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Igreja Paroquial de Ponta Delgada

Igreja Paroquial de Ponta Delgada

O ponto de interesse Igreja Paroquial de Ponta Delgada encontra-se localizado na freguesia de Ponta Delgada (São Sebastião) no municipio de Ponta Delgada e no distrito de Ilha de São Miguel (Açores).

Igreja paroquial construída no séc. 16, com planta de três naves e cabeceira escalonada, integrada no programa nacional de construção de igrejas paroquiais pelas Ordens Militares, administradas diretamente pela Coroa, com a frontaria e o interior reformado no séc. 18. Tem planta composta por três naves escalonadas, cada uma com sete tramos, separadas por arcos, de volta perfeita sobre colunas, com estuques pintados a marmoreados fingidos e estuques relevados, oitocentistas, e cabeceira tripla escalonada, interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira nas naves e abóbadas na cabeceira. A obra de construção foi arrematada por Lupedo, que pouco depois regressa ao continente, de onde envia cantarias, deixando Afonso Fernandes no seu lugar, sendo depois arrematado por Estêvão da Ponte e Afonso Fernandes. A fachada principal foi reformada em 1748, por André de Fontes, seguindo o esquema tripartido mais comum das igrejas da ilha, terminando em tabela, ladeada de aletas e encimada por frontão em canopo, com três panos definidos por pilastras, coroadas por pináculos, rasgados por portal e janela em eixo. Conserva, no entanto, o portal axial manuelino, executado pelos irmãos Nicolau Fernandes e André Fernandes, em asa de cesto com arquivoltas entrelaçadas e formando canoupo envolvido por arco trilobado, sobre colunelos, e contrafortes facetados e seccionados, com decoração vegetalista, heráldica, nichos e anjos relevados. Os portais dos panos laterais datam da reforma setecentista e têm arco entre colunas torsas e pilastras, profusamente decoradas com elementos vegetalistas, aletas e concheados, formando falso frontão. Superiormente abrem-se janelas retilíneas entre colunas torsas, sobre mísulas e sustentando frisos e cornijas, com falso avental de volutas, pináculos e vieiras, e, na tabela, rosácea recortada. Nas fachadas laterais conserva igualmente as frestas da nave central, de diferentes perfis, uma delas cruciforme e com cogulhos vegetalistas, que foram reabertas nas obras de restauro de meados do século 20, e as portas travessas manuelinas, dos mesmos mestres, diferentes entre si; o da fachada norte, em cantaria da região, tem arco canopial envolvido por laçarias e pináculos de cogulhos, e o da fachada sul, em calcário e de talhe mais fino, é mainelado, com duplo arco trilobado, entre arco em asa de cesto ornado com grutescos, o da esquerda contendo inscrição, entre pináculos de agulha e encimado por medalhões inseridos em arco trilobado com pináculos de cogulhos. As capelas laterais são cobertas por cúpulas, possuem gárgulas zoomórficas ou antropomórficas, mas têm amplos vãos, abertos no séc. 18 / 19. A capela-mor conserva a feição quinhentista, de dois tramos contrafortados e remate em friso com florões e cornija, mas os vãos também deverão ser posteriores. A atual torre sineira, à direita da frontaria, foi construída na primeira metade do séc. 17, ainda que a quinhentista primitiva ficasse a norte da capela-mor, tendo sido demolida em 1723, por estar em ruínas. A torre, inicialmente com dois registos, o superior com duplo arco peraltado sobre pilastras, e remate em friso, cornija e guarda balaustrada, integrando, na fachada lateral, elementos heráldicos, em calcário, do séc. 16, foi alteada em 1909 com um terceiro registo. No interior possui coro-alto sobre as três naves, contendo órgão positivo oitocentista tendo na central dois púlpitos confrontantes, de talha em branco, com guarda balaustrada e elemento plano com atributos do orago, encimados por baldaquinos facetados com lambrequim e espaldar vazado. O batistério abre-se na nave do Evangelho, interiormente abobadado e atualmente com com retábulo oitocentista contendo painel das Almas, pintado pelo italiano Giorgio Marini, em 1870, onde ele representa o seu próprio retrato. As naves laterais têm uma capela à face, com retábulos de talha em branco, setecentistas, de estilo nacional, e duas profundas, cobertas por abóbada estrelada quinhentista, ou cúpula sobre trompas de ângulo, com retábulos, o da Imaculada Conceição, semelhante aos anteriores; os dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e a São Pedro vieram da Igreja da Graça, e são em barroco nacional, mas já com alguns elementos joaninos, sobretudo nos nichos. O arco triunfal, em arco de volta perfeita, é encimado por talha em branco, executada em 1750, formando espaldar recortado, integrando as armas nacionais e vão com vitral representando o orago. A capela-mor tem abóbada estrelada de dois tramos e o retábulo-mor, concluído em 1729, pelos entalhadores Pedro Lopes e Manuel de Sousa, em barroco nacional, de corpo côncavo e um eixo, com elementos de transição para o joanino. Os absidíolos, que comunicavam com a capela-mor por arco apontado sobre colunelos, têm acesso revestido a talha pintada e dourada, o do Evangelho, com as paredes decoradas a estuques relevados oitocentistas, e albergando retábulo de Nossa Senhora do Rosário, em talha joanino, de corpo côncavo e três eixos, vindo do Colégio de Todos os Santos (v. IPA.00008145), depois da expulsão dos Jesuítas, e o da Epístola, dedicado ao Santíssimo, acedido por porta de talha oitocentista, tem no interior apainelados de talha, de finais do séc. 18, com decoração rococó, e retábulo de corpo convexo e um eixo. As naves, na zona do cruzeiro, possuíam nas paredes e cobertura estuques relevados de finais do séc. 18, mas foram removidos nas obras novecentistas. Na sacristia existe arcaz do séc. 17, com alto espaldar decorado com almofadas e ritmado por colunas torsas.

Planta poligonal composta por três naves, com duas capelas laterais profundas de cada lado, e cabeceira tripartida, tendo adossado à esquerda batistério, corpo e sacristia retangular, à direita, torre sineira quadrangular, sacristia do Santíssimo e anexo. Volumes escalonados e articulados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, de uma nos vários corpos adossados, os laterais integrando claraboias, e de quatro na zona posterior da capela-mor, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, à exceção da capela-mor e do segundo registo da torre sineira, que são em cantaria aparente, percorridas por soco de cantaria, de cunhais apilastrados, rematadas em friso e cornija ou apenas cornija. A fachada principal surge virada a poente, rematada em tabela retangular horizontal, flanqueada por pilastras toscanas, encimadas por pináculos tipo pera sobre plintos paralelepipédicos, ladeada por aletas, percorridas por frisos e com florões, e encimada por frontão em canopo, de iguais características, contendo cartela com atributo do orago e coroado por cruz latina sobre acrotério. A fachada divide-se em três panos, definidos por pilastras toscanas, cada um deles rasgado por duas ordens de vãos, correspondendo no inferior a portais, o central maior, e no superior a janelas. No pano central abre-se portal, em cantaria calcária, de arco em asa de cesto, com duas arquivoltas, assentes em dois colunelos, sobre bases facetadas, cingidas por anéis, as quais se entrelaçam e formam canoupo, com mísula, atualmente desnuda, ladeada por duas mísulas e anjos relevados. O portal é enquadrado por arco trilobado, sobre colunelos, assentes em bases facetadas, cingidas por anéis, e rematado em pináculos de cogulhos vegetalistas, e contrafortes facetados e seccionados, criando nichos intermédios, decorado com elementos vegetalistas e remate em longos pináculos tipo agulha. No intradorso do arco, côncavo, formam-se dois nichos sobre motivos vegetalistas e figura antropomórfica segurando filactera, com baldaquino concheado, rematado em elemento vegetalista, sobreposto por escudos, com as armas de Portugal (esquerda) e os atributos do orago (direita). Sobre o portal abrem-se duas janelas retilíneas, com moldura entre colunas torsas, de terço inferior liso, assentes em mísulas, as quais sustentam frisos e cornijas, coroadas por pináculos e tendo vieiras ao centro; entre as mísulas existem elementos volutados de cantaria, criando falso avental. Nos panos laterais, seccionados em dois registos por cornija, abrem-se portais em arco, com moldura formando recorte superior sobre mísulas, ladeado por duas colunas torsas e terço inferior espiralado, de capitéis coríntios, duas pilastras ornadas de acantos e duas outras com aletas, todas sobre plintos ornados de motivos vegetalistas em cachos, as exteriores coroadas por urnas; superiormente dispõe-se ampla vieira e volutados criando falso frontão interrompido por pináculo gomado. No registo superior, abre-se uma janela igual às do pano central e, na tabela, uma rosácea polilobada. À esquerda dispõe-se o batistério, rasgado por janela retilínea com moldura terminada em cornija e gradeada, coberto por cúpula facetada, rematada por plinto cilíndrico com cruz latina. À direita dispõe-se a torre sineira, de três registos separados por friso e cornija, o primeiro tendo fresta descentrada e o segundo rasgado, em cada uma das faces, por duas ventanas, de arco peraltado, sobre pilastras, albergando sinos, surgindo na face frontal entre as ventanas olho de boi. Remata em friso, cornija e guarda balaustrada, com acrotérios nos cunhais. O terceiro registo, mais estreito, tem em todas as faces relógio circular, moldurado a cantaria, rematando em cornija e platibanda vazada; é coberto por cúpula facetada com lanternim. Fachadas laterais com a nave central rasgada por frestas retilíneas, de perfil curvo ou cruciforme, envolvido por cogulhos vegetalistas, e as laterais, mais baixas, com porta travessa. Na lateral esquerda, o portal possui arco canopial rematado em piáculo de folhas e filactera, envolvido por arco trilobado, com pequenos remates de folhas e de onde partem entrelaçados pináculos com cogulhos vegetalistas, ambos assentes em colunelos de bases facetadas, cingidas por anéis e com capitéis de folhagem. O portal da fachada direita é mainelado, com coluna de fuste espiralado, e duplo arco trilobado com elementos vegetalistas, envolvido por arco em asa de cesto de duas arquivoltas sobre colunelos, de bases facetadas, cingidas por anéis, os exteriores de capitéis igualmente facetados e prolongados por longos pináculos tipo agulha com cogulhos vegetalistas; no intradorso do arco surge decoração em grutescos, tendo no lado esquerdo vestígios de inscrição muito delida. Superiormente desenvolvem-se medalhões com uma figura masculina e outra feminina, envolvidos por arco trilobado de onde partem cogulhos vegetalistas. A torre sineira é rasgada lateralmente, no primeiro registo, por uma fresta, uma janela de sacada mainelada, retilínea e com guarda em ferro e, superiormente, por dois vãos jacentes ladeando brasão com as armas de Portugal e dois silhares com os atributos do orago. Na face posterior, abrem-se três vãos retilíneos jacentes. Os corpos adossados de ambos os lados são marcados por pilastras, sobrepostas por gárgulas zoomórficas ou antropomórficas, rasgadas por vãos de perfil abatido, gradeados, ou frestas retilíneas, sendo as capelas cobertas por domo, a primeira da fachada direita com lanternim coroado por globo e cruz latina. A fachada posterior da nave termina em empena, coroada por cruz latina e rasgada por janela retilínea. A capela-mor tem dois tramos, marcados por contrafortes, coroados por pináculos piramidais sobre plintos paralelepipédicos e integrando gárgulas zoomórficas. O segundo tramo remata em friso de florões e cornijas em toros, com pináculos iguais nos cunhais. Lateral e posteriormente abrem-se amplos vãos em arco, os laterais gradeados e o posterior sobre colunelos com intradorso côncavo em cantaria, entre frestas e duas gárgulas de canhão. A fachada posterior da sacristia é rasgada por vãos jacentes gradeados, no soco, e por duas janelas gradeadas e uma outra jacente. INTERIOR com as naves separadas por sete arcos de volta perfeita sobre colunas, com estuques pintados a marmoreados fingidos e no intradorso dos arcos com motivos vegetalistas em estuques relevados, possuindo superiormente frestas. As paredes são rebocadas e pintadas de branco, as naves com pavimento em soalho de madeira e coberturas de madeira, na nave central, mais alta, em masseira, sobre travejamento, e com tirantes de ferro. Possui coro-alto de perfil contracurvo, sobre as três naves, com guarda em falsos balaústres planos e vasados, acedido pelo lado da Epístola e tendo ao centro órgão positivo. O portal axial é protegido por guarda-vento de madeira envidraçado, flanqueado por colunas. Na nave central surgem dois púlpitos confrontantes, de talha em branco, de bacia retangular sobre mísula, guarda em balaústres torneados tendo ao centro elemento plano com atributos do orago, encimados por baldaquinos facetados, sobre mísulas de estuques, com lambrequim e borlas, rematados em elementos volutados, acantos e cartelas recortadas, tendo inferiormente resplendor com pomba do Espírito Santo; os púlpitos são acedidos por escada de madeira, contornando as colunas. Na nave do Evangelho surge o antigo batistério, hoje capela das Almas. Em ambas as naves existe uma capela retabular à face e duas profundas, as do lado do Evangelho dedicadas, respetivamente, a Santo António, o atual batistério e a São Roque, e as do lado da Epístola, dedicadas a Nossa Senhora de Fátima, à Imaculada Conceição e ao Sagrado Coração de Jesus. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, decoradas com motivos vegetalistas relevados, encimadas por espaldar de talha em branco, decorado com motivos volutados, vegetalistas e acantos, integrando ao centro brasão com as armas de Portugal, entre anjos atlantes, e janela retilínea com vitral representando o orago. O espaldar é ladeado por dois longos pináculos longilíneos com cogulhos vegetalistas. A capela-mor é coberta por abóbada estrelada de dois tramos, com bocetes em florões e assente em mísulas. Lateralmente comunicava com os absidíolos por arcos apontados sobre colunelos, atualmente entaipados. Sobre o supedâneo, com acesso central, dispõe-se lateralmente cadeiral, de talha em branco, com alto espaldar, seccionado por colunas torsas, individualizando os assentos, rematados por espaldar recortado e decorado com figuras antropomórficas sobre mísulas e coroadas por palmas vazadas. O retábulo-mor, em talha pintada de branco, tem corpo côncavo e um eixo, definido por quatro pilastras, ornadas de acantos, e quatro colunas, com parras e pâmpanos, assentes em dupla ordem de mísulas ou sobre mísulas e atlantes, as quais se prolongam no remate da estrutura em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio e tendo ao centro cartela com insígnias do orago, envolta por volutas. Ao centro abre-se tribuna, em arco de volta perfeita, sobre pilastras e de boca rendilhada, interiormente de perfil curvo e revestido a apainelados de acantos, e com cobertura em quarto de esfera, semelhante, sobre cornija, que é interrompida ao centro para receber baldaquino. Alberga trono de quatro degraus contracurvos, com acantos, sobreposto por urna eucarística. Sotobanco contracurvo com apainelados de acantos e vieira central. Frontal paralelepipédico, com frontal de tecido. Os absidíolos possuem acesso por arco de volta perfeita sobre pilastras, revestido a talha pintada e dourada, com elementos vegetalistas, albergando no interior retábulo de talha pintada e dourada, o do Evangelho dedicado a Nossa Senhora do Rosário e o da Epístola ao Santíssimo Sacramento. A partir da capela de São Roque acede-se à sacristia, com amplo arcaz ao longo da parede direita, formado por série de três gavetas, separadas por quartelões, com escudetes de metal amarelo. É encimado por alto espaldar, decorado com almofadas retangulares sobrepostas, separadas por colunas torsas sobre mísulas e de capitéis coríntios, rematando em platibanda e friso vasado, com pináculos adelgaçados no enfiamento das colunas. Em eixo possui a casa do lavabo, acedido por arco de volta perfeita, interiormente revestido a azulejos de figura avulsa, enquadrado arco de volta perfeita onde se insere o lavabo de espaldar, rematado em frontão interrompido e com bicas vertendo para bacia retangular pouco profunda.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e pintada; soco, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, pináculos, cruz e elementos decorativos no exterior em cantaria de basalto aparente, exceto o portal axial e o lateral direito que é em cantaria calcária; portas de madeira pintada; vãos com vitrais; lavabos em mármore; decoração em estuques pintados ou relevados; pia batismal em cantaria aparente; retábulos em talha pintada e dourada; guarda do coro-alto, púlpitos e cadeiral de talha em branco; pavimento em soalho e lajes de cantaria; coberturas de madeira, em falsa abóbada de berço, de estuque ou em abóbada ou cúpula de cantaria; cobertura de telha.

Observações

*1 - A norte da primitiva ermida de São Sebastião existia uma fonte, de onde bebiam os habitantes de Ponta Delgada, que depois, com a construção da igreja, ficou dentro de uma nave.