NOVA—Velha Dança, Rovisco VMetello CLagido SBaptista DPizamiglio

NOVA—Velha Dança, Rovisco VMetello CLagido SBaptista DPizamiglio

NOVA—Velha Dança, Rovisco VMetello CLagido SBaptista DPizamiglio

NOVA—Velha Dança, Rovisco VMetello CLagido SBaptista DPizamiglio

Nos anos 2000, pressentiu-se na dança uma vontade indelével de recuperação de arquivos, discursos, estéticas e corporalidades. Desde então, tem-se insistindo em “reenactments”, “reposições”, “reativações”, que reivindicam um presente trans-histórico, trespassado pela memória e por reflexões sobre o seu papel nas artes performativas contemporâneas. Muito disto se faz agora porque ficaram histórias por contar, coisas por registar, que assumem hoje contornos de contracultura não transmitida aos olhos da história oficial. Em 1984, dez anos depois do 25 de Abril, o artista António Olaio apresentava a performance Il faut danser Portugal, que significa literalmente, “Há que dançar Portugal”. Isto dez anos antes de Alexandre Melo questionar se os portugueses tinham corpo e já anunciando, ou exigindo, um conjunto de reconfigurações da experiência da corporalidade “nacional”, como defende o investigador e dramaturgista André Lepecki. Vânia Rovisco, artista multidisciplinar e bailarina, tem vindo a inquirir formas de transmissão de corporalidade num projecto de reacção temporal, alicerçado numa investigação sobre o movimento da performance em Portugal. Para este ciclo, a artista propõe transmitir o trabalho de António Olaio – Il faut danser Portugal (1984) aos alunos do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação da Escola Secundária Dr. Ginestal Machado. Sob a mesma batuta de “Há que Dançar Portugal”, convidam-se 3 artistas de 3 gerações distintas, cujo trabalho coreográfico se cruza com aquilo que poderíamos insinuar serem operações da performance para, através dos seus trabalhos, se refletir sobre esta relação. Carlota Lagido, bailarina-arquivo da obra de várias gerações de coreógrafos, apresenta uma das suas primeiras experiências coreográficas notforgetnotforgive, de 1999, originalmente criada para um wc masculino. Sónia Baptista – coreógrafa, bailarina e escritora – revisita um dos haikus (俳句), nome dado a uma forma curta de poesia japonesa, da sua peça homónima de 2002. Moustachu, Lamento da Mulher não Barbada, ou Ser Mulher é ter Pêlo Onde se Quer, dialoga inevitavelmente com a peça de Duchamp, L.H.O.O.Q., 1919, onde este acrescentava um bigode e uma pera à famosa Mona Lisa. Por fim, Daniel Pizamiglio, bailarino e coreógrafo fortalezense radicado em Lisboa, convoca o movimento da poesia concreta e uma certa ontologia da dança enquanto evento da efemeridade e do desaparecimento, na sua mais recente performance Dança Concreta, realizada no final do curso PEPCC do Fórum Dança, onde se cruza com Vânia Rovisco e Sónia Baptista. O programa é complementado com uma intervenção da investigadora Verónica Metello sobre a história da performance no território das artes visuais em Portugal, que dará azo a um debate alargado sobre a porosidade entre conceitos de dança e performance, com vários convidados, dos quais os artistas e percursores da performance em Portugal, António Olaio e Clara Menéres. INCUBADORA D’ARTES Rua Luís de Camões, nº 11, 2000-116 Santarém https://goo.gl/maps/Woto9GYnFSP2 20 Maio (sábado) 16:00 - Masterclass É preciso dançar ou Como fazer acontecer por Verónica Metello 18:30 - Performances REACTING TO TIME, portugueses na performance, (2014- ) de Vânia Rovisco, com os alunos do 11º e 12º ano do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação da Escola Secundária Dr. Ginestal Machado NOTFORGETNOTFORGIVE (1999) de Carlota Lagido MOUSTACHU (2002/16) de Sónia Baptista DANÇA CONCRETA (2016) de Daniel Pizamiglio Conversa com os artistas, António Olaio, Clara Menéres,Ana Bigotte Vieira e Verónica Metello Nos anos em torno da revolução de 25 de Abril de 1974, uma dinâmica peculiar pautou a actividade artística portuguesa: num país fechado sobre si mesmo, fora dos circuitos e moldes convencionais de apresentação, um conjunto de eventos colocaram Portugal em sintonia com as questões e com as práticas que animavam a vanguarda artística internacional. O experimentalismo performativo dos anos 70 e 80 do século XX, onde o corpo assumiu um novo lugar na prática artística, atravessou as diferentes áreas, trazendo novas modalidades de composição, apresentação e experiência. Primeiro em Lisboa, com o grupo de poesia experimental, e na Galeria Judite da Cruz, depois no Porto e em Coimbra, passando pelas Caldas da Rainha e Torres Vedras. No início em eventos isolados, depois em programações e festivais nacionais e internacionais. De meados dos anos 70 até aos anos 80, a dinâmica destas apresentações foi crescente, polarizada em torno do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, dos quatro Encontros Internacionais de Arte e da Alternativa 0, do Ciclo de Arte Moderna no IADE e da exposição Massificação e Identidade Cultural mas também no circuito das galerias, com os happenings nas galerias Diferença, Quadrum e Diagonale (Paris). Assim, no princípio dos anos 80 nasce o Festival Alternativa em Almada e a Bienal de Cerveira, tem lugar o Festival de Performance Portuguesa em Amesterdão e, em 1985, no Centre Georges Pompidou em Paris, o mesmo ano em que tem lugar uma primeira retrospectiva da Performance em Portugal, em Torres Vedras, no I Encontro Nacional de Performance. Nomes como Albuquerque Mendes, Fernando Azevedo, João Dixo, Artur Barrio, Gerardo Burmester, Miguel Yeco, Silvestre Pestana, Elisabete Mileu, Manuel Barbosa, Fernando Aguiar, António Olaio, Ção Pestana, Rui Órfão e Alberto Carneiro definem as coordenadas de um primeiro corpo performativo português. REACTING TO TIME, portugueses na performance, procura actualizar a especificidade da memória corporal destas primeiras experiências. Aceder à origem dessa informação, actualizá-la pela transmissão da experiência directa e apresentá-la publicamente, são os objetivos deste projeto. Trata-se de constituir um arquivo vivo, tornado presente nos corpos. Vânia Rovisco desenvolverá um trabalho de contextualização e de investigação e trabalhará com os primeiros agentes da performance em Portugal na actualização destes trabalhos inaugurais para posteriormente os transmitir. Trata-se de toda uma linhagem não transferida, um passado pouco ou nada presente. REACTING TO TIME, portugueses na performance pretende promover o conhecimento de alguns autores do período em foco e dos seus trabalhos. Um legado transmissível – como é o caso da linguagem do corpo, que provém de uma relação de acumulação de acções culturais reflexivas – não ter continuidade ou até não estar presente na memória é uma falha no (re)conhecimento de um património que nos pertence. REACTING TO TIME, portugueses na performance Criação e direcção artística Vânia Rovisco Consultora artística Verónica Metello com Alunos do 11º e 12º anos do curso profissional da Escola Secundária Dr. Ginestal Machado Vânia Rovisco Concluiu o Curso para Intérpretes de Dança Contemporânea do Fórum Dança (Lisboa, 1998-2000). Foi aluna convidada no Ex.e.r.c.e. (Montpelier, 2001). Trabalhou como intérprete com Meg Stuart/Damaged Goods (2001-2007) e em diversas peças e projectos de improvisação, com Pierre Colibeuf; Helena Waldman; Gordon Monahan, Julian Rosefeldt; nas companhias Taldans e Les Ballets C de la B. Começou a fazer direcção de movimento em 2004, trabalhando com os directores João Brites, Gonçalo Amorim, António Simão, Nicola Brites e Gonçalo Waddington/Carla Maciel. Em 2007, a decisão de colocar o corpo no contexto da galeria de arte, criando instalações e performances, tornou-se um alicerce na concepção do seu trabalho. O seu trabalho envolve também o vídeo, na relação da captura da plasticidade do corpo e do movimento. Os seus trabalhos têm sido apresentados na Alemanha, Turquia, Portugal, França, Áustria e Bélgica. Em 2013, estreou o solo The Archaic, Looking Out, The Night Knight. Verónica Metello É licenciada em História da Arte e mestre em História da Arte Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa. Desenvolveu a primeira investigação e proposta para uma História da Performance Arte em Portugal entre 1961 e 1979. Leccionou na pós-graduação em Comunicação Cultural da Universidade Católica de Lisboa, na pós-graduação O Estado do Mundo na Universidade Nova de Lisboa e no Mestrado em Comunicação Visual no I.A.D.E.. Colaborou com a Direção-Geral das Artes no Laboratório de Arte Experimental e no Gabinete de Artes Visuais, e em 2009 com a Galeria Graça Brandão. "Tensão de palavras-coisas no espaço-tempo, estrutura dinâmica: multiplicidade de movimentos concomitantes." (in Plano-Piloto para Poesia Concreta; São Paulo, 1958) Dança Concreta (2016) Concepção e performance Daniel Pizamiglio Agradecimentos André e. Teodósio, Adaline Anobile, Carolina Campos, Forum Dança, Iván Haidar, José Carlos Duarte, Leonardo Mouramateus, Liedewij van Eijk, Margarida Bettencourt, O Espaço do Tempo, Paula Caspão, PEPCCS, Romain Beltrão Teule, Sara Anjo, Sílvia Pinto Coelho e Vera Mantero Daniel Pizamiglio (Fortaleza, 1988) é performer e bailarino. Dos seus projectos autorais e colaborativos, destaca o espectáculo Cavalos (2010), criado com Andréia Pires e Leonardo Mouramateus; o solo Desejo Infinito (2011); o site-specific O que Está em Redor da Cena? (2012), com Renan Capivara; e a performance Dupla Ameaça (2016), com Inês Cartaxo. Desde 2012 vive em Lisboa e já colaborou com diferentes artistas e coreógrafos. Como intérprete destaca o trabalho com os coreógrafos João dos Santos Martins, Projeto Continuado (2015), e João Fiadeiro, O que Fazer Daqui para Trás (2015). Em 2016 concluiu o Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica (PEPCC) do Fórum Dança (Lisboa). “notforgetnotforgive é uma performance (...) criada em 1999 para o Projecto 99, de Francisco Camacho. Imaginado especificamente para o wc masculino do Teatro Carlos Alberto no Porto, foi posteriormente apresentada no wc da discoteca Lux em Lisboa e anos mais tarde feita uma versão para palco, para museu, entre outros formatos, igualmente transmitida a outras intérpretes. (...) notforgetnotforgive, pode ser lida como um posicionamento acerca da importância da inscrição num mundo crescentemente amnésico. (...) Em notforgetnotforgive, essa amnésia é recusada e desconstruída através de políticas da memória, com possíveis leituras autobiográficas presentes na obra de Lagido.” João Manuel de Oliveira notforgetnotforgive (1999) Concepção Carlota Lagido Interpretação Carlota Lagido Figurino Carlota Lagido Carlota Lagido é bailarina, coreógrafa e figurinista. O seu trabalho como performer e coreógrafa tem características multidisciplinares. Aborda temáticas relativas a questões de identidade e contextos autobiográficos. Das suas peças destaca notforgetnotforgive, RO.GER e 50 Toneladas. Trabalhou como bailarina com Meg Stuart e Joana Providência no início dos anos 90 e durante 20 anos dançou nas peças mais emblemáticas de Francisco Camacho. Faz design de figurinos e cenografia para espectáculos de dança e teatro, desde 1989. Colaborou com Vera Mantero, Lúcia Sigalho, Francisco Camacho, Paula Castro, Filipa Francisco, Meg Stuart, Clara Andermatt, Amélia Bentes, Paulo Ribeiro, João Fiadeiro, João Galante, Nuno M. Cardoso, Aldara Bizarro, Teresa Sobral, Companhia Inestética, Tiago Cadete, Raquel André, Rui Catalão e Jonas Lopes&Lander Patrick. Foi assistente de guarda-roupa em vários filmes publicitários entre 2004 e 2006. Iniciou a sua formação em dança clássica com Margarida de Abreu, prosseguindo nos Cursos de Formação Profissional do Ballet Gulbenkian e mais tarde no Peridance Center em Nova Iorque. Fez o primeiro ano do Curso de Mestrado de Teatro, na especialização de Design de Cena na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (2011/13). Orienta regularmente workshops de pesquisa coreográfica e design de cena para profissionais e crianças. Foi artista associada da Eira de 2003 a 2011, onde foi co-programadora das atividades do espaço. Foi artista residente da Companhia Olga Roriz em 2015. É co-fundadora, com Antoine Pimentel, do espaço O LUGAR DO MEIO - centro de criação e experimentação artística do Bomvelho, em Condeixa. Moustachu subtítulo: Lamento da Mulher não Barbada ou: Ser Mulher é ter Pêlo Onde se Quer “O que eu sei é que os beijos bem dados deixam marcas e os beijos mal dados ainda mais marcas deixam. Há beijos com sabor a bigode que se agarram ao corpo afectivo. Há mulheres que caçam bigodes com beijos. Se os bigodes eram coisas de homens, os seios eram coisas de mulheres. Frequentemente, os dois encontram-se em paisagens des-amorosas. Porque, hoje, complica-se o género numa revolução capilar.” Sónia Baptista Moustachu (2016) Coreografia e interpretação Sónia Baptista A partir da peça Haikus (2002) da autora Sónia Baptista é formada em Dança Contemporânea pelo Fórum Dança. Em 2001, foi-lhe atribuído o Prémio Ribeiro da Fonte de Revelação na área da Dança pelo, então, Ministério da Cultura por Haikus, (o seu primeiro trabalho). Obteve, com distinção, o grau de Master Researcher in Choreography and Performance da Universidade de Roehampton em Londres, Reino Unido. No seu trabalho explora e experimenta com as linguagens da Dança, Performance, Música, Literatura, Teatro e Vídeo. Para além de textos e poemas editados em várias publicações, conta já com cinco livros lançados. Em 2015, estreia a sua última criação, A Falha de Onde a Luz, no âmbito do Festival Cumplicidades em Lisboa. Colabora com a CNB no PAD, Programa de Aproximação à Dança. Ao longo do seu percurso artístico, o seu trabalho foi apoiado pelo Ministério da Cultura/Secretaria de Estado da Cultura-DGArtes, Fundação Calouste Gulbenkian e Centro Nacional de Cultura. O seu trabalho tem sido apresentado em vários festivais e teatros em Portugal e no estrangeiro. Artista associada da AADK Portugal. mais informações aqui: http://novavelhadanca.pt/


PODERÁ GOSTAR TAMBÉMOUTROS EVENTOS NO PAÍS - VER TODOS



PUBLICIDADE




FB