Presidente foi orador em conferência sobre constragimentos do aeroporto

Presidente foi orador em conferência sobre constragimentos do aeroporto

Presidente foi orador em conferência sobre constragimentos do aeroporto

O Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz foi um dos oradores numa iniciativa que decorreu esta manhã no Forum Machico. Uma iniciativa da Ordem dos Engenheiros Técnicos, que teve como parceiros o JM e a ACIN, que pretendia discutir o papel do Aeroporto do Porto Santo nos constragimentos atmosféricos do Aeroporto Internacional da Madeira. Intervenção do Presidente Filipe Sousa Antes de mais quero agradecer o convite que me foi endereçado pela Secção Regional da Madeira da Ordem dos Engenheiros Técnicos. Um convite que não poderia deixar de aceitar, não porque tenha qualquer conhecimento técnico sobre a matéria, mas porque me parece que a questão a abordar nos deve preocupar a todos enquanto madeirenses, e particularmente a mim como presidente do concelho que é a porta de entrada na Região Autónoma da Madeira. Os constrangimentos do Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo têm, na verdade, sido cada vez mais frequentes, com os consequentes transtornos e danos para os passageiros e para o destino Madeira. Sendo Santa Cruz o segundo polo turístico da Região, este é um assunto que nos toca particularmente. Não só porque muitos dos turistas afetados têm como destino final o nosso concelho, mas também porque o nome de Santa Cruz fica associado a um sítio de condições atmosféricas adversas, o que é claramente falso e exagerado. Além dos turistas, toda esta problemática assume proporções mais graves quando falamos de uma ilha, onde os residentes não têm qualquer alternativa de transporte para sair e entrar. Este é, por isso, um problema que merece uma reflexão alargada. O mote lançado pela Ordem dos Engenheiros Técnicos é interessante, mas, como santacruzense e madeirense, penso que embora o aeroporto do Porto Santo possa sempre ser uma alternativa, não deve ser a única e muito menos surgir como panaceia para todos os males, ou para este mal em particular. O Aeroporto Internacional da Madeira, nomeadamente a última intervenção que aumentou a pista e modernizou a aerogare e todas as infraestruturas associadas, faz daquela estrutura uma obra de engenharia notável e um investimento que tem obrigatoriamente de ser pensado e equacionado por forma a resolver os problemas que neste momento enfrenta. Passar a solução unicamente para o Aeroporto do Porto Santo, é um pouco como termos investido num transatlântico e navegarmos de canoa. A mim parece-me razoável a defesa que muitos fazem da revisão dos limites do vento, ou mesmo de outros estudos que possam levar a um melhor aproveitamento da infraestrutura existente na Madeira, ou da melhor forma de ultrapassar os atuais contratempos. É que embora seja apelativo dizermos que com a alternativa Porto Santo os turistas poderiam ter duas experiências numa só, que a sazonalidade da ‘ilha dourada’ seria de alguma forma mitigada, existem aqui muitas zonas cinzentas e muitas questões correlatas que têm necessariamente de ser equacionadas. Primeiro, estes constrangimentos não atingem apenas quem nos visita, mas também quem aqui vive. Uns e outros podem não estar interessados em passagem forçada numa ilha vizinha por mais atrativos que esta tenha. Além disso, podem não estar interessados numa viagem de barco que, muitas das vezes, não será assim tão agradável porque ao mau tempo em terra corresponde, não raras vezes, mau tempo no mar. Não creio que a sazonalidade do Porto Santo possa ser combatida com o vento na Madeira. Mas depois existem ainda outras questões que me parecem merecer reflexão. Estarão as companhias aéreas disponíveis para fazerem tentativas de aterragem na Madeira, divergirem para o Porto Santo e, eventualmente, assegurarem transporte marítimo ou hospedagem para os seus passageiros? Quem é que afinal vai garantir os preços da inoperacionalidade do nosso principal aeroporto e das suas possíveis alternativas? Creio que se colocarmos apenas uma solução em cima da mesa corremos o risco de ver concretizadas as ameaças de algumas companhias aéreas de abandonarem a rota da Madeira. Isto, a meu ver, seria muito pior do que os constrangimentos do vento, apesar da previsão de estes se tornarem cada vez mais frequentes. Não queremos de forma algum juntar mais constrangimentos aos constrangimentos naturais do vento. Creio que esta questão do Aeroporto do Porto Santo como alternativa terá custos que têm necessariamente de merecer reflexão dos Governos, tanto regional como nacional. Caso assim não seja, corremos o risco de ter mais um problema, além daquele que já existe com o modelo de mobilidade em vigor. Ou seja, além dos preços inflacionados das viagens, que muitas vezes não garantem a apregoada continuidade territorial, nem mesmo com o modelo de comparticipação em vigor, teríamos agora preços de uma operação alternativa ao Aeroporto Internacional da Madeira, que nos tornaria cada vez mais insulares e que faria com que os custos de uma viagem à Madeira ficassem ainda mais caros. Não creio que as companhias aéreas se interessem por um modelo que lhes vai custar mais, e não sei da razoabilidade de ser a Região ou o Estado a suportar mais um custo. No entanto, caso esta seja a solução mais viável, defendo que deveria ser feita uma reflexão e debate alargados sobre quem vai suportar mais este custo, e se será viável um apoio às companhias aéreas que terão de fazer face a mais um constrangimento. Neste aspeto concordo com o Comandante Timóteo Costa e partilho com ele a tristeza de ver o que se está a passar no Aeroporto da Madeira. Concordo também com ele quando defende que o Porto Santo pode ser uma solução de recurso, mas não a única a estar em cima da mesa. Não acredito que uma solução deste género resolva os problemas de quem aqui vive, nem os problemas associados aos danos que as situações de vento cada vez mais frequentes podem trazer ao destino Madeira. Entendo que, antes de mais, este problema deve ser equacionado aproveitando os recursos, as possíveis alterações ou adaptações do nosso aeroporto internacional. Só assim se mitigará a imagem que já começa a ser criada e institucionalizada de um aeroporto internacional onde não se consegue aterrar cada vez com mais frequência. Acrescentar a esta imagem mais uma viagem de barco de mais de duas horas entre ilhas não me parece uma solução que não mereça, pelo menos, a ponderação de outras alternativas. Caso, no entanto, a solução Porto Santo seja a única possível, há então que equacionar que custo terá essa solução e quem o irá suportar. - Estaria o Governo Regional disposto a canalizar verbas da promoção do destino Madeira para compensação às companhias pelos constrangimentos de uma operação que envolveria estadias e outros meios de transporte associados? - Estão os passageiros, residentes e turistas, disponíveis para a institucionalização de uma solução deste género? - Será esta solução do Porto Santo benéfica para o destino Porto Santo ou para o destino Madeira? São muitas as questões para as quais não tenho respostas cabais, mas creio que a reflexão deve ser feita com o maior rigor, transparência e responsabilidade. Principalmente devem ser feitas por quem de direito e ouvindo quem pode trazer algum contributo válido ao assunto dos ventos no aeroporto da Madeira. O Turismo como atividade económica de vital importância para a Região Autónoma da Madeira não pode estar dependente de soluções que não sejam sustentadas e sustentáveis em todas as suas valências. O investimento feito no nosso Aeroporto Internacional, reconhecido por todos como uma notável obra de engenharia, merece que se pondere primeiro todas as alternativas que possam mitigar na origem os problemas cada vez mais frequentes do vento. Só depois de bem estudadas estas questões se poderia então, a meu ver, equacionar a solução Porto Santo e as sinergias com as estruturas portuárias da Madeira. Além disso, há que equacionar se o transporte marítimo neste momento em linha seria suficiente para uma solução deste género. Como Presidente do concelho onde a infraestrutura aeroporto está implantada, e onde está situado o segundo polo turístico da Madeira, é óbvio que me interessa que estes problemas sejam ultrapassados.

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