmos de composição apresentam-se muito variados, registando-se a conjugação de diversos tipos de vãos (janelas simples, de sacada, com avental, óculos, frestas), mostrando caixilharias de duas folhas, embora ocorra igualmente o sistema de guilhotina, enquanto as portadas surgem associadas aos celeiros. O remate do pano da fachada pode ser simples, cimalha, com beiral simples, duplo ou até triplo, ou mais pontualmente cornija. Da heterogeneidade do espaço construído, reveladora de várias épocas de construção, destaca-se, além das casas solarengas, com características muito particularizadas, onde se salienta a presença autónoma do celeiro, um tipo de casa característico do agricultor do Baixo Mondego, distinguindo o piso térreo, reservado à habitação, do piso superior destinado a celeiro, acusado na fachada por respiradouros ou óculos.
Materiais
Não aplicável
Observações
Análise dos aspectos históricos e morfológicos feita com base no Plano de Urbanização de Salvaguarda do Centro Histórico de Montemor-o-Velho. Existe na DRMC um estudo para definição da ZEP de Montemor-o-Velho datado de 1987. A área inventariada, coincidente com a zona de intervenção do Plano de Pormenor, foi classificada pelo Plano Director Municipal como Espaço Cultural (artigo 53 do Regulamento do PDM, assinalado na respectiva Planta de Ordenamento). Na área do castelo foram recolhidos fragmentos escultóricos e arquitectónicos da época muçulmana, que se conservam no Museu Nacional Machado do Castro. A cultura moçárabe encontra-se também documentada por inscrições que se encontram depositadas no Convento dos Anjos. Montemor-o-Velho tem-se destacado no panorama nacional por um assinalável conjunto de eventos culturais, dos quais destacamos o CITEMOR, festival de teatro anual, promovido pelo Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho. Registam-se numerosas feiras temáticas (artesanato, livro, cavalo) e a actividade regular das seguintes instituições: Filarmónica 25 de Setembro (com tradição centenária), Associação Fernão Mendes Pinto (com actividade na área da divulgação das artes e ofícios tradicionais) e Associação Torre de Menagem (para a defesa do património). A equipa do GTL de Montemor-o-Novo desenvolveu também um ambicioso programa de dinamização socio-cultural para a revitalização do Centro Histórico, prevendo a criação de diferentes núcleos museológicos (Território, Recursos e Arte) articulados com a organização de percursos urbanos e a adaptação de imóveis marcantes para usos colectivos. No âmbito dos programas PROCOM / PROSIURB avulta a intenção de consolidar a noção de "fachada da Vila". Encontra-se ainda prevista a construção de uma pista internacional de remo.