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Autarcas evocaram conquistas de abril e as ameacas a democracia em tempos de pandemia

O município de Alenquer assinalou domingo os 47 anos da revolução dos cravos com uma sessão solene com início pelas 10h, com o hastear das bandeiras nos Paços do Concelho e saudação do grupo motard Tigres da Estrada às entidades oficiais presentes na cerimónia.

Seguiram-se as intervenções do presidente da Assembleia Municipal de Alenquer, Fernando Silva, do presidente do município de Alenquer, Pedro Folgado e das forças políticas com assento na Assembleia Municipal, no salão nobre dos Paços do Concelho

Devido às medidas de prevenção e controlo da infeção covid-19, previstas no plano de contingência da Direção-Geral da Saúde, a sessão no salão nobre contou apenas com a presença das entidades oficiais e comunicação social, sendo a cerimónia transmitida em live streaming na página do Facebook do município.

Na abertura das intervenções, o presidente da Assembleia Municipal, começou por descrever o 25 de abril de 1974 como “a data em que nos foi devolvida a dignidade e a honra própria de uma cidadania livre, que se pretende justa e igualitária”.

Fernando Silva recordou as mudanças operadas com a revolução e deixou uma homenagem aos autarcas que contribuíram para a construção do Portugal democrático.

“Quem conheceu a realidade antes do 25 de abril e a pode comparar com os dias de hoje, não pode deixar em consciência de se orgulhar com a transformação operada para melhor. E isso deveu-se em parte, ao empenho e proficiência de muitos autarcas, a maioria dos quais cumpriu com denodo a missão que abraçou. É para estes cidadãos exemplares que entendo dedicar-lhes também uma parcela do 25 de abril de 1974”, referiu.

O presidente da Assembleia Municipal, manifestou ainda reservas ao conceito de que “abril não está ainda cumprido”, recordando que não há “revoluções perfeitas no seu objeto final”.

Admitindo que são muitos os problemas da atualidade, como o desemprego, as falhas na justiça, as desigualdades sociais, a falta de habitação ou o acesso à saúde, Fernando Silva defendeu que “é por ainda haver este rol de situações que se deve manter a chama da revolução acesa e combativa, pondo de lado salvadores providenciais e extremismos ideológicos como os que estamos a ver chegar e a envolver alguns cidadãos”.

O autarca concluiu recordando que “a liberdade política não é um privilégio garantido. Exige que se acarinhe e defenda o bem que representa para todos os povos”.

Para Filipa Martinho, do movimento “Filipa Martinho, todos pela Freguesia” de Vila Verde dos Francos, o aniversário da revolução “é uma data para refletir sobre este dia e a importância que teve no Portugal de hoje. Um dia que se renova na esperança de um país melhor para todos”.

A presidente da freguesia de Vila Verde dos Francos recordou ainda que “neste exercício legitimo de liberdade, deve estar também presente a noção de responsabilidade, onde cada um de nós tem de assumir o que diz e o que faz em nome da liberdade. O dever de respeitar o próximo da mesma forma que exigimos respeito por nós próprios”.

José Machado em representação do Bloco de Esquerda, começou por partilhar alguns dados do estudo “A Pobreza em Portugal: Trajetos e Quotidianos”, que revela que 17,2% da população estava em risco de pobreza em 2018, número que “certamente se terá agravado com a pandemia”.

Ainda citando dados do documento, o deputado municipal do Bloco de Esquerda salientou que 33% dos pobres possuem trabalho, o que revela que “em Portugal ter um emprego não é garantia de sair da situação de pobreza”.

Perante estes números, José Machado recordou a Constituição Portuguesa, que afirma ser “obrigação do Estado promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses”.

“Perante os factos descritos e os termos da Constituição, parece-me evidente que Portugal tem de apostar numa estratégia económica completamente diversa da que tem sido adotada, e que promova em todos os campos económicos e sociais políticas que invertam a situação caótica de pobreza e desigualdade em que vivemos”, sustentou.

“Não cumprir esta obrigação, como tantas vezes se verificou na nossa história, significará que este investimento mais uma vez não desenvolverá suficientemente o país e acabará em grande parte nos bolsos de alguns, aumentando a desigualdade e o nosso atraso”.

José Machado concluiu a sua intervenção afirmando que “o muito que está por realizar, não ofusca, no entanto, o movimento dos capitães de abril”.

Em representação do CDS-PP, Mário Amaro apelou a “que possamos neste dia colocar de parte o que nos divide e lembrar-nos que como forças democráticas, podemos discordar uns dos outros, podemos estudar os autores e as fontes que entendemos, podemos apresentar-nos a votos e votar nos projetos que consideramos mais adequados e nos quais nos revemos”, recordando que apesar de todas as diferenças ideológicas “há algo que nos une a todos, a liberdade”.

Mário Amaro recordou ainda que “há algo mais que nos une a todos, que é a admiração que temos por aqueles que lutam diariamente para que o mundo mantenha uma réstia de ordem no meio deste caos. Refiro-me aos profissionais de saúde, aos bombeiros, à Proteção Civil, aos voluntários e a todos os que combatem esta pandemia nas mais diversas frentes”.

Ernesto Ferreira, vereador da CDU, afirmou que “comemorar o 25 de abril é também assumir os valores e a importância da luta. Como a que foi antes para derrubar o fascismo”.

Para o dirigente comunista, é urgente “conquistar direitos e rendimentos, reclamando respostas para os problemas mais imediatos dos trabalhadores e do povo que décadas de políticas de direita e 30 anos de integração capitalista Europeia confiscaram ao povo português”.

Para Ernesto Ferreira, celebrar abril “é assumir a necessidade de uma política alternativa que valorize a produção nacional, promova o emprego, valorize o trabalho e os trabalhadores, liberto o país da submissão do Euro, e os constrangimentos da União Europeia. Que promova a renegociação da dívida e o controle público da banca, promova as funções sociais do Estado e recupere a soberania nacional”, sustentou.

Nuno Miguel Henriques, em representação do PPD/PSD, recordou por seu turno que defender abril “não compete apenas aos políticos, compete a todos nós. Compete-nos a todos votando, participando, opinando, reclamando. Porque o silêncio é cúmplice do sistema corrupto e injusto que às vezes temos no nosso país. Com sangue lusitano de um povo de poetas e descobridores, tentaremos contrariar esta realidade porque a democracia moderna está mesmo nas nossas mãos”, defendeu.

“Porque a minha pátria é a língua portuguesa e como escreveu Luís Vaz de Camões e se entoou como cantiga de intervenção nos anos 70, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades». E por isso viva a liberdade, viva a democracia, vivam os trabalhadores portugueses, viva Portugal e que o 25 de abril se pratique e celebre sempre e em todo o lado”, concluiu.

José Barros Martins, presidente da União de Freguesias de Carregado e Cadafais em representação do PS, começou por recordar que “os erros do passado são as lições para o futuro. A democracia faz-se de pluralismo, de debate, de alternativa, assim quem se pretenda alternativa de um lado e do outro, demonstre em permanência a humildade e a competência para tanto”.

O autarca socialista apelou ainda à união das forças políticas “no essencial sem com isso negarmos a riqueza do confronto democrático, em que executivos aplicam as suas ideias e oposições robustecem e enriquecem as suas alternativas. Troquemos as emoções pelo bom senso, as cores pela razão”.

Para José Barros Mendes “a democracia criada a partir de abril de 1974 tem de ser recriada todos os dias, para também todos nós honrarmos a democracia e servi-la renovando o que importa renovar, debatendo o que há a debater, sonhando o que há a sonhar. O 25 de abril de 1974 não pode ser propriedade de ninguém. Tal seria desvirtuar o espírito de abril. Foi esta a herança do jovem capitão Salgueiro Maia, aquele que contribuiu de forma decisiva para aqui estarmos hoje”, concluiu.

A cerimónia encerrou com a intervenção do presidente do município de Alenquer, Pedro Folgado, que alertou para o ressurgimento dos movimentos populistas e que ameaçam a democracia.

“No horizonte vislumbram-se tempos que não auguram nada de bom para os regimes democráticos (…) o que outrora não passavam de pequenas e distantes nuvens desenvolveram-se em tempestades que já pairam sobre nós. Vultos de fantasmas que julgávamos mortos, agigantaram-se e são hoje uma realidade concreta e tangível (…) os campos que são votados ao abandono definham e são conquistados por ervas daninhas (…) dando origem a matos espinhosos e improdutivos. Assim é a democracia. Anos e anos de maus tratos conduziram a um estado de alma que escancarou portas e janelas a indivíduos e movimentos oportunistas, que pululam de terra em terra recitando poemas melosos a contento dos desinformados, que convenhamos, na era das fake news e desinformação manipulada são cada vez mais”, alertou.

Para o presidente da autarquia, urge por isso, “ressuscitar os valores de abril em toda a sua amplitude (…) urge cuidar do nosso sistema democrático, perceber que nada é adquirido e que temos de defender o que de mais valioso há. A nossa liberdade. Uma liberdade que não nos é dada, mas que tem de ser conquistada”, salientou.

Para Pedro Folgado, a educação terá de ser a chave para combater estes movimentos extremistas. “Se há coisa que o contexto pandémico nos veio ensinar é que temos de estar ainda mais vigilantes. Que os valores de abril têm de ser ensinados com profundidade nas escolas e incutido nos mais jovens. O 25 de abril não é um assunto de velhos, o 25 de abril é sobre a vida que temos e a vida que queremos ter. O 25 de abril é sobre o futuro que queremos construir, sobre uma sociedade melhor, meritocrática e equitativa”, concluiu.

Após a cerimónia, a comitiva oficial foi convidada a participar na inauguração das obras de alargamento da estrada do Carvalhal em Meca numa zona de curva, acompanhadas da construção de um muro de suporte de terras. Esta obra decorreu no âmbito do Orçamento Participativo de Alenquer, com financiamento no âmbito de um contrato inter-administrativo, e a inauguração contou com a presença do presidente do município e do presidente da freguesia de Meca, Benjamim Ferreira.

Foi ainda inaugurado um parque infantil em Lapaduços, também resultado de um contrato inter-administrativo, entre o município de Alenquer e a freguesia de Vila Verde dos Francos.

Para a construção deste equipamento, foi doado parte de um terreno de uma munícipe, Maria Ferreira da Cunha, facto que ficou assinalado com uma placa de homenagem descerrada pelo presidente do município e pela presidente da freguesia de Vila Verde dos Francos, Filipa Martinho, na presença da homenageada.




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