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Quer ser astrónomo amador? Siga estas dicas

Gosta de olhar para o céu nocturno? Os astrónomos amadores são pessoas com as mais diversas profissões que se dedicam às observações astronómicas apenas por gosto. Não são os únicos a dedicar-se a uma actividade por prazer: há quem se delicie a pescar, a observar aves, coleccionar folhas de árvores, fósseis, selos ou moedas.

 

O leitor (ou leitora) gostaria de aprender a localizar e identificar estrelas e constelações no céu? Saber como encontrar o Leão, o Pégaso, o Capricórnio ou o Escorpião? Há em Portugal milhares de pessoas que se podem considerar astrónomos amadores. E esses números são ainda maiores nos países mais evoluídos. O leitor (ou a leitora) também poderá vir a ser um astrónomo amador.

Entre os astrónomos amadores há quem observe ocasionalmente e quem o faça assiduamente e conheça o céu como as palmas das próprias mãos. Uns começaram há pouco tempo e outros já observam o céu há dezenas de anos. Alguns fazem só observações visuais e outros preferem o registo fotográfico. A variedade e profundidade de conhecimentos é imensa entre os amadores. E a palavra amador não tem nada de pejorativo.

Os astrónomos profissionais são geralmente doutorados numa determinada área da Astrofísica e dedicam-se à Astronomia como profissão que é a sua fonte de subsistência. Têm obviamente conhecimentos teóricos muito mais profundos do que os amadores e cumprem programas de trabalho bem definidos. Podem aceder a telescópios muito mais poderosos que os dos amadores, mas na maior parte dos casos interpretam dados e não fazem observações visuais. Não possuem prática observacional e conhecimento familiar do céu, que são aspectos típicos dos astrónomos amadores.

Livres dos constrangimentos dos profissionais, os amadores podem escolher o que querem observar, por exemplo, os planetas, a Lua, o Sol, estrelas variáveis, estrelas duplas, cometas,  enxames de estrelas, nebulosas e galáxias. Fazem-no sem limites de tempo e por gosto, desde que a observação seja compatível com o seu equipamento. São quase sempre os amadores que descobrem os fenómenos imprevisíveis. Existem actualmente projectos em que os PROfissionais e AMadores colaboram de um modo activo (projectos PROAM).

Não é preciso ter habilitações especiais para ser astrónomo amador. Porém, as características da formação e profissão de cada um também podem influenciar a escolha das diferentes actividades. E numa associação de astrónomos amadores encontram-se todas as profissões. A maior e mais antiga associação de astrónomos amadores em Portugal é a APAA (Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores), com sede em Lisboa, acessível em http://apaaweb.com/v2013/ (telefone 213 863 702). Existe desde 1976 e publica uma revista: http://apaaweb.com/v2013/index.php/revista.

O astrónomo amador distingue-se do vulgar curioso porque não se limita a ler livros: ele observa mesmo. Podem fazer-se observações a olho nu, com binóculos e com telescópios. É claro que com um telescópio pode observar-se muito mais, e com mais espectacularidade do que a olho nu ou com binóculos, mas tudo isso de nada serve se o observador não conhecer o céu a olho nu, o que qualquer pessoa consegue desde que seja persistente. Por isso, o primeiro passo é mesmo conhecer o céu a olho nu.

Os livros que entusiasmam e incitam à observação do céu, com conselhos e exemplos práticos em linguagem clara, são uma ajuda preciosa para quem quer conhecer o céu nocturno (http://www.wook.pt/product/searchidautores/autor_id/5235/fsel/8066).

Há diversos eventos periódicos (de entrada livre e gratuita) que promovem a troca de informações e de experiências entre os interessados. O prazer crescente pelas observações do céu é ainda evidenciado nos eventos públicos anuais ligados às observações astronómicas, como as Astrofestas (http://constancia.cienciaviva.pt/home/) e a Astronomia no Verão (http://www.cienciaviva.pt/veraocv/).

 

Texto e fotografia de Guilherme de Almeida

 

Como observar um eclipse:

A simples ideia de observar o Sol deve ser motivo de precauções e preocupações extremas. Afinal, o nosso instinto básico, quando acidentalmente encaramos o Sol de frente, é cerrar os olhos e virar a cara. O Sol pode ser perfeitamente observado a olho nu e em absoluta segurança, apenas durante os breves segundos ou minutos em que decorre um eclipse solar total. Em todos os outros, sejam anulares ou parciais, ou durante as fases parciais de um eclipse total, é absolutamente fundamental fazer a observação apenas com os equipamentos e filtros adequados. Mesmo quando 99% da superfície do Sol está escurecida, no decorrer das fases parciais de um eclipse total do Sol, o remanescente crescente da fotoesfera é intensamente brilhante e não pode ser observado em segurança sem a adopção de medidas de protecção ocular.



Nunca tente observar as fases parciais ou anulares de um eclipse a olho nu. A não utilização de equipamentos e filtros adequados podem resultar em danos oculares permanentes ou cegueira imediata.



Para observar um eclipse anular ou as fases parciais de um eclipse total do Sol, torna-se necessário utilizar os mesmos equipamentos, técnicas de observação e precauções, utilizadas durante uma observação solar normal. A forma mais segura e simples de o fazer é utilizando métodos simples (ou mais sofisticados) para efectuar uma projecção do disco solar numa folha de papel branca ou mesmo no chão. 

 


O Sol apenas pode ser observado directamente, a olho nu ou através de equipamentos, utilizando filtros especialmente desenhados para esse fim. Estes filtros utilizam, na sua maioria, uma fina camada de alumínio, crómio ou prata, depositada na sua superfície por forma a atenuar a energia proveniente dos raios ultravioleta, da luz visível e dos raios infravermelhos. Mais recentemente, a folha de mylar tornou-se uma alternativa popular e mais barata. Este tipo de filtro consiste de uma folha muito fina que pode facilmente ser cortada com uma tesoura e adaptada a qualquer tipo de caixa ou equipamento de observação. Pode consultar mais abaixo uma lista de lojas portuguesas de astronomia onde pode encontrar estes filtros. Podemos dizer que nenhum filtro é seguro para utilizar em telescópios, binóculos, ou outros equipamentos de observação, a menos que tenha sido especificamente desenhado para esse fim.



Entre os "filtros" inseguros podemos apontar as películas fotográficas a cores, algumas películas fotográficas a preto e branco que não possuem camada de prata na sua composição, radiografias médicas utilizadas, vidros fumados, lentes e filtros fotográficos de densidade neutra e filtros polarizadores. Geralmente os filtros solares para encaixe nas oculares, vendidos em conjunto com telescópios de baixo preço, são potencialmente perigosos e não devem ser utilizados em nenhuma circunstância. Não experimente qualquer outro tipo de filtro sem ter a garantia de que o mesmo é absolutamente seguro.



Os danos provocados na retina resultam, predominantemente, dos invisíveis raios infravermelhos. O facto de o Sol aparecer escurecido através de um filtro, ou de não sentir desconforto visual ao observá-lo, não garante o mínimo de segurança para os seus olhos. Os raios infravermelhos representam calor e basta que estes façam aumentar a temperatura da sua retina em 0,5º além da temperatura do seu corpo, para que ocorram graves e irreversíveis lesões na retina, muitas vezes só detectadas após alguns anos.



Evite todos os riscos desnecessários. Se achar que necessita de informação contacte um clube de astronomia próximo ou, na sua inexistência, o seu farmacêutico dar-lhe-á todos os conselhos necessários. 


Fonte: Portal do astronomo




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