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Empresários da cidade dão a volta à crise e produzem viseiras de proteção para entrega aos hospitais

Apoiar os hospitais e os profissionais de saúde é o que move o VIVALab, o OPOLab e a DGA, empresas da cidade que estão a reformatar os seus negócios, canalizando matéria-prima e esforços para produzir viseiras de proteção individual. Constituem apenas alguns exemplos da capacidade do tecido empresarial do Porto de se reinventar em tempos de crise, numa lógica de contributo para o bem comum.

A inércia não é palavra que faça parte do léxico destes empreendedores. Nesta fase difícil, "servir a comunidade" é a prioridade, diz João Leão, cofundador do VIVALab, um laboratório de fabricação digital focado em Educação, Inovação e Design, onde crianças, jovens e adultos podem desenvolver a sua criatividade. Contudo, neste momento, estes fazedores (ou makers) estão direcionados para um outro desafio: produzir viseiras de proteção para os hospitais da cidade, nomeadamente o Hospital de Santo António e o Hospital de São João. Começaram a organizar-se para esta tarefa há cerca de três semanas, ainda antes do país prever essa necessidade. João Leão explica porquê: "Um dos sócios do VIVALab, Tauan Bernardo, tem uma irmã médica em Itália, que já vinha relatando as dificuldades com que os hospitais se batiam diariamente", relata. Este tempo de avanço jogou a favor da equipa, que contactou aqueles dois hospitais e logo reuniu com os profissionais de saúde para perceber quais eram as suas reais necessidades. Identificados os produtos - "viseiras para quem está na linha da frente a cuidar dos infetados e óculos para quem faz os rastreios" - puseram mãos à obra. Os protótipos foram desenvolvidos em tempo recorde e na semana passada já tinham os primeiros. A produção em série aconteceu no início desta semana e num só dia o VIVALab, com a ajuda de voluntários, produziu 300 viseiras. Nesta fase, acertaram produzir um total de "2.000 viseiras para o Hospital de Santo António e 1.000 para o Hospital de São João". E já conseguiram encurtar o tempo de produção de cada uma de 5 para cerca de 1,5 minutos. O "segredo" do modo de fabricação é, aliás, partilhado online, para que se possa iniciar uma produção nacional distribuída a nível local, até porque já chegaram pedidos de médicos e enfermeiros das regiões de Lisboa e do Algarve, que o VIVALab está a redirecionar para os Fab Lab (fábricas de produção digital) mais próximos. De Trás-os-Montes ao Brasil, esta produção 3D está a ser muito procurada. Graças ao apoio de fornecedores e parceiros na indústria local, têm conseguido suportar os custos de produção. Mas com o adensar de volume de produto, lançaram uma campanha de crowdfunding. Também a Câmara do Porto já se prontificou a auxiliar na logística, escoando os materiais para os hospitais, informa João Leão. Da OPOLab surge-nos um outro exemplo. João Feyo conta ao "Porto." que a equipa do Oporto Laboratory of Architecture & Design, o primeiro Fab Lab de Portugal, criado em 2010, também já andava atenta às necessidades do pessoal médico e esteve inicialmente envolvida num grupo para o desenvolvimento de ventiladores. Mas como entretanto surgiram muitas outras empresas a querer contribuir nesta área, o OPOLab direcionou-se para as viseiras. Com o apoio da Prusa, empresa de 3D, desenvolveram as primeiras e há cerca de uma semana avançaram para produção própria, com uma particularidade, sublinha João Feyo: "são viseiras 100% reutilizáveis". Neste momento, produzem gratuitamente até quando conseguirem. Vão aproveitando o material em stock e a ajuda dos fornecedores que, sensibilizados para a crise, têm vendido praticamente a preço de custo e vão oferecendo também algum material. A equipa OPOLab mobilizou-se e o trabalho é voluntário. Estão a fabricar entre 150 a 200 viseiras por dia, a partir da Rua de D. João IV, que entregam diretamente a médicos e enfermeiros. Servem os hospitais da cidade do Porto, mas também de Vila Nova de Gaia, Vila do Conde, Braga e Barcelos. Tal como a VIVALab, também João Feyo contabiliza pedidos de outras zonas do país, que igualmente tem direcionado para outras comunidades Fab Lab mais próximas. Empresa familiar apoia o Porto e responde a pedidos do Reino Unido a Tenerife Uma empresa familiar que produz acessórios para automóveis voltou do avesso a sua unidade fabril para corresponder às necessidades dos hospitais da cidade. Localizada no centro do Porto, na Rua de Camões, a DGA iniciou este processo há cerca de duas semanas e ontem, terça-feira, já produzia cerca de 2.000 a 2.500 viseiras por dia, informa Luís Araújo, diretor da empresa. Começou através da Câmara do Porto. Quando perceberam que podiam ser úteis com os seus produtos e know-how (conhecimento), contactaram a autarquia e apresentaram a sua disponibilidade para colaborar. Em contacto contínuo com o Município, testaram os primeiros protótipos, que não demoraram muito a ser aprovados. À data, já fornecem viseiras para o Hospital de São João, estando ainda em contacto com outras unidades de saúde. Num corre-corre diário entre fornecedores e a sede da empresa, Luís Araújo destaca o sentido cívico de todos os envolvidos no processo, desde os fornecedores à cadeia de distribuição. "Todas as empresas e fábricas têm apoiado. Não querem obter lucros e vendem a preço de custo". Mas o elogio não é direcionado apenas para fora. Também os colaboradores da DGA, 13 no total, têm abraçado esta causa, vinca o responsável. Os clientes nacionais e internacionais foram avisados de que a produção da fábrica estava suspensa e tendo começado a circular informação sobre o motivo, não tardaram a chover pedidos de outros países, com particular incidência do Reino Unido e de Tenerife. "Por enquanto, enviámos poucas viseiras para Tenerife. A prioridade são os nossos", remata Luís Araújo.




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