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Requalificação da Praça da Corujeira é peça central para a reconfiguração urbana da zona envolvente

A solução vencedora do concurso de conceção para a requalificação da Praça da Corujeira e da sua envolvente foi hoje formalmente apresentada ao Executivo Municipal pelo arquiteto Miguel Melo, do atelier Miguel Melo Arquitetura, em Guimarães. Além dos dois hectares de espaço verde a intervencionar, o projeto que assume como "elemento primordial" a valorização da estrutura arbórea pré-existente e dos seus icónicos plátanos, aposta ainda numa estratégia de mobilidade sustentável, compatível com a fruição do parque por toda a população. A ligação ao Matadouro faz parte dos planos de um projeto que impulsiona a reconfiguração urbana do eixo central da freguesia de Campanhã. O "trabalho começa agora", disse no final da apresentação o vereador do Urbanismo, Pedro Baganha, explicando que o projeto nasce de uma ideia que o Município pretende ver concretizada para a Corujeira, mas que terá agora de ser afinada e maturada. Por esse motivo, a autarquia avança desde já com a construção de um parque infantil na praça, que deve ficar concluído durante o próximo ano, para que a população faça uso do equipamento enquanto as obras não avançam, antecipou, por sua vez, o vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, responsável pelo Pelouro da Inovação e Ambiente. Mas se é certo que o caminho a percorrer ainda é longo - tanto que Pedro Baganha antecipa que "o Matadouro vai andar mais depressa do que praça fronteira ao mesmo", tendo em conta que o projeto vai implicar "uma reflexão" sobre a reconfiguração urbanística de toda a envolvente, incluindo a Rua de São Roque - facto é que este "conjunto de ideias" tem pernas para andar. Produzido por uma equipa técnica pluridisciplinar, liderada pelo arquiteto Miguel Melo, "seduziu o júri do concurso", desde logo pela "perceção da massa arbórea como mais-valia", sinaliza o vereador do Urbanismo. Fator, aliás, escalpelizado pelo autor do projeto, que na sua intervenção sublinhou que "os plátanos mantêm-se como a referência e a centralidade" de um projeto que tem como um dos seus principais objetivos "preservar a manutenção paisagística existente, bem como melhorar a qualidade ambiental nos arruamentos contíguos ao parque". As questões ambientais fazem efetivamente parte do núcleo de um projeto que "sempre que possível vai procurar promover a permeabilidade do solo na área de intervenção", bem como "a criação de espaços verdes com necessidades de manutenção e consumos de água reduzidos". Mas não só. Na Praça da Corujeira e envolvente estão identificados "problemas sociais, a degradação espaço público, constrangimentos viários, que objetivamente foram condicionando a vivência social, económica e habitacional", referiu o arquiteto. Razão pela qual o projeto surge da necessidade de preservar, requalificar e revitalizar. Contudo, "preservar não é musealizar", atestou o responsável, referindo que há que fazê-lo "com ideias assentes na valorização do património local e potenciando a ligação à malha envolvente, não descurando as novas dinâmicas urbanas previstas para este território".É nesse sentido, por isso, que na área bruta com cerca de 23.612 metros quadrados (mas com área de intervenção de aproximadamente 44.450 m2), a solução que venceu o concurso de ideias visa tem também um forte pendor na "promoção de acessibilidades para todos". Neste aspeto, a equipa de projetistas propõe aproveitar os eixos de ligação pedonais existentes, que serão "privilegiados, melhorados e alargados, não descurando também as ligações visuais" que se possam vir a formar, pois do estudo previamente feito in loco, informou o responsável, ficou a saber-se que existe uma grande franja da população que utiliza a praça como eixo de atravessamento. "Propõe-se o atravessamento da área do parque por ciclovias e a interligação com a envolvente", confirmou ainda Miguel Melo, esclarecendo que é intenção do projeto "minimizar o impacto da circulação viária na área de intervenção". Assim, "as redes viárias serão uniformizadas nas suas dimensões, privilegiando as hierarquias existentes, nomeadamente a ligação da Avenida de 25 de Abril com a Travessa de Ferreira dos Santos e os eixos da Rua das Escolas e da Rua de São Roque da Lameira", detalhou. Também as passadeiras serão adaptadas aos invisuais e na circundante haverá "zonas 30" (zonas com velocidade máxima de 30 quilómetros/hora), em que se conjugarão automóveis, peões e bicicletas, de modo a contribuir para um outro objetivo: "mitigar as acumulações de tráfego e melhorar a fluidez de trânsito", assim como "baixar os índices de poluição registados". Quanto ao estacionamento, será "sistematizado" com o apoio da arborização prevista. Edifício-bar à cota das árvores No projeto de arquitetura vencedor, inclui-se um novo elemento de construção, que é "o edifício-bar". O equipamento funcionará como bar, café, quiosque e sanitários. Localizado a uma cota superior, "vai comunicar sensorialmente e de forma distintiva com a natureza, misturando-se com ela", ressalvou Miguel Melo. Por toda a futura Praça da Corujeira, é proposto que a iluminação seja feita "por fios suspensos em postes de ferros a instalar entre a arborização - uma iluminação em ramada, em que a contemporaneidade é inspirada na tradição". Também os plátanos contarão com uma "iluminação cénica". Ligação entre a Praça da Corujeira e o Matadouro privilegiada A ligação entre a Praça da Corujeira e a entrada do Matadouro será efetuada por uma artéria que os arquitetos pretendam que seja uma rua pedonável e clicável: "a Rua Nova da Corujeira", nomeou Miguel Melo. Sobre esta questão, o arquiteto adiantou também que será importante "a demolição do muro" da entrada do Matadouro, "de forma a criar uma transparência visual e funcional", propondo, contudo, a manutenção dos pilares dos muros existentes. O investimento estimado para a "nova" Praça da Corujeira, que incluirá espaços de fruição para toda a população, tendo inclusive previstos áreas para a prática de jogos tradicionais, é de, aproximadamente, 4,4 milhões de euros.



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