Igreja de peregrinação composta por escadório, construído entre 1967 e 1968, com desenho de Alberto Albergaria da Silva Pacheco, e com painéis de azulejos representando os Mistérios Gozosos e Dolorosos de Cristo, numa alusão aos dez Pais Nossos do Rosário, separados por dez degraus referentes às dez Avés-Maria. No topo, surge a capela, construída em 1764, ao gosto barroco típico da região, sobre uma outra anterior, por iniciativa de um padre, e ampliada em várias fases do séc. 20. Apresenta planta composta por duas naves e uma capela-mor, interiormente com coberturas em falsas abóbadas de berço, e sacristia adossada, mas o projeto inicial não previa a nave disposta no lado do Evangelho, que foi acrescentada em 1926. O esquema de iluminação interior foi alterado nessa data, pelos amplos vãos da nave secundária e, posteriormente, pelas janelas jacentes da capela-mor. A fachada principal tem cunhais apilastrados, termina em empena recortada definida por volutas, com cruz ornada por símbolos da Paixão, e é rasgada por portal de verga reta, encimado por frisos e cornijas, tabela com painel de azulejos alusivo ao orago e elementos de cantaria volutados criando falso espaldar. No interior possui pia de água benta decorada de carrancas, púlpito de bacia retangular, no lado da Epístola, e porta de acesso à sacristia, também com friso e cornija. O arco triunfal, de volta perfeita, assenta em pilastras almofadadas e na capela-mor possui nicho de cantaria, interiormente com decoração volutada e vegetalista relevada e painel com imagem do orago; o altar tipo urna, também é de cantaria. As naves separam-se por arcos de volta perfeita sobre pilares. Apesar dos vãos da nave secundária e da sacristia possuírem arestas boleadas, procurando reproduzir os da nave principal, é nítida a diferença de modinatura entre elas. O alpendre da sacristia foi construído na década de 1970 / 1980, tal como o edifício de apoio e estruturas no socalco inferior do terreiro. Aí surge capelinha recriando a ambiência da gruta onde terá aparecido a Virgem aos Pastorinhos.
Igreja de peregrinação formada por escadório e, no topo, pelo terreiro da capela. CAPELA de planta poligonal composta de duas naves retangulares, a principal com capela-mor, a secundária disposta à esquerda e a sacristia retangular adossada à fachada lateral direita. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave principal e respetiva capela-mor, e numa água nos restantes corpos, rematadas em beirada dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria e rasgadas por vãos de verga reta com moldura de friso boleado. A fachada principal surge virada a sul, com a nave principal de cunhais apilastrados, terminada em empena recortada, definida por volutas, coroadas por cruz latina, de braços retangulares, frontalmente decorados por símbolos da Paixão, sobre acrotério vegetalista, e, no alinhamento das pilastras, por pináculos tipo balaústre, sobre plintos paralelepipédicos. É rasgada por portal de verga reta, encimado por duplo friso e cornija intercaladas, sobreposta por pináculos embutidos tipo balaústre e por tabela retangular, disposta na vertical; esta, contém painel de azulejos, azuis e brancos com representação do orago, encimado por friso e cornija, pináculos embebidos e elemento de cantaria volutado, formando espaldar recortado com flor de liz. A nave secundária termina em empena reta, encimada por sineira, em arco de volta perfeita sobre pilares, albergando sino, com remate em cornija reta coroada por cruz latina de braços retangulares e pináculos tipo balaústre; é rasgada por janela de peitoril, gradeada. As fachadas laterais têm a capela-mor rasgada por janela jacente, gradeada; na lateral esquerda abre-se na nave secundária três janelas de peitoril, gradeadas, e, na lateral direita, o corpo da sacristia é precedido por alpendre sobre coluna assente em plinto paralelepipédico, sustentando arquitrave; a sul tem porta de verga reta e a oeste janela de peitoril, gradeada. Fachada posterior cega, com a capela-mor terminada em empena e a da nave secundária e sacristia em empena reta. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em lajes de cantaria e cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, assente em friso e cornija de cantaria, exceto na sacristia, que é plana. As naves separam-se por três arcos de volta perfeita, assentes em pilares toscanos. Na nave principal e a ladear o portal, surge pia de água benta hemisférica, exteriormente decorada com duas faces, do lado do Evangelho, e, uma outra, mas sobre pé cilíndrico, no da Epístola. A meio, existe, do lado da Epístola, púlpito com bacia retangular de cantaria, sobre mísula, com guarda em balaústres torneados de madeira, seguido de porta de verga reta, de friso boleado encimado por friso e cornija, de acesso à sacristia. Arco triunfal de volta perfeita, sobre pilastras de arestas boleadas. A capela-mor tem lateralmente janelas jacentes e, no lado da Epístola, banqueta de cantaria sobre duas mísulas e nicho de alfaias. Supedâneo de dois degraus. Na parede testeira rasga-se nicho, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, almofadadas, encimado por concheado, e interiormente de cantaria e perfil côncavo, ornado de concheados e elementos vegetalistas relevados, contendo apainelado, em arco de volta perfeita, com mísula sustentando imaginária. Altar tipo urna, em cantaria. Ladeiam o nicho e o altar duas pilastras toscanas, embebidas no muro, coroadas por pináculos de cantaria. A nave secundária, do lado do Evangelho, encontra-se completamente desnuda. Na sacristia, existe lavabo de espaldar retangular, com bica em florão relevado, terminado em cornija, encimado pelo depósito em arco definido por volutas, coroadas por cruz patriarcal sobre acrotério. Em frente possui bacia retangular plana, sobre mísula. Ladeiam o lavabo duas mísulas de cantaria. ESCADÓRIO composto por escada de dez lanços convergentes, pavimentados a cantaria, de guardas plenas, rebocadas e pintadas de branco e capeadas a cantaria, coroadas nos extremos laterais por pináculos piramidais; frontalmente integra painéis de azulejos, azuis e brancos, com representação dos Mistérios do Rosário. O TERREIRO da capela organiza-se em dois níveis, o principal integrando no muro posterior cinco espaldares, retangulares; os quatro laterais são rebocados e pintados, definidos por pilastras, suportando duplo friso e cornija reta, e o central, sensivelmente mais alto, em cantaria e encimado por cruz latina de braços retangulares sobre acrotério e dois pináculos laterais. Cada um dos espaldares possui painel de azulejos, de composição figurativa. O patamar inferior, a oeste, é pavimentado a calhau rolado, com guias de cantaria, formando quadrículas de grande dimensão. No topo norte, ergue-se edifício de planta retangular, de apoio ao santuário. Possui fachadas de um piso, rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a sul, de três panos, o central convexo e facetado e terminada em platibanda plena sobre cornija. É rasgada por vãos retilíneos, moldurados, correspondendo a portas e janelas jacentes nos panos laterais e a janelas de peitoril no corpo central. No muro de sustentação do terreiro da capela possui virada a oeste uma capelinha, acedida por portal em arco de volta perfeita, moldurado e com portão em ferro, envidraçado. No interior, com cobertura em falsa abóbada de quarto de esfera, é revestida em alvenaria de pedra irregular, recriando uma gruta, parcialmente coberta de fetos, e com pavimento em cantaria; a meio existe plinto paralelepipédico, revestido a alvenaria de pedra, suportando a imagem do orago. Ao centro, sobre soco de um degrau, octogonal, pavimentado a seixos rolados com rosário, ergue-se grande cruzeiro, de cantaria, com braços quadrangulares adelgaçando para o topo, sobre plinto tronco piramidal, revestido a lajes de cantaria, e com as juntas pintadas de branco.
Materiais
Estrutura rebocada e pintada; soco, frisos, cornijas, coluna, sineira, cruz, molduras dos vãos, pavimento interior, pilares, pias de água benta, bacia do púlpito e nicho na parede testeira em cantaria da região; portas de madeira; caixilharia de alumínio; vidros simples; grades em ferro; guarda do púlpito em madeira; painéis de azulejos, azuis e brancos; cobertura de telha cerâmica.
Observações
*1 - Segundo a tradição local, certo dia, uns pastares que vigiavam o gado, recolhem-se numa gruta existente na região, para se abrigarem do mau tempo. Encontrando uma imagem da Virgem, levam-na para a Igreja Matriz e entregam-na ao padre. No dia seguinte, os pastores voltam a encontrar a imagem na mesma gruta e reconduzem-na à igreja, situação que se repetiu por vários dias e levou o povo a pensar que a Senhora desejava ter uma ermida naquele local. Decide-se construir uma ermida, mas num local mais abaixo, por ser mais abrigado dos ventos fortes, para ali conduzindo os materiais. Contudo, quando, no dia seguinte, chegaram os operários, encontraram o local revirado e as pedras colocadas no local onde fora encontrada a imagem inicialmente. Decide-se assim construir a ermida de Nossa Senhora da Paz nesse sítio.