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Comunidade sobe ao palco para falar do Amor de Shakespeare

Há quem espere com ansiedade a semana terminar para ir aos ensaios. E há quem abdique do tempo livre para decorar falas e posições em palco. Os projetos comunitários são assim: agarram as pessoas e colam-se à sua pele. E os “atores por um dia” vestem as personagens como se o fato lhes tivesse sido feito à medida. Nos dias 25 e 26 de maio, 17 severenses sobem ao palco do Centro das Artes e do Espetáculo de Sever do Vouga (CAESV) para interpretar William Shakespeare em “Quedas D’Água D’Amor”, uma encomenda da Câmara Municipal de Sever do Vouga (CAESV).

Têm entre os 16 e 76 anos e vêm de vários pontos do concelho. Uns estudam e outros estão reformados. O que os une? O gosto pelo teatro e o desafio de poder contribuir para um projeto cultural feito para a comunidade. Entre os que têm uma vocação natural para a interpretação, há quem não veja em si grande talento para o ofício. Nada disso importa, como explica a encenadora Joana Figueira. “A aprendizagem que vivemos e o crescimento que sentimos revela a importância do projeto, na medida em que envolve a comunidade num processo de reconhecimento e intervenção, tanto individual, como coletivo. Ao valorizar o exercício de uma população mais ativa, ocupamos um lugar vazio e damos forma a diferentes dimensões artísticas, sociais e educacionais”, explica a encenadora.

Apesar de nenhum dos atores ser profissional do teatro, engana-se quem pensa que a qualidade foi posta de lado. Muito pelo contrário. A exigência é grande e começa logo pelo texto. Trabalhar William Shakespeare não é para amadores e o grupo tem dado provas do que é capaz fazer em palco. Joana Figueira sabia que este não seria um projeto fácil, mas “fazer chegar as histórias e as mensagens de Amor de Shakespeare à comunidade tem sido gratificante”, explica, acrescentando que, durante os ensaios, “envolvemo-nos uns com os outros, com as palavras e o espaço e temos vivido este processo rodeados de Amor, não fosse esse o tema deste projeto”.

Nos dias 25 (21h30) e 26 de maio (15h00), o público vai sentir a magia e o romantismo das quedas d’água de um dos locais mais oníricos de Sever do Vouga, a Cascata da Cabreia, em Silva Escura, e conhecer as personagens Titânia e Pavão, os patronos das fadas e dos faunos, bem como os (des)encontros amorosos, partidas e verdadeiras paixões dos amantes que se inundam com as “Quedas D’Água D’Amor”. Os bilhetes, no valor de 5 euros, estão à venda nos balcões do Município.

 

 

A encenadora:

“Sabia, à partida, que este não seria um projeto fácil, mas fazer chegar as histórias e as mensagens de Amor de Shakespeare à comunidade tem sido gratificante. Temos vivido os ensaios rodeados de Amor, não fosse esse o tema do projeto. Ao envolver a comunidade, estamos a dar forma a dimensões artísticas, sociais e educacionais, a ocupar um lugar vazio e a dar primazia ao exercício de uma população mais participativa. Como todos os espetáculos de teatro, este também é para o público. Venham connosco brindar a este Amor em Shakespeare. Esta é a partilha que queremos fazer... o Amor... em nós!” Joana Figueira, encenadora.

 

O projeto na voz dos atores:

“Tem sido uma experiência muito boa e foi bom conhecer novos colegas. Os ensaios são muito divertidos e as expetativas para o grande dia são altas. Gostava de ver a casa cheia, uma vez que o nosso empenho e trabalho têm sido muito!” Maria do Carmo Henriques, Sever do Vouga.

“Estou a gostar muito da experiência, gosto de ver caras novas a fazer-nos companhia. Seria uma grande satisfação ter a casa cheia. Parabéns à nossa encenadora pelo seu trabalho e dedicação para nos “aturar”!” Rogério Conceição, Sever do Vouga

“Fazer parte deste projeto tem sido uma experiência fantástica, não só pelo convívio, mas também pela oportunidade de aprender um pouco daquilo que é representar. Este tipo de projetos, que envolvem e ensinam a comunidade, são uma grande mais-valia pelo seu dinamismo e pela transmissão de cultura à comunidade”. Isabela Sá, Pessegueiro do Vouga

“O inesperado aconteceu a partir do momento em que me cruzo com Centro das Artes e do Espetáculo de Sever do Vouga! Sinto-me muito bem neste projeto e sei o quanto é importante “o cidadão comum” ter a oportunidade de “ser ator, não sendo”. Com esta experiência, olhamos para outros saberes que, por vezes, não são conhecidos ou que estão “apagados” dentro de cada um de nós. Através de Shakespeare e da força da Joana (encenadora), bem como de todo o grupo, há um enriquecimento do saber”. Maria de Lurdes Costa, Rocas do Vouga

“É a primeira vez que estou a trabalhar com a Joana e estou a gostar muito. Estudei teatro e estou a adorar esta experiência, como ator e como luminotécnico, pois também realizarei as luzes do espetáculo. É muito bom para a sociedade este tipo de trabalhos embora ainda haja muito pouco nesta localidade. Espero que o público de Sever do Vouga adira a este projeto. É através da adesão do público que se apercebe a importância desses projetos, do quanto são precisos e ajudam a comunidade”. Tiago Santos, Tábua.

“A cultura quando é feita no contexto de uma localidade pequena, como é o caso de Sever do Vouga, deve ser para e com a comunidade. É o que acontece com este projeto que dá corpo à verdadeira forma de fazer cultura. Outra mais-valia é criarmos amizades com pessoas com as quais nos cruzávamos na rua, mas que não passava disso”. Eduardo Veiga, Sever do Vouga.

“Tem sido uma experiência extremamente positiva. Desenvolvemos competências pessoais, sociais, cognitivas, relacionais e estéticas. O grupo é heterogéneo e isso não é um obstáculo para a partilha, muito pelo contrário, temos aprendido muito uns com os outros”. Susana Rodrigues, Sever do Vouga.

“Passo a semana à espera dos ensaios. Sempre gostei de teatro. Ajuda a desinibir, fortalece a nossa autoestima e não nos preocupamos tanto com o que os outros pensam. O grupo é muito bom e tenho aprendido muito!”. Stefan Ribeiro, Paradela.

“Não é a primeira vez que trabalho com a Joana e gostei tanto que voltei. Apesar do grupo ter elementos com idades muito distintas, todos damos muito bem. Participar num projeto da nossa comunidade é gratificante”. Catarina Leitão, Sever do Vouga.

“Já tinha trabalhado com a Joana e a experiência foi tão enriquecedora que, quando surgiu esta oportunidade, não hesitei. Tem sido fantástico e muito saudável. Sair de casa e deixar a família é um sacrifício, mas não é um esforço porque é algo que realmente amo fazer. O grupo é “top”!”. Ana Conceição, Sever do Vouga.

“É um ótimo convívio. Já trabalhei com a Joana e adoro. O conhecimento é partilhado, conhecemos melhor as pessoas e criamos laços”. Rosa Macedo, Sever do Vouga.

“É a segunda vez que trabalho com a Joana, gosto muito dela, do grupo e do convívio. Aprende-se muito e é extremamente saudável. O resultado? Logo se vê. Certo é que nos temos empenhado!”. Carolina Tavares, Sever do Vouga.

“Tem superado as minhas expetativas. Trabalho numa instituição com crianças e portadores de deficiência. O que tenho aprendido cá, irei certamente utilizar de alguma forma no desempenho das minhas funções”. Helena Teixeira, Cedrim.

“Tem sido muito bom. É um momento meu, de escape da rotina. Deu-me uma outra perspetiva sobre o teatro e vou levar o que aprendi para o trabalho”. Cristina Silva, Pessegueiro do Vouga.

“Estou a gostar muito da experiência e até o próprio convívio com o grupo porque criamos laços. As idades são muito diferentes, mas nem nos apercebemos de tão boa que é a interação entre todos. Temos desenvolvido diferentes competências que, no meu caso, também acabo por aplicar na escola”. Salvador Borges, Cedrim.

“O que mais me admira é como vim parar ao teatro e estou nessas andanças há nove anos! Aprendemos sempre algo e acabamos por criar uma forte ligação com as pessoas. Participo porque acredito que é com a nossa participação que os projetos podem existir”. Valdemar Lima, Sever do Vouga.

“É um escape que ajuda a descontrair. Criamos amizades e quando acabar, certamente, iremos sentir saudades. Esses projetos comunitários ajudam-nos a desenvolver competências e, se todos participarmos, como atores e como público, quem ganha é o concelho e todos nós, claro”. Luísa Figueiredo, Pessegueiro do Vouga.

 

 

 

Ficha Artística e Técnica:

Dramaturgia: Jorge Louraço Figueira

Encenação: Joana Figueira

Interpretação dos severenses: Ana Conceição, Carolina Tavares, Catarina Leitão, Cristina Silva, Eduardo Veiga, Helena Teixeira, Isabela Sá, Luísa Figueiredo, Maria de Lurdes Costa, Maria do Carmo Henriques, Rogério Conceição, Rosa Macedo, Salvador Borges, Stefan Ribeiro, Susana Rodrigues, Tiago Santos e Valdemar Lima

Desenho e operação técnica de luz e som: Tiago Santos e Manuel Bento, CAESV

Apoio aos figurinos: Inês Mariana Moitas e Maria Pereira

Produção executiva: Nuno Correia, CAESV

Uma encomenda do CAE / Câmara Municipal de Sever do Vouga 2019

 

Sinopse:

Imbuídos pela magia e romantismo das quedas dágua de um dos locais mais oníricos de Sever do Vouga, as personagens de Shakespeare encontram-se para viver o Amor. Titânia e Pavão, os patronos das fadas e dos faunos, dão o mote para os encontros e desencontros amorosos e os seus pupilos vertem as gotas do amor sobre os olhos dos apaixonados. Entre “arranjos”, partidas e verdadeiras paixões, os amantes inundam-se com as Quedas DÁgua DAmor.




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