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Lenda do Palácio sem Portas

No caminho para Odiáxere,perto de Lagos, havia em tempos uma horta e dentro desta um prédio alto muito estranho. Não tinha uma única abertura: janelas e portas eram falsas e telhado também não tinha constando que a bizarra construção durou alguns séculos sem que alguém dele fizesse uso.

 

A horta da nossa lenda pertencia a uma pobre família que nada mais possuía e que habitava nuns casebres, sobrevivendo com grande dificuldade, recorrendo ao cultivo da terra.

 

Quando a família para lá se mudou, um estranho mouro começou a aparecer à mulher sempre que não havia ninguém por perto, acenando-lhe para que se aproximasse.

 

Assustada, ela fugia, no entanto o mouro seguia-a sempre até casa. Um dia, cansada e extremamente assustada, a mulher resolveu contar tudo ao marido. Ele, esperto, recordando outros relatos que já ouvira, apercebeu-se de imediato que se tratava de um mouro encantado, em busca de ajuda. Desta forma, convenceu a sua mulher a ouvi-lo. A mulher assim o fez. Quando o mouro se abeirou dela, ela perguntou o que pretendia ele e calmamente o mouro explicou-lhe que havia muito tempo que estava encantado, esperando por quem o ajudasse. Mais, referiu ainda que quem o desencantasse receberia um tesouro em ouro e pedras preciosas.

 

Eufórica a mulher quis saber como o poderia ajudar, tendo o mouro pedido a construção de um edifício com portas e janelas que não pudessem ser abertas e telhado sem telha. De seguida, prosseguiu, assim deveria permanecer o edifício durante cem anos, sem que ninguém dele fizesse uso.

 

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Desalentada, a mulher voltou a casa, contando tudo ao marido. Na verdade, não tinham dinheiro para nada, sem falar no facto da chacota que sofreriam por parte das pessoas vizinhas.

 

Apesar disso, o marido não hesitou:
-Avancemos mulher! Trabalharemos afincadamente para construir esse prédio, empenhando o que for preciso!

 

Assim fizeram. Depois de muito tempo de sacrifício, o prédio ficou pronto e um dia, o mouro voltou a aparecer à mulher. Depois, levantando uma enorme laje que havia no chão e na qual ela nunca reparara, revelou um tesouro cheio de ouro e jóias. Cumprindo a sua palava, entregou-o à mulher, despedindo-se dela com um beijo.

 

Porém, o beijo não era inocente. Era um beijo de fogo que logo lhe queimou a garganta, de tal forma, que ela não mais conseguiu ingerir alimentos sólidos. Passados meses de sofrimento atroz, deixou de lutar. Fechou os olhos e morreu.

 

Marido e filhos choraram a sua morte, mas o tempo cumpriu o seu papel, aliviando a dor até a esquecrem. Acabaram por a esquecer ficando ricos e felizes.

 

Quanto ao prédio, continuou intacto e estranho, mais de cem anos pelo que dizem, já que na verdade os seus proprietários não quiseram correr o risco de ver evaporar-se a sua fortuna.

POR: PNMF




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