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Há um silêncio sepulcral do Presidente da República e do primeiro-ministro sobre a TAP, diz Rui Moreira

O presidente da Câmara do Porto considera "sepulcral" o silêncio do Presidente da República e do primeiro-ministro sobre a TAP e critica o claro desinvestimento da empresa no Aeroporto Francisco Carneiro. Em entrevista exclusiva à TVI, Rui Moreira diz que a companhia de bandeira nacional é "gerida de uma forma centralista" e que tem "uma obsessão" que pode interessar a Lisboa, mas que não interessa ao resto do país. Segundo o autarca, a operadora área toma decisões erráticas de gestão, divisionistas, devido "à visão dos políticos". Na entrevista ao jornalista João Fernando Ramos, Rui Moreira declarou que "a culpa não é de facto da TAP. É de quem manda da TAP". Ora desde que a empresa se tornou maioritariamente pública, o autarca imputa essa responsabilidade ao Governo. "Aquilo que acontece já não é aceitável. O que vemos é que há dois pesos e duas medidas. Ou seja, quando se avalia o interesse estratégico da TAP para Portugal, considera-se que o interesse estratégico para Lisboa é óbvio e indiscutível. Quando se olha ao resto do país, analisa-se a TAP como se fosse uma empresa privada, por arbítrio que, se quisermos, seria razoável do ponto de vista do conceito privado, uma análise custo-benefício". No entanto, essa avaliação não é razoável, tendo em conta que o Estado optou pela renacionalização, continua. Como exemplo a este propósito, o presidente da Câmara do Porto mencionou, na entrevista, as declarações do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, sobre as quatro rotas do Porto que darão prejuízo. "O senhor ministro disse que os voos que a TAP está a fazer no Porto, neste momento, têm 47% taxa de ocupação e não cobrem os custos variáveis, portanto dão prejuízo". Se assim é, Rui Moreira exige ver algumas questões esclarecidas. "Fica por saber, em primeiro lugar, qual é a ocupação dos voos de Lisboa", referiu. Na verdade, alguns desses números foram descortinados hoje pelo Jornal de Notícias, que informa que há voos da TAP de Lisboa com 15% de taxa de ocupação, comentou o autarca na entrevista à TVI. "Não pagam os custos variáveis. Ficamos sem perceber porque é que a TAP, então, em Lisboa não ganha dinheiro", ironizou. Por isso, quando ouve o ministro colocar em questão a rota Porto-Ponta Delgada, não hesita em dizer: "Se não for a TAP, teremos de contratualizar fora, não tenho dúvidas". Visão centralista A consulta ao mercado da aviação comercial para suprir uma falha que a TAP não cobre é a solução que Rui Moreira defende para o Aeroporto do Porto. O sucesso, esse, estará garantido; basta olhar para o panorama atual, sustenta. "No terceiro trimestre deste ano, a companhia área que transportou mais passageiros para o Aeroporto Francisco Carneiro foi a Lufthansa. Não foi a TAP. A Lufthansa não nos custa um tostão. Pergunto? Porque é que a TAP é diferente? Se é para ser uma companhia de bandeira, ao menos que seja competitiva com a Lufthansa. E nem me venham falar em condições salariais. Tenho a certeza absoluta que os pilotos da Lufthansa ganham mais que os pilotos da TAP e que o pessoal de cabine também ganha mais". Na opinião de Rui Moreira, "há de haver, portanto, alguma razão pela qual a TAP é gerida de uma forma centralista, e por que tem uma obsessão. Essa obsessão pode interessar a Lisboa, que é respeitável, ao resto do país não interessa, ao Porto seguramente não interessa", reiterou o autarca, que recordou ainda na conversa com João Fernando Ramos que a anterior administração da empresa, sob a liderança de Fernando Pinto, defendia que a TAP só devia ter um hub em Lisboa, visão essa que - acredita - não se dissipou. "Agora não peçam é que o todo nacional a pague", declara. "O que o senhor ministro não pode dizer é que a TAP é do povo para o bem e para mal, quando pelos vistos só interessa ao povo de Lisboa", reforçou Rui Moreira, acrescentando que a visão do ministro "é a visão do país". Até porque, constata, "não vi nenhum partido político, nas últimas 48 horas, a tomar alguma posição a favor daquilo que disse o presidente da Câmara do Porto". Silêncio "sepulcral" que se estende ao Presidente da República e ao primeiro-ministro. "O senhor Presidente da República, que eu saiba, a única coisa que disse foi que relativamente à TAP e ao Aeroporto Francisco Carneiro que era preciso ver". Já o primeiro-ministro, António Costa, Rui Moreira diz que "fala através do senhor ministro". Assim sendo, continua, "a única coisa que vai dizendo é que o senhor presidente da Câmara não é dono do Aeroporto Francisco Carneiro, claro que não sou; que não sou líder do Norte, claro que não sou. Mas mesmo que não fosse presidente da Câmara do Porto tinha todo o direito de dizer o que digo enquanto cidadão do Norte", remata. Também neste sábado Rui Moreira assinou uma crónica no Expresso, a convite do semanário, referindo que "é difícil gostarmos de quem nos abandona".



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