Paços do concelho construído no séc. 19, de raiz para a sua função, ocupando o local onde se erguiam os antigos paços do concelho quatrocentistas. Tem planta retangular simples e linhas bastante sóbrias e regulares, com esquema de fenestração semelhante em todas as fachadas. As fachadas evoluem em dois pisos, com o primeiro revestido a cantaria, de silharia fendida, seccionado por pilastras com a mesma modinatura, e terminado em platibanda plena. A fachada principal tem cinco panos, o central rematado em frontão triangular com as armas e a representação escultórica da cidade, e é rasgado por três portais em arco de volta perfeita, intercalados por janelas de peitoril e bandeira abatida, e, no andar nobre, por janelas de varandim, terminadas em friso e cornija. As fachadas laterais são semelhantes e têm o mesmo tipo de fenestração. Interior com vestíbulo central de distribuição espacial, a partir do qual se desenvolvem as escadas para o andar nobre, de braços convergentes e lanço inferior comum. As salas são revestidas a tecido com motivos vegetalistas. O edifício reconstruído para paços de concelho no início do séc. 17, com torre central, tinha estrutura semelhante aos paços do concelho de Ponta Delgada (v. PT072103120081), Praia da Vitória (v. PT071905080001), Ribeira Grande (v. PT072105090004) e Vila Franca do Campo (v. PT072106030015). A estátua feminina em mármore que coroa o frontão, representando a cidade de Angra, teve como modelo uma campainha de ouro, oferecida ao município pelo Rei D. João VI.
Planta retangular de massa simples e cobertura homogénea em telhados de quatro águas. Fachadas de dois pisos, o primeiro com embasamento e revestido a cantaria, em silharia fendida, e o segundo percorrido por embasamento de cantaria, com pilastras de silharia fendida nos cunhais e a definir panos, e terminadas em friso e cornija sobreposta por platibanda plena, rebocada e pintada de branco, decorada por almofadas retangulares de cantaria. Fachada principal virada a O., de cinco panos, o central terminado em frontão triangular, com as cornijas denticuladas, coroado por estátua feminina em mármore, representando a cidade de Angra, e tendo o tímpano decorado pelas armas da cidade, envolvidas por motivos fitomórficos relevados, em cantaria. No piso térreo, rasgam-se três eixos de vãos, separados por pilastras, correspondendo a portal central em arco de volta perfeita, com aduelas em cunha, e a duas janelas de peitoril retilíneas encimadas por bandeira de verga abatida, e no segundo a janelas de varandim, retilíenas, com molduras formando recorte lateral, encimadas por friso, cornija reta e friso e com guarda em ferro. Os panos intermédios, coroados por vasos cerâmicos, são rasgados por um eixo de vãos, com janelas iguais às do central, e os panos extremos por três eixos, correspondendo a portal de verga reta com bandeira em arco de volta perfeita, entre janelas iguais às centrais e, no segundo piso, a janelas de varandim iguais. Fachadas laterais semelhantes, rasgadas por sete eixos de vãos, de igual modinatura às da frontaria, sendo os do piso térreo separados por pilastras em silharia fendida, correspondendo o vão central a portal em arco de volta pefeita. INTERIOR: a entrada principal acede a amplo vestíbulo, tendo frontalmente galeria com arcada de três arcos de volta perfeita, sobre pilastras toscanas e pilares centrais, coberta por falsas abóbadas de cruzaria, em estuque; lateralmente, por meio de arcos de volta perfeita nos topos da galeria procede-se a distribuição espacial e em frente, inseridos nos arcos, existem portas de verga reta, de moldura recortada; a partir do arco central desenvolve-se a escada de ligação ao andar nobre, de dois braços convergentes e o primeiro lanço comum. No patamar intermédio, onde se dispõe um busto do Infante D. Henrique, rasgam-se três amplas janelas retangulares com vitrais representando a heráldica da cidade de Angra e, ao centro, as armas nacionais. Ao nível do segundo piso, as salas são revestidas a tecido com motivos fitomórficos. O vestíbulo, com colunas num dos lados, tem amplo tapete de Arraiolos, uma mesa de bufete, em madeira de pau-santo, de finais do séc. 18, um candelabro de prata lavrada e, lateralmente, dispõem-se as cadeiras do antigo mobiliário da sala das sessões. Destaca-se a sala de sessões, com mobiliário do hemiciclo em madeira de jacarandá, ostentando em talha os três brasões usados pelo município ao longo dos séculos, e o salão nobre com teto de esmalte com a insígnia do concelho.
Materiais
Estrutura rebocada e pintada ou revestida a cantaria de basalto; embasamento, molduras dos vãos, frisos, cornijas, pilastras e outros elementos em cantaria de basalto; guardas em ferro; portas e caixilharias em madeira; vidros simples; estátua de mármore; pavimentos em cantaria, cerâmicos e em madeira; paredes do andar nobre revestidos a tecido; vitrais; tectos de estuque; cobertura de telha.
Observações
EM ESTUDO *1 - A praça onde se ergue o edifício da Câmara foi conhecida por Praça, Praça dos Santos Cosme e Damião, Praça dos Cosmes, Praça Velha, Praça da Restauração e Praça Velha.