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A Lenda da Truta da Rainha- Viana do Castelo

Há muito tempo atrás, Aragúncia, Rainha de Aragão, foi vítima de uma intriga dos criados do seu marido, o Rei. Um desses escudeiros queixou-se ao seu senhor que Aragúncia se apaixonara, preferindo a companhia de outra pessoa do seu séquito. O rei ficou de tal forma irado que decidiu que Aragúncia deveria morrer. Ao saber da sua sorte, a rainha decidiu fugir.


Disfarçou-se de mendiga, sujou o rosto, despenteou-se e partiu.


Assim que soube desta fuga, o Rei foi no seu encalço. Na verdade, tê-la-ia apanhado facilmente junto ao rio Minho, não fosse a bondade e empatia dos barqueiros que sabendo do sucedido, o demoraram o mais possível. Apenas quando pensaram que Aragúncia teria tido tempo de estar bem longe, atravessaram o Rei para a outra margem. A impaciência do rei era óbvia, de tal forma que já dentro da barcaça, assustou o seu cavalo, quase provocando o afogamento de todos.


Enquanto isso, a Rainha ganhava tempo.


Cansada e sem grandes recursos, Aragúncia decidiu abrigar-se numas escarpas negras que mais pareciam um castelo e que a lenda diz chamarem-se
Penha da Rainha.

 

Quando o Rei chegou e encontrou Aragúncia entricheirada naquele castelo aparentemente sem entrada, mandou cercá-lo. Esperava que através da sede e fome, ela não resistisse.


O tempo passou.


Ao fim de alguns dias, quando a sede surgiu, Aragúncia encontrou uma pequena fonte escondida entre as rochas, saciando a sua sede. Quinze dias passados, a fome abateu-se sobre a Penha da Rainha. Com ela veio também uma águia real que mansamente aos circulos desceu pouco a pouco o penhasco, trazendo nas garras uma truta. Assustada com a presença da Rainha, a ave largou o peixe, fugindo.


Aragúncia, apesar da fome que sentia, embrulhou a truta em folhas de árvore e mandou-a ao rei para que se saciasse.


Diz a lenda que o Rei recebeu a truta num local que desde então passou a chamar-se Trute, onde se instalara na sua espera.


Convencido de que o braço de Deus amparava a sua Rainha, o Senhor de Aragão perdoou-lhe a falta que afinal não cometera e levantou cerco, conformado.


Perdoada, embora inocente da acusação, Aragúncia recusou voltar com o Rei ao Paço, onde passara a sua vida, permanecendo naquele local, onde viveu o resto dos seus dias.


Nesse Castelo, conhecido como Castelo de Furna ou Castelo de Faião, existe uma pequena chã que conserva, dessa época, o nome de Horta da Rainha.


Nas manhãs de S. João, acorre o povo às pias donde jorra a água que um dia matou a sede a Aragúncia, a fim de curar enfermidades de pele.

POR: PNMF




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