Casa abastada de construção seiscentista, mas de grande tradição histórica, visto nela ter vivido, no séc. 16, D. Violante do Canto, que defendeu a causa portuguesa durante a crise da sucessão de 1580, apresentando, no entanto, um esquema e decoração de vãos das fachadas maneirista, o que deve ter resultado de uma reforma posterior ao núcleo inicial. Tem planta retangular e lote largo, com fachada principal evoluindo em três pisos, flanqueada por pilastras, remate em cornija e modinatura dos vãos retilíneos sublinhados a policromia verde, a cor do Sporting Clube de Portugal, o atual utente do edifício, correspondendo no segundo piso a janelas de sacada e, no último, a janelas de peitoril com avental recortado e caixilharia de guilhotina. O portal rasga-se ao centro, com verga reta, ladeado por pilastras toscanas sustentando entablamento, rematado por pináculos.
Planta retangular de massa simples e cobertura homgénea em telhado de três águas, rematadas em beirada simples. Fachadas de três pisos, rebocadas e pintadas de branco, com faixa a preto, cunhais pintados de verde, remates em cornija da mesma cor e molduras dos vãos sublinhados na mesma tonalidade. Fachada principal virada a S., rasgada ao centro do piso térreo por portal de verga reta, com moldura ladeada por duas pilastras sobre plintos e suportando entablamento, sobrepujado por quatro pináculos piramidais assentes em altos plintos seccionados a meio. Sobre o portal abrem-se duas janelas retilíneas, a do terceiro piso com pano de peito em cantaria pintada de verde. No piso térreo abrem-se ainda lateralmente seis vãos de tamanhos diferentes, correspondendo a portas ou montras, no segundo piso abrem-se seis janelas de sacada, com guardas em ferro e, no terceiro, janelas de peitoril, com avental recortado pintado de verde e com caixilharia de guilhotina. Na fachada lateral esquerda rasga-se no piso térreo porta rebaixada, no segundo janela de peitoril com avental recortado e no terceiro duas janelas de igual modinatura.No INTERIOR o salão nobre conserva teto de apainelados, com dois brasões de família esculpidos, o dos Cantos e dos Castros.
Materiais
Estrutura rebocada e pintada; pilastras, pináculos, molduras dos vãos e avental em cantaria pintada; portas e caixilharias em madeira; vidros simples; guardas em ferro; cobertura de telha.
Observações
EM ESTUDO. *1 - Violante da Silva do Canto, nasceu em Angra, em agosto de 1556 e faleceu em Lisboa, a 17 de novembro de 1599; era filha de João da Silva do Canto e de sua esposa, Isabel Correia, neta pelo lado paterno de Pero Anes do Canto, 1º Provedor das Armadas, e de sua esposa, Violante da Silva; e pelo lado materno de Jácome Dias Correia e de Brites Rodrigues Raposo, da Ilha de São Miguel. Muito jovem e ainda solteira tornou-se herdeira de grande fortuna, resultante da terça de sua mãe, composta por bens móveis e imóveis na ilha de São Miguel. Aos 21 anos, com a ajuda de tutores, sucedeu a seu pai na administração dos bens e do vínculo instituído por seu avô, Pero Anes do Canto. Com a crise da sucessão de 1580, apoiou o partido de D. António I de Portugal contra as pretensões ao trono português de Filipe II de Espanha. Em 1583, D. Álvaro de Balzán, marquês de Santa Cruz, entrou na cidade com instruções régias para localizar e proteger Violante do Canto, que recolhera ao mosteiro de São Gonçalo, até à partida de D. Álvaro de Bazán. Depois, foi embarcada, com um grupo de aristocratas da ilha, para o exílio. Segundo o cronista Gaspar Frutuoso, D. Violante, acompanhada por António da Silva, seu meio-irmão, foi conduzida a Castela e enclausurada em mosteiros, sete meses em Cádis e onze meses em Jaén. Por iniciativa régia, foi obrigada a casar, a 1 de abril de 1585, com Simão de Sousa de Távora, filho de Álvaro de Sousa de Távora e de Francisca de Moura. O casal fixou-se em Lisboa, onde D. Violante do Canto viveu até à sua morte, sem filhos. Com o seu falecimento sem descendentes directos, os bens vinculados de que fora administradora reverteram a favor da linha do herdeiro de seu tio António Pires do Canto, na pessoa de Manuel do Canto de Castro, um filho do seu primo Pedro de Castro do Canto. Os restantes bens reverteram, entre outras instituições, a favor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, do Colégio da Companhia de Jesus de São Roque, da Cartuxa de Laveiras e dos Capuchos da Arrábida.