Forte construído na década de 70 do séc. 16 e re-edificado em 1698, por D. Pedro II, tendo sido a primeira grande fortificação marítima na cidade, cruzando fogos com a Fortaleza do Monte Brasil, para defender o porto de Pipas, o mais importante ancoradouro e estaleiro da ilha, onde escalavam as embarcações da Carreira da Índia e as frotas do Brasil. Apresenta traçado abaluartado, adaptado à morfologia do terreno, de planta pentagonal irregular, composta por cortinas a estreitar e com pendente de norte para sul, tendo um baluarte a NO., um meio baluarte a NE., este com praça baixa, um meio baluarte a este e outro a oeste, um redente agudo a sul e, por fim, uma bateria baixa poligonal, de construção oitocentista, também a sul. Estruturalmente conserva com poucas alterações a estrutura primitiva, ainda que tenha sido demolido o revelim que cobria a N. o portal e a cisterna interior, que tinha capacidade para 33.000 litros de água. A escarpa exterior é em talude, rematada em cordão e parapeito liso ou de merlões e canhoneiras, integrando guaritas circulares na face virada a terra, onde se rasga também o portal de acesso, em arco de volta perfeita, encimado por brasão real, com ponte de cantaria sobre o fosso. No interior tem pátio de armas irregular, tendo a norte o antigo corpo da guarda e caserna, de planta retangular e fachadas de um e dois pisos, respetivamente, rasgados por vãos retilíneos. A antiga casa do governador, também retangular, tem dois pisos, contrafortados na fachada posterior, e vãos retilíneos, mas de maior cuidado decorativo, já que os do segundo piso têm avental rematado em botão. O acesso aos baluartes faz-se por escadas ou rampas, existindo rampas de comunicação com casamata soterrada e abobadada. Sob o terrapleno dos baluartes possuía ainda paióis. Alguns autores pensam que a cortina virada a este foi construída no período Filipino, a qual integra casamata retangular soterrada, coberta com abobada de berço e rasgada por canhoneiras a este e amplo vão a norte, possuindo assim dois níveis de tiro. A bateria baixa da Heroicidade foi construída em 1828 para reforço da frente sul., sendo seccionada por uma bateria coberta, possivelmente construída durante as grandes guerras do séc. 20, tal como devem datar desse período os vãos nos flancos do baluarte e meio baluarte virados a norte. Conserva ainda um sistema subterrâneo de condução de águas, de oeste para este com 1,5 a 2 m de altura, construído em 1850 pela Câmara.
Planta pentagonal irregular, composta por um baluarte poligonal irregular disposto a NO., por um meio baluarte a NE., este com praça baixa, um meio baluarte virada a E. e um outro a O., desiguais, e por cortinas que se vão estreitando de N. para S., até se encontrarem a S. num redente agudo, sob o qual se construiu posteriormente uma bateria baixa poligonal, denominada bateria da Heroicidade. Adaptando-se ao declive do terreno, organiza-se em três ordens de baterias, as dos baluartes mais elevadas, a 32,70 m acima do nível do mar, a do pátio de armas a 26,60 e a bateria baixa a 13,40 m. Apresenta paramentos em talude, com a escarpa exterior em alvenaria de pedra irregular, com algumas zonas rebocadas, sobretudo nos parapeitos, e com cunhais aparelhados, coroados por cordão (exceto no troço O. do redente) e parapeito liso (a N., excepto nos flancos dos baluartes, e a O.), ou de merlões e canhoneiras (a E. e na bateria da heroicidade, neste último caso com merlões de grande espessura). Na cortina virada a N., com fosso inclinado e com pendente para O., rasga-se a porta fortificada em arco de volta perfeita, com aduelas largas sobre os pés direitos encimado, sobre o cordão, por brasão com as armas reais e lápide inscrita, ladeadas por duas pilastras toscanas suportando entablamento. O portal é precedido por ponte de cantaria, construída sobre o fosso, assente em dois arcos de volta perfeita, e o último tramo sobre dois vãos de verga reta, com guarda plena de cantaria. Nos ângulos flanqueados do baluarte e meio baluarte virados a N. elevam-se sobre o parapeito guaritas cilíndricas com cobertura em domo coroada por pináculo piramidal. Os flancos destas estruturas são rasgados por dois vãos jacentes para artilharia. No meio baluarte O. o parapeito no ângulo flanqueado é encimado por falsa guarita quadrangular, rasgada por um ou dois vãos em arco de volta perfeita. A cortina virada a E. é rasgada no terço superior por sete canhoneiras em arco abatido e, no ângulo virado a N., por amplo vão em arco de volta perfeita, sobre pilastras. INTERIOR com trânsito abobadado. No terrapleno, à face interna da cortina N. adossam-se dois corpos, volumetricamente distintos, com coberturas em telhados de uma água ou em terraço, e fachadas rebocadas e pintadas de amarelo, com molduras dos vãos a branco. O corpo mais baixo, correspondente ao antigo corpo da guarda, termina em beirada simples, e é rasgado por arco de volta perfeita, no enfiamento do trânsito, entre janelas de peitoril, uma à esquerda e duas sobrepostas à direita, junto a contraforte. O corpo mais alto, correspondente à antiga caserna no piso térreo e ao alojamento do ajudante no piso superior, termina em platibanda plena, e é rasgado ao centro por portal de verga reta encimado por óculo circular e, de cada lado, por quatro janelas de peitoril sobrepostas duas a duas. A NE. ergue-se a antiga casa do governador, de planta retangular composta por dois corpos paralelos, o virado a E. mais longo, com volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas. Tem fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de amarelo e faixa a preto, terminadas em beirada dupla e rasgadas por vãos retilíneos com molduras pintadas de branco. A fachada virada a O. é rasgada no piso térreo por duas portas e no segundo por três janelas de peitoril com avental terminado em botão e na virada a S. por três janelas iguais no segundo piso. A fachada virada a E., a mais comprida, é reforçada por dois contrafortes, e rasgada no piso térreo por portas e no segundo por janelas de peitoril, a do extremo esquerdo com avental. A NO. e ao longo da cortina O. erguem-se as construções modernas da pousada, de volumes escalonados, cobertos em terraço, e fachadas de dois pisos rebocadas e pintadas de cor clara. Antigo pátio de armas com zonas arrelvadas, largos passeios lajeados, bancos de cantaria e piscina a O.. A praça baixa do meio baluarte NE. é acedido por escadas de cantaria junto à fachada E. da casa do governador, e possui no topo virado a S. arco de volta perfeita semi-entaipado. O acesso ao meio baluarte O. faz-se por rampa disposta junto à pousada. No pátio existem ainda duas rampas, uma perto da casa do governador, de acesso a uma casamata soterrada e com abobada de berço, sobre friso, rasgada a E. pelas sete canhoneiras e a N. pelo vão em arco sobre pilastras; a outra, mais a S., comunica com a bateria da heroicidade, por meio de um túnel curvo, tendo no término portal de verga reta, rasgado no ângulo S. do redente. Esta bateria é seccionada em dois, tendo nos ângulos da face mais a S., dois vãos estreitos para artilharia. No flanco N. da seção maior possui ainda porta de verga reta de acesso ao porto das Pipas.
Materiais
Estrutura em alvenaria de basalto aparente ou rebocada; cordão, brasão, lápide, ponte, abóbadas e outros elementos em cantaria de basalto; placa de betão; portas de madeira; caixilharias, portas e outras estruturas da pousada em perfil de aço; vãos com vidros simples; cobertura de telha ou em terraço.
Observações
*1 - O Posto de Desinfeção destinava-se à desinfecção de pessoas, roupas, bagagens e mercadorias que chegassem por mar, mas foi concebido para também responder ao frequente aparecimento e desenvolvimento na ilha Terceira de doenças epidémicas, como a febre tifóide, meningite cérebro-espinal, difterias, varíola, tuberculose, escarlatina, carbúnculo e sarampo. O projecto inicial incluía o rasgamento da cortina a O., para acesso ao interior do forte, o que levou o Exército a pedir o embargo das obras, opondo-se a essa alteração da estrutura arquitetónica, pelo seu grande valor. *2 - No séc. 20 o forte foi sucessivamente ocupado pela Bateria de Artilharia de Defesa Móvel de Costa n.º 2, Depósito de Presos da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, Quartel das Forças Britânicas, 3.º BE do GACA n.º 1 da Base Aérea n.º 4, Serviço de Obras de Engenharia do Comando Militar da Terceira, e Capitania do Porto de Angra do Heroísmo. *3 - O forte na segunda metade do séc. 20 tinha ainda acesso pelo chamado "Caminho de Cima", hoje desaparecido, e pela rampa do varadouro do porto de Pipas, hoje bloqueada.