Bem Vindo à<br>Freguesia de Santo Antão (Calheta)

Bem Vindo à
Freguesia de Santo Antão (Calheta)

Freguesia de Santo Antão (Calheta)

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HISTÓRIA DE SANTO ANTÃO

  

A Igreja é o principal marco do centro da freguesia de Santo Antão, criada por Decreto-Lei de 6 de Junho de 1889, o que faz desta a mais jovem freguesia de São Jorge e resultou da divisão do território que foi até 1870 Sede do Concelho de Vila Nova do Topo.

Santo Antão, é uma denominação da segunda metade do século XVIII, a localidade chamou-se inicialmente de Ribeira Seca do Topo e tem a sua origem na Ermida que aqui foi construída em honra do Santo daquele nome. Foi das ruínas da Ermida de Santa Rosa de Viterbo, de localização incerta, destruída pelo terramoto de 1757, “o Mandado de Deus”, que nasceu a Ermida de Santo Antão, largamente patrocinada pela família do Padre Ambrósio, falecido a meio do século XIX e que deixou em testamento os seus bens à referida Ermida de Santo Antão, para que um dia ascendesse a Paróquia, como viria a acontecer cerca de 40 anos da data da sua morte. Sobre este homem, o Padre Manuel Azevedo da Cunha, maior historiador Calhetense, escreveu nas suas Notas Históricas: “A memória do Padre Ambrósio deve ser imorredoira entre o povo de Santo Antão”.

Foi dessa Ermida que nasceu o então curato de Santo Antão, posteriormente melhorada e elevada à categoria de Igreja. Em 2011 a Junta de Freguesia resolveu assinalar o dia comemorativo do Santo padroeiro mandando executar os dois painéis de azulejos, da autoria do artista jorgense António Pedroso, colocados na zona de entrada da Igreja, para recordar dois momentos da Igreja primitiva que foi demolida em consequência dos danos do sismo de 1980.

Foi a Confraria de Nossa Senhora de Lourdes, presidida pelo Senhor Manuel Maria, constituída legalmente em 1886, que assumiu a responsabilidade pela execução das obras necessárias para que a Ermida pudesse passar a Igreja e o curato de Santo Antão a paróquia.

Na conturbada década de 1880 foi Padre Francisco Xavier um dos grandes obreiros desta freguesia: recuperou a Ermida; introduziu a comemoração da Festa de Nossa Senhora de Lourdes, a terceira mais antiga dos Açores; promoveu as primeiras coroações em honra do Espírito Santo, até então realizadas na Vila do Topo; dotou a escola primária das melhores condições existentes à época em todo o Concelho da Calheta; comprou o órgão de tubos, hoje em fase de ser recuperado, que segundo o mestre organista Dinarte Machado é dos mais antigos e valiosos dos existentes nos Açores, onde existem 5 exemplares da autoria do Organeiro Joaquim António Peres Fontanes e de armário este é o segundo, provavelmente construído em 1791 ou 1792; sendo este organeiro contemporâneo de Machado e Cerveira; os dois que criaram a escola de Organaria portuguesa dos finais do século XVIII, o que eleva a importância deste instrumento ao nível de património de interesse nacional. Acrescente-se que o maestro Francisco de Lacerda aqui tocou aos 16 anos de idade.

Por essa época, aquilo que são as duas freguesias desta zona oriental da ilha, registavam cerca de 3.000 habitantes, ficando Santo Antão com aproximadamente 2.000, hoje reduzido a 750 pessoas.

Com uma área de 33,41 km2, extrema a Ocidente com a freguesia da Ribeira Seca, às Pedras Brancas, à ribeira de São João (parte Sul) e Entre Ribeiras (parte Norte da ilha); extrema a Oriente, na zona dos Alqueves com a freguesia de Nossa Senhora do Rosário (Vila do Topo), na parte Sul pela ribeira Seca do Labaçal e na parte Norte pela Ponta Furada.   

  Foi então nomeado Regedor o Senhor Bartolomeu Teixeira Brasil, morava na casa que fica no triangulo de terras a Este da igreja e que era também um dos donos do ilheú do Topo; Regedor substituto o benemérito João Silveira Leonardo, conforme é noticiado no número 103 do jornal “O Insulano” de 16 de Novembro de 1895.

A primeira Junta de Paróquia eleita, foi liderada pelo Senhor Manuel Henrique Borges, que em 1874 foi, também, o primeiro professor da escola masculina de Santo Antão; a feminina só chegou depois de 1900. Este Sr. teria a sua residência na sumptuosa casa que fica a Norte da Igreja.

O passal, habitação do padre da paróquia, foi destruído pelo sismo de 1980 e teve no Padre José da Costa Leonardo, que aqui exerceu por cerca de 50 anos, o seu último residente; está em fase de recuperação e vem sendo utilizado para dar catequese.

Na origem da separação estão dois factores primordiais: um de origem administrativa pela distancia a que tinha de se deslocar uma maioria da população; outra de ordem religiosa e sobretudo da comemoração das festas do Espírito Santo, consideradas as melhores de toda a ilha e para onde se deslocava a população do monte, numa muda temporária.

A guerra começa precisamente quando a população de Santo Antão resolve fazer as suas festas. Trazem a coroa para o efeito, mas os do Topo reúnem-se em romaria e não permitem que pernoite em Santo Antão, indo contra as instruções do próprio Vigário da matriz.

Os de Santo Antão encomendam a sua coroa, através dos Senhores Morgado João Ignácio de Noronha e João Silveira Leonardo, que chega a 26 de Abril de 1884, contexto em que o povo se preparou para aquela que seria a sua primeira “Festa” sem interferência das gentes do Topo.

Era Vigário, da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, o Padre Francisco Monteiro de Amorim, natural de Santa Rosa e onde residia e que faz parte de Santo Antão, cargo em que sucedera ao Padre Ambrósio Constantino da Silveira e que nessa sucessão foi preferido a um outro filho da terra, o Padre Bernardo de Sousa Enes, que veria a ser Professor Catedrático, Bispo de Macau, de Bragança e de Portalegre, onde viria a falecer em 1887.

Ora o Padre Francisco Monteiro de Amorim, receoso de que a nova confraria fizesse decair o esplendor das festas do Topo, proibiu o Padre Francisco Xavier de prestar qualquer culto à coroa ou efectuar a coroação e que este se viu obrigado a respeitar, comunicando o facto aos fiéis do seu Curato de Santo Antão, que pela primeira vez se dispuseram a desobedecer àquele homem que haviam conhecido como: lavrador, marido exemplar, pai de família, viúvo e agora o seu bem amado pastor.

            Entendiam que a coroa fora benzida pelo Senhor Bispo, de forma que com Padre ou sem Padre, coroação é que ia haver.

            Chegou o dia, e no aristocrático Bairro de São Pedro da Vila do Topo, o Morgado João Ignácio de Noronha agrupou a sua gente com os seus bolos de véspera, montou a cavalo e partiu rumo à Ermida de Santo Antão.

            Numa volta do caminho surgiu-lhes espantado um grupo de burros anões que espezinhou os devotos, destruindo os Bolos e um houve que mordeu a mão de uma mulher, pelo menos é o que diz no Ecco Jorgense de 1 de Outubro de 1884, num artigo assinado por um tal de “F… de Casacão”.

            Um outro grupo saindo do Cruzal, levando à frente João Silveira Leonardo e que trazia 3.600 bolos (O Velense nº. 109 de Agosto de 1884), cruzou-se com um grupo de topenses que em imitação de procissão levavam uma boneca de porcelana dizendo ser coisa mais digna e valiosa do que o “mólho de prata” que os de Santo Antão transportavam (in Ecco Jorgense de 1 de Novembro de 1891).      

Eles levavam o prato e a coroa na mão para a Igreja, João Silveira Leonardo ficava sempre com ela na mão, porque se pusesse em cima do altar os da Topo podiam vir cá e levá-la. O Padre não coroava, nem acompanhava os rituais, sendo as pessoas de Santo Antão que passavam a bandeira por cima das esmolas, crendo que estas ficavam bentas e depois levavam a coroa para sua casa, conforme relatou o Sr. Luís Marques, em entrevista de 1991 a Francisco F. Borba, principal historiador desta zona do Topo.

            Procedia-se à “bênção” das esmolas quando um grupo de cavalgaduras topenses surgiu arraial dentro tentando interromper a cerimónia (O Ecco Jorgense de 24 de Janeiro de 1892).

            O Morgado João Ignácio de Noronha, monta a cavalo e tenta fazer frente aos seus patrícios. Sozinho contra tantos acabou por ser derrubado do cavalo, e na queda partiu uma perna (O Ecco Jorgense de 21 de Outubro de 1884).

            Apesar de tudo, das mãos mordidas, das pernas partidas e de, possivelmente, muitas outras lesões que as crónicas da época não dizem, ainda houve sobreviventes para ir ao “jantar da festa” em casa do mordomo, cujo nome não se conseguiu apurar.

            Apesar de tudo, ainda, era gente a mais e as traves do sobrado da casa do mordomo não aguentaram e foi tudo parar ao rés-do-chão - (O Ecco Jorgense de 1 de Outubro de 1884).

            Os que escaparam ilesos e de saúde, não desanimaram e vieram para a rua esperar pela Terça-feira, em que uns de São Tomé que tinham preferido ir à “Festa” do Topo, tiveram grandes dificuldades em chegar a casa devido à surra que apanharam – (O Ecco Jorgense de 1 de Agosto 188..). Percebe-se por texto publicado e subscrito pelo F … de Casacão (é em nosso entender o Padre Francisco Monteiro Amorim) que o Regedor da freguesia do Topo teria sido um dos autores desta surra, juntamente com os filhos. Pela data do acontecimento somos levados a crer que o Regedor seria o Senhor José de Azevedo Bettencourt, morador na Ribeirinha, possivelmente na casa que é hoje do Senhor José Luís Coelho.

            O escândalo era enorme, e o Ouvidor Eclesiástico do Concelho da Calheta que a todo o custo tinha tentado evitar o alvoroço, procurando convencer o Padre Francisco Monteiro Amorim a não proibir a coroação, sentiu tal perturbação que faleceu pouco tempo depois – (O Ecco Jorgense de 1 de Outubro de 1884).

            Para a freguesia de Santo Antão lembrar estes episódios, que foram certamente dos principais momentos que haveriam de incitar à obtenção da independência da freguesia de Santo Antão, é uma forma de homenagear todos quantos contribuíram para a construção e elevação da freguesia, desde a separação, construção do Império, da Casa do Espírito Santo, da filarmónica, do cemitério, entre outros esforços.

            Além desta Igreja pode encontrar na freguesia, também a Igreja de São Tomé construída em meados do século passado; a Ermida do Cruzal, construída em fins do século passado, fortemente patrocinada pelos emigrantes de Entre Ribeiras que assim manifestavam a sua devoção e realojavam o Bom Jesus de Entre Ribeiras, cuja Ermida foi destruída pelo sismo de 1980; a Ermida de São João construída no século XVI ou XVII; a Ermida do cemitério em honra de Santa Rosa de Lima, em ruínas desde o sismo de 1980, mas que se pretende reconstruir e a Capela em honra de São José, das Irmãs do Sagrado Coração, também em Santa Rosa.

            O largo era o ponto de concentração da população, sobretudo ao domingo em que ninguém faltava à missa, naturalmente que as estruturas mais importantes se fossem por aqui concentrando, como se observa, temos aqui o mais imponente chafariz; por trás o edifício comercial que na década de 1920 foi uma cooperativa de consumo para associados; onde hoje está a sede da filarmónica, uma das duas existentes na freguesia e resultante da cisão na década de 1960, existia um espaço onde se fazia teatro; onde hoje está implantada parte da igreja, para Sul, existiu a cooperativa agrícola, hoje relocalizada e denominada Finisterra; para Poente da igreja temos hoje, á direita, a Sede da Junta de Freguesia que alberga o posto da farmácia e á esquerda o passal; continuando temos a Casa do Espirito Santo, cuja organização e construção foi fulcral no processo de separação da freguesia e que na década de 1880 já tinha contabilidade organizada; em frente desta está o coreto; um pouco mais acima lado a lado temos a praça do gado e o império; esta praça que servia para fazer feira do gado aos domingos, para onde vinha gente de toda a ilha negociar; o bairro de casas resulta da necessidade que houve de realojar pessoas a seguir ao sismo de 1980; logo a seguir a este temos um conjunto de arquitectura distinta com garagem, moradia e aquilo que foi uma loja de vendas, do proprietário da fábrica de telha e olaria; ainda podemos sobre os cantos observar vestígios dessa arte; do outro lado da estrada temos o Salão Paroquial, construído a meados do século passado, com o forte contributo de um emigrante de S. Tomé, o Senhor Pedro Borba, que também patrocinou a igreja daquela localidade e ofereceu o carro ao Padre para que lá pudesse ir rezar a missa; neste salão rezou-se a missa enquanto não foi inaugurada a actual e hoje transformado no Centro Intergeracional, proporcionando a reunião dos mais idosos de toda a zona do Topo; continuando um pouco mais vamos encontrar a sede da filarmónica Recreio dos Lavradores, fundada em 1888; seguida da Casa do Povo e o edifico da ex escola primária, um dos três hoje desactivados na freguesia.

            A Freguesia de Santo Antão reúne um conjunto de fajãs como São João, a mais importante e ainda habitada; a Saramagueira; Calhau Miudo; Gaivota; Cardoso; do Cruzal; Coqueira; Labaçal, estas no lado sul; pelo lado norte e hoje vetadas ao abandono destaque para a de Entre Ribeiras, Salto Verde e Nortes onde até ao sismo de 1980 morava gente; onde chegou a existir escola e posto de recolha de leite.

            Em termos de localidade habitadas, dispersa-se desde a já referida fajã de São João, São Tomé, Tronqueiras, Lameiros, Caminho de Cima, Cruzal, Caminho da Pedra, Caminho Chão, Cancelinha, Santa Rosa, Ribeirinha e claro zona central de Santo Antão.

            Voltando á igreja, pretende-se reunir em espaço próprio um conjunto de elementos que possam constituir uma memória museológica com peças da antiga igreja e outros elementos religiosos. Igualmente será disponibilizado o espólio de Francisco Borba, cedido à Casa do Povo de Santo Antão, onde deverá funcionar a curto prazo um espaço de concentração e de divulgação da história da freguesia; assumindo-se como posto de turismo de carácter rural, onde sobretudo será disponibilizada informação a quem nos visite. 

 


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