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Apontamentos da Nossa História As Capelas Marianas no Concelho de Paredes

O Culto Mariano está muito presente em Portugal desde os inícios da nacionalidade, mas, vai ser a partir do século XVI que a devoção a Maria se irá intensificar e consolidar.

Essa devoção a Maria, que os cristãos consideram de Mãe e a quem chamam de Nossa Senhora, está muito bem visível nas capelas e ermidas, distribuídas de norte a sul do território do concelho de Paredes, tornando-se, nalguns casos, locais de peregrinação. Refira-se que este apontamento exclui todas as invocações de Maria, associadas às igrejas paroquiais, como padroeiras ou não e capelas particulares.

Trata-se de um património de valor inestimável, do ponto de vista arquitetónico e artístico, mas, também, como reflexo de um património imaterial, assente na religiosidade popular, manifesta nas práticas e festividades religiosas, por parte das gentes deste território, ao longo dos séculos.

Assim, o Culto a Maria procura realçar a sua condição maternal e protetora patente nas múltiplas invocações, com que a comunidade de cada localidade lhe dirige o pedido de bênção e proteção, sendo que algumas das designações vão-se alterando ao longo dos tempos.

No concelho de Paredes identificamos 13 ermidas/capelas públicas cuja invocação e título adaptam-se à dimensão funcional que a comunidade local pretende. Algumas invocações adequam-se à geomorfologia dos lugares e das lendas, tais como, a Ermida da Senhora do Vale, em Cete, que nos seus primórdios terá sido um ermitério isolado, na margem do rio Sousa; a capela do Seixoso cuja construção assenta num filão de quartzo, formação geológica, provavelmente, não compreendida pelos homens; ou, ainda, a da Senhora do Salto, cuja construção, justifica a lenda do milagre do cavaleiro. De um modo geral, para cada um destes locais havia necessidade de pedir proteção a Nossa Senhora e, ao mesmo tempo, cristianizar-se o lugar.

Com uma origem ancestral, a invocação à Mãe Terra, à Mãe Fértil está patente na devoção à Nossa Senhora dos Chãos (Bitarães). O apelo ao auxílio e intercessão de Maria, como mediadora junto de Deus, assente numa profunda fé e confiança, materializa-se nas invocações à proteção divina como observamos através da devoção à Nossa Senhora das Necessidades, à da Piedade ou Quintã (Baltar); à do Bom Sucesso (Vandoma); à da Ajuda ou Purificação (Rebordosa); do Vinhal ou do Alívio ou, ainda, da Encarnação (Lordelo), à da Visitação ou dos Remédios (Aguiar de Sousa).

Na freguesia de Gandra existe a Capela em honra de Nossa Senhora da Conceição firmando a nomeação, no século XVII, pelo rei D. João IV, como Rainha de Portugal, momento a partir do qual os reis portugueses nunca mais voltaram a ser coroados.

A devoção mariana ajustou as muitas Marias a muitos contextos e devoções incluindo o papel de “condutora” no caminho, quer no sentido espiritual como terreno, conforme constatamos nas duas Capelas de Nossa Senhora da Guia, localizadas à margem da Estrada Nacional 15 (Vandoma e Castelões de Cepeda).

A ancestralidade do seu culto está bem visível nas representações escultóricas, algumas das quais são em pedra Ançã e remontam ao século XIV/XV. Maria apresenta-se, habitualmente, representada, com manto azul, na cabeça a coroa real e o menino ao colo ou deitado no seu regaço, à exceção da Nossa Senhora da Piedade.

Porém, pode ainda, assumir atributos que por vezes, ajudam a diferenciar a sua veneração, tais como, frutos na mão (senhora dos Chãos), ou o cetro (Senhora da Guia), ou, ainda, o globo terrestre a seus pés, envolto pela serpente.

A estas capelas públicas de devoção mariana estão associadas celebrações, festividades, peregrinações, cumprimento de promessas e outros comportamentos que passaram a fazer parte integrante da comunidade, da fé popular e como tal, da cultura. Assim, a visita a estas capelas permitirá usufruir de uma viagem pela história e memória devocional, legada pelos nossos antepassados.

BIBLIOGRAFIA

BARREIRO, J. (1922-1924) – Monografia de Paredes. Porto: Tipografia de Laura Couto & Pinto

CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério (2000) - As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património. Braga: Universidade do Minho

CUNHA, R. (1623) – Catálogo dos Bispos do Porto. Porto: Officina PROTOTYPA, Episcopal.

DIAS, Geraldo J.A. Coelho (1987) – A devoção do povo português a Nossa Senhora nos tempos modernos. História: Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nº4.pp. 227-253

 

Junho 2022

Maria Antónia Silva




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